UM SANTO COM O NOME DE LÚCIFER? - Almir Sant’Anna Cruz
Certamente em virtude do sentido que se passou a dar ao nome, a própria Igreja Católica não cita nem divulga que existe um Santo por nome Lúcifer. Pelo menos...
A compreensão profunda daquela qualidade intrínseca que eleva o espírito humano e molda o caráter encontra suas raízes mais antigas em concepções que remontam à Antiguidade Clássica. Do latim *virtus*, que originalmente denotava força, virilidade e destreza, mas que rapidamente expandiu seu significado para abranger excelência moral e coragem cívica, até a *aretē* grega, que encapsulava qualquer forma de excelência – seja na arte, na guerra, na mente ou no espírito – esta foi invariavelmente vista como a mais alta aspiração humana. Ao longo da história, sua interpretação refinou-se, transitando de uma ênfase primordial em atributos físicos ou habilidades práticas para uma profunda valorização da retidão moral, da probidade e da constante busca pelo bem. Não se trata de uma mera ausência de falhas ou vícios, mas sim de uma postura ativa, um compromisso deliberado e inabalável com o cultivo de qualidades éticas, da justiça, da temperança, da prudência e da fortaleza. É o alicerce sobre o qual se constrói não apenas a dignidade individual e a reputação impoluta, mas também a coesão e a prosperidade de qualquer sociedade que aspire à ordem e ao progresso, representando a própria estrutura invisível que sustenta a civilização e o aperfeiçoamento contínuo do ser.
Dentro de nossa augusta instituição, esta busca por excelência moral é o próprio cimento que une nossos obreiros e a luz que guia cada passo no caminho do aperfeiçoamento. Ela se manifesta na conduta irrepreensível que se espera de cada Irmão, desde o neófito que inicia sua jornada de desbaste da pedra bruta até o mais experiente dos Mestres, refletindo-se na dedicação aos trabalhos, na sinceridade da fraternidade e na constância dos propósitos. Cada ferramenta simbólica, cada ensinamento ritualístico, aponta para a necessidade de lapidar o caráter com as qualidades mais nobres. O Esquadro, com sua exigência de retidão, e o Compasso, com sua lição de limites e moderação, são instrumentos que nos convidam a edificar uma vida pautada por princípios inabaláveis. Aquele que ocupa qualquer cargo na Loja, desde o Venerável Mestre que preside com sabedoria e equidade, até o Guarda do Templo que zela pela segurança e discrição, deve encarnar estas qualidades em suas ações e decisões, servindo de exemplo e inspiração. É a bússola interna que orienta o Maçom para além dos muros do Templo, garantindo que os preceitos aprendidos transformem-se em ações concretas de benevolência, justiça e verdade no mundo profano, fazendo-o um verdadeiro pilar da moralidade e um agente de progresso humano.
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