Sobre as lojas (maçónicas) de estudos e pesquisas (I)
Antecedentes
Não é de hoje o meu envolvimento com o tema-título, vide, por exemplo, Pinheiro (2020, 2021, 2021a, 2023); todavia, passado algum tempo, penso que o momento se revela oportuno para retomá-lo com o intuito de compartilhar novos achados, ideias e debater propostas. Todavia, preliminarmente alguns esclarecimentos sobre os episódios antecedentes que motivaram, bem como justificam esta iniciativa nos termos dados:
- no II Sem 24, via aplicativos (Whats e Telegram), eu solicitei para alguns Irmãos a gentileza de que me fossem informados o nome e a forma de contacto com as Lojas de Estudos e Pesquisas existentes nas suas respectivas jurisdições;
- recebi, e ora agradeço, aproximadamente 50 respostas. Os comentários que acompanharam algumas mensagens, algo como “na minha Loja [simbólica] estudamos e pesquisamos muito” e “após a ritualística nós debatemos vários temas”, somados à minha experiência com o tema, sugerem que é grande a diversidade de entendimento e práticas neste subuniverso da Maçonaria, o que, per se, já instiga estudos mais aprofundados para melhor conhecer esta espécie do género Lojas Maçónicas;
- entusiasmado, na sequência, talvez decorridos uns 30/45 dias, busquei então estabelecer conexão com os Irmãos e/ou com as Lojas informadas na etapa anterior. Desta feita, à excepção de uns poucos casos, a maioria dos contactos foi buscada através do e-mail;
- o resultado foi decepcionante, não mais do que 5 (cinco) retornos, alguns para dizer que oportunamente voltariam a contactar e outros informando que iriam submeter o assunto ao Venerável. Desde então, praticamente restou o silêncio, talvez pelas pressões das agendas de final de ano e o recesso subsequente. Reiterei a solicitação, mas mesmo assim o acréscimo ainda ficou muito aquém das expectativas;
- tentei ainda o contacto com Irmãos que, através da web, vim a saber que mantêm envolvimento com o tema, mas novamente sem sucesso, talvez porque alguns maçons são demasiado ocupados; por fim,
- para comprometer ainda mais a iniciativa de pesquisa, que é também um esforço para catalisar a formação de uma rede nacional de pesquisadores (como declarado desde a primeira mensagem), um incidente, por imperícia, me levou a perder todas as mensagens e anotações preliminares em arquivos digitais.
Destarte, reinício a iniciativa, porém agora a partir de novas bases e estratégia. Ademais, cabe sublinhar que este texto, ratificando as mensagens já referidas, é antes de tudo um convite a pensar juntos, bem como comunicar as reflexões e dar efectividade, a partir desses primeiros passos, a também já mencionada rede de estudos e pesquisas maçónicas. Para além dos benefícios do conhecimento mútuo, do contacto mais próximo, das trocas mais ágeis e das sinergias proporcionadas pelas redes, espera-se que essas iniciativas sirvam ainda como estímulo e orientação aos futuros pesquisadores.
Conforme já foi dado a perceber, o tema Loja de Estudos e Pesquisas (LEP) oportuniza o debate a partir de múltiplas perspectivas: a começar pela razão de ser e a decisão de fundar uma LEP, mas também o perfil dos integrantes, a escolha do modus operandi, do modelo de financiamento, como se darão as relações com a comunidade, isto é, com os Irmãos-pesquisadores de outras Potências, o estabelecimento de parcerias (nacionais e internacionais) com estudioso(a)s e pesquisador(a)s, inclusive não maçons, como será promovida a divulgação dos achados de pesquisa, etc.; são tantas as possibilidades de abordagem que em apenas um texto, sob pena de torná-lo demasiado extenso, se revela impossível exaurir a matéria, o que motivou a decisão subdividi-lo em secções, tendo este, em forma de minitexto, um carácter introdutório.
Brevíssimo contexto histórico
Talvez nada melhor para iniciar as reflexões do que trazer à lide a citação de Ismail (2018):
A “Quatuor Coronati” foi a primeira Loja de Pesquisas do mundo, fundada em 1884. A intenção dos fundadores era a de fomentar o estudo e pesquisa maçónicos baseados em evidência, em detrimento das narrativas imaginativas que vigoravam a época. Inauguraram assim a chamada “escola autêntica”. No Brasil, pela deficiência literária maçónica, a “escola” achista, místico-esotérica e imaginativa ainda tem prevalecido, somente enfrentando resistência e concorrência de uma pequena, porém crescente e optimista versão brasileira da escola autêntica, nos últimos anos.
Por que a citação se revela oportuna e é relevante? Antes de tudo porque ao trazer o registro do primeiro aparecimento do fenómeno (LEP), deixa à evidência que, historicamente, ele é ainda recente, datado do final do séc. XIX, ainda não completou 150 anos. Mas também porque estabelece as divisas que distinguem e singularizam as LEP: os estudos (maçónicos) baseados em evidências, o que então deu origem à chamada “escola autêntica” em oposição ao que o autor denomina de “escola achista [1], mística-esotérica e imaginativa”. Por fim, refere às LEP no Brasil, aonde, é claro, o fenómeno é ainda mais recente: de acordo com Spoladore (2016), “A primeira Loja de pesquisas foi a Loja Segredo no Oriente do Rio de Janeiro, fundada em 1921 pelos Irmãos Otaviano Bastos e Everaldo Dias”. Todavia, a enzima catalisadora das Lojas mais recentes foi a LEP Brasil, jurisdicionada ao Grande Oriente do Paraná e da qual Spoladore é um dos fundadores, marco registrado em 15.03.75; com efeito, desde então, tem-se notícia da fundação de inúmeras LEP distribuídas por entre as Potências e as unidades da federação, a exemplo da Dom Bosco 33, fundada em 1989, filiada à Grande Loja Maçónica do Distrito Federal, e da Universum, 147, jurisdicionada à Grande Loja Maçónica do Estado do Rio Grande do Sul, fundada em 1996 (Pinheiro, 2021), e outras.
À excepção de determinadas iniciativas, notadamente as beneficentes, bem como acontecimentos históricos que quando não são, para a publicização são configurados como envaidecedores à Ordem, praticamente tudo o mais que a cerca é envolto em brumas; assim, e de regra, o acesso à informação quando não é interditado, com velo é desestimulado, mesmo para os Quadros internos. Por suposto, porque herdeira das Ordens Iniciáticas de carácter sagrado ou, talvez, por motivações mais profanas a exemplo das acções-reacções políticas já na Modernidade. Independentemente, o facto é que, sobretudo a partir de meados do séc. XVIII, o compromisso com o “segredo”, que tem sim a sua justificativa e lugar próprio no concerto das Doutrinas e Ritos Maçónicos, ganhou uma extensão despropositada e desmedida [2], o que talvez seja merecedor de um estudo específico em razão mesmo dos eventuais prejuízos à Ordem, tanto externos (no que refere, por exemplo, à imagem) quanto internos, pois na ausência de informações acuradas e analisadas com maior isenção (e por isto desde fora), até mesmo a tomada de decisões pode restar comprometida. Nestes termos, dadas as limitações impostas para a escolha da mais adequada dentre as possibilidades de delineamento metodológico, restam ao pesquisador as fontes secundárias; vistas isoladamente elas revelam as intenções (declaradas e/ou veladas) do pesquisador original, mas quando tomadas em conjunto e em recorte longitudinal permitem apreender significados até então não percebidos, como se pretende demonstrar.
Para além do contexto histórico
Embora se desconheçam estudos que tenham estabelecido a linha do tempo – pouco mais de 2 (dois) séculos – dos eventos bem como destacado personagens em linha sucessória, é razoável imaginar, ainda que em termos não exactamente precisos, que o ambiente no qual floresceu a The Royal Society (28.11.1660), e de algum modo já mais amadurecido, assim como estava a própria Maçonaria Especulativa, tenha também estimulado a fundação da Quatuor Coronati (28.11.1884) sob os auspícios da Loja Mãe – a Grande Loja de Londres e Westminster, 1717 -; a coincidência entre as datas, 28.11, talvez não tenha sido mero acaso. E se esta conjectura é verdadeira, há indícios de que se não é conditio sine qua non para o nascimento e o desenvolvimento de uma LEP, é possível que se revelem como condições necessárias, entre outras [3]:
- a existência de um macro ambiente sociopolítico caracterizado pela tolerância e o não-dogmatismo, aberto às reflexões, às inovações e sempre pronto a responder às mudanças ambientais;
- isto é, em que prevaleça a liberdade de pensamento e expressão sem quaisquer peias de constrangimento, sobretudo se provenientes das hierarquias institucionais;
- no qual o conhecimento em si mesmo seja considerado como um dos pilares e valores fundamentais da sociedade, de tal modo que os dispêndios com a sua obtenção (o que inclui o ócio contemplativo) sejam antes vistos como investimentos do que como gastos, e cuja expectativa de resultados se estende no tempo; bem como, sem qualquer pretensão de exaurir o rol,
- que o empreendedorismo empírico, com base na tentativa, sujeito a erros e gerador de custos, também seja reconhecido, valorizado e, por contraditório e paradoxal que à primeira se apresente, estimulado.
Mutatis mutandis, as condições ambientais na Londres da passagem da Modernidade ao Iluminismo (séc. XVII-XIX), no que refere ao tema, guardam semelhanças com as vigentes na Jónia da Antiguidade durante a transição da Grécia Arcaica para a Grécia Clássica no curso da qual se deu o florescimento da Filosofia e dos seus primeiros grandes nomes: Tales de Mileto (624-546), Anaximandro (610-546), Anaxímenes (588-524), Pitágoras (570-495) e tantos outros. Portanto, se a História é boa mestra, tem-se, aí, 2 (duas) grandes lições que, desde o plano mais elevado sugerem as condições socioculturais que, se por si mesmas não asseguram, facilitam e estimulam as actividades especulativas e a consequente geração de conhecimento, ambas próprias às LEP.
Assim, frente à intenção de fundar uma LEP, auscultar o zeitgeist (o “espírito do tempo”) talvez seja o primeiro passo recomendado para, na sequência trazer à pauta dos debates, ainda preliminares, as seguintes questões: como o macro ambiente externo reverbera no ambiente interno e nas formas de actuação da Potência acolhedora? Em que medida e com que extensão esse ambiente poderá afectar, ou não, as condições internas e de funcionamento da futura Loja? Como estabelecer o perfil e seleccionar os futuros integrantes, às LEP aplicam-se os mesmos procedimentos e critérios utilizados pelas Lojas Simbólicas? Toda a matéria pertinente (no que tange à organização, aos recursos, ao estabelecimento da missão, da estratégia, dos objectivos, etc.) deve então ser sopesada e nenhuma circunstância, à primeira vista, deve ser excluída como se fosse um óbice intransponível, mas é certo que uma ou outra exigirá maiores esforços e resiliência até que os primeiros resultados, ao se tornarem visíveis, contribuam para a eliminar as resistências e ampliar as adesões. O que significa dizer que já as primeiras iniciativas devem seguir a orientação de alguma metodologia de Gestão (Vasconcelos, 2024; Ismail, 2018a; Jakobi, 2017), a começar pelo planeamento estratégico, o que, por suposto, deveria ocorrer a partir dos auspícios da alta hierarquia das Potências: precisamos de uma LEP? Uma ou mais, quantas, aonde? Como as LEP se articulam à luz das directrizes, estratégias e objectivos já estabelecidos? É certo que irão agregar ou há a possibilidade de que aportem redundâncias, ruídos e mesmo atritos no ecossistema maçónico? Como organizá-las e assegurar (sem ferir a devida autonomia) que actuem em coordenação com as demais unidades do sistema organizacional, a exemplo das Secretarias de Ritualística? A propósito, devem mesmo actuar de forma consoante ou, nas LEP, o livre pensar e a crítica, inclusive a interna corporis, ainda que publicizada, assumem à primazia frente aos ordenamentos constituídos [4]? Como visto, são muitas as questões que podem(riam) ser levantadas. Entretanto, surpreendentemente não é o que revelam algumas, ou pelo menos as primeiras trajectórias:
- Spoladore (op. cit., p. 9), por exemplo, declara que
Uma vez decidido [por um grupo de Irmãos] que iria se fundar uma Loja de Pesquisas passou-se a escolha do nome […] No dia 15.03.1975 deu-se a fundação oficial da Loja. Oito Irmãos compareceram […] Após a fundação, precisávamos de uma Potência Maçónica para nos dar guarida […];
- já Bandeira (2016, p. 2), que após esclarecer que a criação do marco legal (a revisão da Constituição da Grande Loja do Estado da Paraíba) foi o estímulo que faltava para a criação da LEP Renascença, aponta que
A documentação exigida para o pedido de filiação à Grande Loja foi a esta encaminhada, vindo a surgir os primeiros tropeços com sectores da Administração […] O projecto dos estatutos da Loja, que se respaldou nos estatutos da Loja de Estudos e Pesquisas Brasil […] veio a ser rejeitado pela Grande Loja que apresentou um projecto substitutivo que, por sua vez, não foi aceito pelos membros da Loja. Estabelecido o impasse, o problema veio a ser equacionado com a junção de ambos os projectos, sendo aprovado os estatutos […] mesmo restando alguns pontos de divergência, sobre os quais a Loja permanece pugnando por sua aceitação […];
- finalmente, Pinheiro (2021, p. 98) relata que
Foi num ambiente descontraído, no Verão gaúcho (quando a maioria das Lojas Simbólicas está em recesso) e na praia de Cidreira, que ocorreram as primeiras e sucessivas reuniões que constituíram, pouco a pouco, o embrião do que viria a ser a LEP Universum […] Entre outros, participavam esses saraus literários-maçónicos, os Irmãos Kurt M. Hauser, Ailton P. T. Branco e Walnyr G. Jacques, a quem coube a coordenação das actividades que levariam à fundação da Loja em 15.05.1996 […].
Sobre a Dom Bosco 33 não foram encontrados os registros dos primeiros passos.
Por ora, o que mais ressalta no conjunto das citações acima? Salvo melhor juízo, a constatação de que a exemplo, mas por motivações distintas, a origem das primeiras LEP guarda semelhança com o que ainda hoje se verifica com as Lojas Simbólicas: o espírito empreendedor de alguns Irmãos combinado à iniciativa e à temperança de um ou mais líderes. Ao contrário do que sugere o bom senso frente a uma Organização já centenária e tentacular, a criação das LEP foi (ainda é?) um processo de “baixo para cima”, empírico e provavelmente carente de organização enquanto parte de um ciclo mais abrangente, o de gestão. Não dá para afirmar que tenha sido um processo voluntarista, mas surpreende constatar que decorrido um século da fundação, senão da Loja-mãe (Quatuor Coronati) [5], da Loja-inspiradora das demais LEP, as Potências não tenham se dado conta da importância da promoção do estudo e da pesquisa lastreada em evidências – “escola autêntica”, também referida como científica – senão por outros motivos, pela busca da excelência da docência maçónica. Em meio a esse vácuo e carência de iniciativas institucionais, tanto Spoladore quanto Bandeira destacam a existência, também por livre iniciativa, de uma estrutura precursora às LEP: os Centros de Estudos, grupamento menor, mais informal (sem Carta Constitutiva, sem ritualística, sem compromisso de publicação, etc.) e na maioria das vezes constituídos por integrantes de uma só Loja. Análogo aos Centros de Estudos, porém dedicado aos Altos Graus, maioritariamente aos detentores do Grau 33 ou já integrantes do Consistório do Rito Escocês Antigo e Aceito, há o Grupo Sapientia que já há mais de 10 anos, com autonomia e independência intelectual, ao abrigo da Grande Inspectoria Litúrgica do Rio Grande do Sul – 1ª Região – tem produzido e disseminado conhecimento maçónico.
As similaridades parariam por aí? De um lado, em razão do escamoteamento já referido, nada se pode afirmar, o que de imediato configura um problema de pesquisa que, se transformado em projecto, é provável que ao final instrua a partir de inúmeros recortes de perfil e informações lastreadas nos memoriais dos sujeitos-objectos do estudo. Todavia, do outro lado, dada a natureza recente do fenómeno e a julgar pela experiência pessoal, a hipótese inicial, a ser verificada, é de que as LEP ainda hoje, porque por muitos consideradas como da mesma espécie das Simbólicas, são geridas à sua imagem e semelhança; assim, não apenas são desperdiçados os potenciais e as especificidades das primeiras, como nestas são introduzidos os mesmos equívocos e vícios já incrustados na forma de “usos e costumes” nas Lojas Simbólicas. A título de evidência, para que esta introdução não se estenda em demasia, bem como para evitar constrangimentos com citações e referências, todos estão convidados a após a leitura de alguns textos veiculados pelos inúmeros canais maçónicos que hoje circulam no Brasil a fazerem as seguintes perguntas: o autor apresentou e debateu o tema à luz da “escola autêntica” ou se ateve à “escola achista, místico-esotérica e imaginativa”? O texto lido mais se assemelha a uma Peça de Arquitectura análoga às apresentadas nas Sessões Ordinárias e nas Lojas Simbólicas ou é efectivamente “diferenciado” em variados aspectos, a exemplo das características que distinguem a doxa vs episteme?
E já encaminhando às Considerações Finais, ainda que por ora sejam desconhecidos os primeiros passos da Dom Bosco 33, a citação a seguir sugere que a estrutura e o funcionamento das LEP, ao contrário do entendimento de alguns (herdado do simbolismo e por supostos compromissos de juramento), não guardam amarras inflexíveis com a tradição:
Com o passar dos anos, a “Dom Bosco” ganhou diferentes escopos, tendo sido responsável por desenvolver seminários presenciais, oferecer palestras às lojas da jurisdição, realizar pesquisas internas na GLMDF, dentre outros. E, nos últimos anos, seguindo a tendência da globalização maçónica, que tem impulsionado o intercâmbio e a democratização de conhecimento no meio maçónico, especialmente via Lojas de Pesquisa como a “Quatuor Coronati” e sociedades maçónicas de Pesquisa como a “Philalethes” e a “Masonic Society”, os membros da Loja de Pesquisas Dom Bosco decidiram trabalhar no mesmo sentido, abrindo as suas portas a todos os irmãos regulares interessados na cultura, estudo e pesquisa maçónicas [6].
Considerações finais
Conforme esclarecido, este texto, ao mesmo tempo que inicia uma nova série do autor e os seus eventuais futuros colaboradores, é também um convite àqueles que se propuserem a colaborar para a geração e a disseminação do conhecimento maçónico, em especial o produzido a partir das Lojas de Estudos e Pesquisas. Na sequência desta série serão retomados, para maior aprofundamento, alguns dentre os aspectos brevemente comentados acima, assim como aqueles também já anunciados, tudo sem prejuízo de qualquer outro que pela oportunidade ou pertinência ao tema mereça ser explorado. “Ao fim e ao cabo”, se pretende deixar claro que não é a denominação Loja de Estudos e Pesquisas, independentemente dos termos da Carta Constitutiva, que faz da Loja uma seguidora da Quatuor Coronati, e se não é para observar os preceitos, os usos e costumes da precursora, por que, então, não actuar (e se identificar) como um Centro (ou Grupo) de Estudos, evitando, assim, confundir os leitores?
Ivan A. Pinheiro
| M. M., Pesquisador Independente, e-mail: ivan.pinheiro@ufrgs.br. Porto Alegre-RS, 06.04.25. O autor não só agradece a leitura e as considerações do Irmão Lucas V. Dutra, Mestre Maçom do Quadro da ARLS Presidente Roosevelt, 75, Or. de São João da Boa Vista, jurisdicionada à GLESP – Psicólogo, Professor Doutor em Psicologia, Especializado em Maçonologia (UNINTER), e-mail: dutralucas@aol.com, como também reafirma a sua responsabilidade pelo conteúdo, erros e omissões remanescentes. |
Notas
[1] Achismo – fundamentação de uma ideia, de um conceito, de um julgamento apenas em palpite ou opinião subjectiva, sem qualquer outra base ou evidência. Disponível em: https://www.aulete.com.br/achismo#. Acesso em: 31.03.25.
[2] O argumento mais recente, discutível, em parte falacioso, está centrado nas determinações da Lei Geral de Protecção de Dados (LGPD), a Lei nº 13.709/2018.
[3] Claro, sempre alguém poderá, a partir de um episódio de excepção, “invalidar” a lista.
[4] Caso recente é a chamada “questão de género”.
[5] Não cabe aqui e no escopo desta série é de somenos importância a discussão sobre regularidade.
[6] Fonte: https://lojadepesquisas.com.br/sobre/. Acesso em: 05.04.25.
[7] Veículo de divulgação da LEP Renascença, nº 1, jurisdicionada à Grande Loja Maçónica do Estado da Paraíba.
[8] Veículo de divulgação da LEP Universum, nº 147, jurisdicionada à Grande Loja Maçónica do Estado do Rio Grande do Sul.
Referências bibliográficas
- BANDEIRA, Raimundo M. A. Um Esboço Histórico da Loja. O Buscador [7], Campina Grande – Paraíba, a. 1, n. 1, p. 01-4, Jan-mar, 2016. Também disponível em: https://www.gvaa.com.br/revista/index.php/OBuscador/article/view/5044/4303.
- ISMAIL, Kennyo. Uma Loja de Pesquisas para todos os brasileiros. Blog: No Esquadro. Disponível em: https://www.noesquadro.com.br/noticias/uma-loja-de-pesquisas-para-todos-os-brasileiros/. Publicado em: 01.11.18; acesso em: 31.03.25.
- ______ . O Livro do Venerável Mestre. Londrina-PR: A Trolha, 2018a. ISBN 978-85-7252-387-5.
- JAKOBI, Heinz R. Como Gerenciar uma Loja Maçónica. 5ª Ed. rev. e ampliada. Londrina-PR: A Trolha, 2017. ISBN 85-7252-363-9.
- PINHEIRO, Ivan A. A Maçonaria e o seu Ecossistema. Disponível em: https://www.freemason.pt/a-maconaria-e-o-seu-ecossistema/. Publicado em: 29.04.23; acesso em: 27.03.25.
- ______ . Loja de Estudos e Pesquisas (LEP) “Universum” – 25 anos: passado, presente e futuro. Edições “Universum” [8], Ed. Especial (Jubileu de Prata), p. 97-112, Mai., 2021.
- ______ . Qual o Papel de uma Academia Maçónica de Letras? In: Academia Maçónica de Letras, Ciências, Artes e Ofícios do GOB-BA – patronos. Salvador: Religare, 2021a, p. 119-27.
- ______ . Elementos para a Autocrítica e a Elaboração de Cenários Prospectivos no Contexto da Maçonaria Brasileira. In: MORAIS, Cassiano T. (Org.). Maçonaria – perspectivas para o futuro. Brasília-DF: CMSB, 2020, p. 95-134.
- SPOLADORE, Hercule. A Influência das Lojas de Pesquisas no Mundo. O Buscador, Campina Grande – Paraíba, a. 1, n. 1, p. 43-8, Jan-mar, 2016.
- VASCONCELOS, Mário. Gestão Maçónica Inspiradora. São Paulo: Novo Milénio, 2024.
