Freemason

Religação

✍️ Desconhecido 📅 26/10/2026 👁️ 8 Leituras

Deus e Adão, Religação

A Maçonaria fomenta o desenvolvimento de bons conceitos de vida em sociedade religação quando constrói a sensibilidade para com a dimensão mística religação que tira o homem da sua condição de simples predador da natureza.

Ao abraçar a alimentação Metafísica do homem no Deísmo, filosofia naturalista que crê na criação do universo por inteligência, a Maçonaria Especulativa cria meios para o homem se religar directamente, sem intermediários, ao Criador dos Mundos. O objectivo das religiões é intermediar a religação do homem com o divino, através do que obtém poder sobre os povos. O objectivo da Maçonaria não é acabar com as religiões, mas livrar o homem do obscurantismo e fanatismo de modo que possa evoluir em liberdade.

O Universo e a sua crescente complexidade é a definitiva prova de que existe um Princípio Criador inteligente que dota as criaturas de livre-arbítrio. Isto é suficiente para a busca do Maçom na religação com o divino. Tal posição é humilde e destituída do raciocínio de a Terra ser o centro do Universo e do Antropocentrismo, de o homem ser a única criatura eleita, predilecta e exclusiva da divindade.

O Princípio Criador revela-se nas leis da natureza e não se intromete na sequência de factos da natureza nem na vida da criatura. O tempo e os seus eventos correm por conta de leis fixas no inicio. O acto criativo leva em conta a mais ampla liberdade de cada criatura a tomar as suas próprias decisões e responder pelas consequências. O Princípio Criador apenas deu a partida e regulamentou os processos naturais e a correspondente evolução em graus de complexidade crescente.

No respaldo da Filosofia Deísta define-se que o homem que acredita numa divindade que interfere nos assuntos da natureza ou da criatura não é livre. Para promover a liberdade, a Grande Loja Unida da Inglaterra declara-se deísta. Todo o Maçom se alinha com esta filosofia quando na iniciação vê a Luz, a capacidade de usar o próprio entendimento sem a direcção de outro (do alemão Aufklärung, em português, Iluminação: Kant).

A Iluminação significa deixar de se arrastar submisso na confusão dos doces e fáceis dogmas revelados pela religião, onde Voltaire declara que na incapacidade “é mais fácil simplesmente aceitar as declarações oficiais”.

A postura isenta do Maçom com respeito à prova científica da existência de deuses leva-o a não ser qualificado adepto da Teologia Natural, parte da filosofia da religião que tenta provar a existência de deuses e os seus atributos. A Maçonaria não discute ou debate a este respeito porque não é do seu interesse ou competência.

A vantagem disto é o Maçom não ser qualificado “ateu natural”. Ele simplesmente não discute com teístas. É Deísta por opção até que se manifeste a Luz espiritual que revele a verdade neste aspecto. Fugir destas elucubrações de tentar explicar deuses pela razão ou em resultado de experiência é assunto que fica ao cargo das religiões teístas com a sua Teologia da Revelação.

O Maçom também não segue a Teologia Transcendental que exige a concepção racional a priori (Kant) ou a Filosofia Vedanta que mergulha na comprovação científica de deuses e conceitos.

A especulação maçónica normalmente não envereda no Eruditismo, ostentação ou mania de erudição tão comum nos meios intelectuais. O Maçom deixa de ser escravo do ego. Pratica a especulação filosófica maçónica e busca alcançar a Verdade. O Eruditismo esconde a religação através de complexos pensamentos e verbosidade ardilosa que mais confundem que esclarecem. O erudito religioso, em razão da crescente necessidade prosélita de domínio político, descarrega o seu fardo teológico carregado de dogmas inexplicáveis, complicados e recheados de Eruditismo proposital, de modo a definir exclusividade sobre as coisas divinas existentes naturalmente dentro de cada indivíduo.

A viagem do Maçom para dentro de si mesmo depara-se com a assinatura do Criador dos Mundos ao descobrir lá dentro um universo microscópico semelhante ao grande universo de fora. A manifestação divina está dentro da criatura e nunca teve necessidade de religação. A religação das religiões é geradora de massas de manobra para o vil sistema humano de domínio e exploração que esmaga o homem que não aprendeu a andar sem o entendimento de outro.

Aprender a andar com os próprios recursos exige aporte de imensa responsabilidade: primeiro para si mesmo e depois para aqueles que ainda não sabem caminhar pelo Universo sem a direcção de outros. Libertar o homem em sentido lato é a linha mestra da Filosofia Maçónica. A actividade religiosa implica na religação consigo mesmo, o que é absurdo: não há necessidade de religação.

Desligar o homem do Criador pelo pecado, gerando culpa, é interesse de poder das religiões. A manifestação divina está em todo lugar. Principalmente naquilo que se encontra presente dentro de toda criatura do Universo, o sopro de vida, o acto de amor que permite a percepção do universo pela inteligência. Tudo está interligado e dispensa religação. O Grande Arquitecto do Universo está em permanente ligação com as suas criaturas. É só aprender a andar! Deslocar-se livremente pelo universo e modificar aquilo que as leis naturais permitem.

Charles Evaldo Boller

Artigos relacionados