Freemason

Precisamos de razões para acreditar em Deus?

✍️ Desconhecido 📅 06/11/2022 👁️ 5 Leituras

Deus, deidade

O que é acreditar? É crer, ter como verdadeiro, estar convicto, não ter dúvidas, ter fé.

A verdade é lógica ou depende de sentimentos, da nossa formação psico-socio-educacional?

E a Razão? Certamente envolve regras lógicas de raciocínio!

Queremos amar ou acreditar? Devemos ter convicção lógica ou apenas sentirmos?

E o Amor: Sentimos? Acreditamos? Precisamos provar? É lógico ou é apenas uma virtude?

Necessitamos, enfim, de matemática, física, biologia ou de outras ciências para aprendermos a ter fé, convicção da verdade e amar?

Afinal, o que é Deus? Amor ou Ciência? Precisamos de provas, convicção, lógica ou postulados científicos para acreditarmos e provarmos a Sua existência?

O pesquisador Abraham Cressy Morrison, um antigo presidente da Academia de Ciências de Nova York, escreveu um trabalho teórico intitulado “Sete Razões Pelas Quais Um Cientista Acredita Em Deus” (“Seven Reasons Why a Scientist Believes in God” from Abraham Cressy Morrison).

Estas razões seriam (resumidamente, em tradução livre):

Primeira: através de leis matemáticas é possível provar, sem equívocos, que o nosso universo foi concebido e executado por um maravilhoso Engenheiro (ou Arquitecto).

Segunda: a engenhosidade da vida para levar a cabo os seus objectivos é uma manifestação de inteligência superior e omnipresente.

Terceira: a sabedoria animal aponta convincentemente para um Criador bondoso que colocou o instinto em pequenas criaturas que, de outra forma, seriam indefesas.

Quarta: o homem tem algo a mais que o instinto animal – o poder da razão.

Quinta: a essência da vida é revelada nas maravilhas da genética.

Sexta: o funcionamento da natureza leva-nos a aceitar que somente uma sabedoria infinita poderia ter previsto e preparado tudo com tamanha astúcia.

Sétima: o facto de que o ser humano possa conceber a ideia de Deus é, em si mesmo, uma prova.

Para cada uma das razões, o autor apresenta argumentos, sempre na intenção de fazer ver aos incrédulos a força mágica de uma inteligência inimaginável na consecução de desígnios muito bem determinados. A vida não poderia ser, enfim, apenas um jogo estatístico, uma sucessão de coincidências. Seria um projecto maravilhosamente bem estruturado de engenharia, de arquitectura.

Deus seria o escultor de todas as criaturas; um artista que projecta cada folha de cada árvore e colore cada flor; seria o músico que ensinou a cada pássaro cantar a sua canção de amor. Ou o químico sublime que deu gosto às frutas e às especiarias ou o perfume às rosas. O código genético é uma escrita divina. Causa emoção pensar que esta estrutura ultramicroscópica possa governar absolutamente toda a vida na Terra, e, por outro lado, permitir a evolução no seu mais amplo sentido. Aí está, pois, mais um exemplo da profunda astúcia que só poderia vir de uma Inteligência absolutamente Criativa.

A concepção de Deus vem de uma faculdade divina do homem, não existente no restante dos habitantes deste mundo – a imaginação. Por ela, o ser humano, e somente ele, é capaz de encontrar evidências de coisas despercebidas e invisíveis. A imaginação é uma incrível capacidade humana, que como uma máquina do tempo nos leva ao passado, ao presente ou ao futuro. Cria perspectivas, medos e recompensas. Basta fecharmos os olhos e imaginarmos o que quisermos.

Durante este processo imaginativo, se alguém abrisse a nossa cabeça e examinasse o nosso cérebro com o mais sofisticado dos instrumentos, jamais poderia captar tais imagens. Veria apenas, um amontoado de células num trabalho incessante. Seria como ver uma fábrica funcionando, sem poder ver o produto. Qual a relação do que ocorre nesta maravilhosa aglomeração de células e os nossos processos mentais? Deparamo-nos aqui, com mais uma subjectividade conceitual. Os nossos pensamentos e sentimentos são subjectivos. Só nós somos capazes de identificá-los em tipo e intensidade. Porém, essa dualidade, também nos permite acreditarmos, termos fé, amarmos, odiarmos, arrependermo-nos, enfim, termos tantos sentimentos confusos, separados ou misturados, cabíveis somente na estrutura mental dos seres humanos. Tudo isto seria unicamente produto da evolução?

A evolução psico-físico-social, ou seja, da forma de caminhar, de alimentar-se, de relacionar-se, de produzir tecnologia, etc., é até fácil de entender e aceitar, pois, é produto e busca da evolução da inteligência objectiva. Mas, como entender uma natureza que nada faz (nada mesmo!), sem um motivo determinado?

Pode-se aludir, por exemplo, que o instinto seja apenas mais um produto da evolução. A Cronobiologia diz que praticamente todos os seres vivos mostram algum tipo de oscilação no seu comportamento, nas suas funções orgânicas. Ao contrário do que se acreditava, essas oscilações não são meros reflexos das flutuações ambientais como a noite e o dia ou as estações do ano; representam,  isto sim, a actuação de mecanismos bem conhecidos como relógios biológicos, estruturas estas, identificadas em várias espécies na forma de agrupamentos de neurónios que são capazes de gerar ritmos.

Por outro lado, a Teoria do Caos poderia explicar tamanha precisão e astúcia, pois, factores insignificantes podem amplificar-se temporalmente de forma a mudar radicalmente o todo, produzindo ordem, mesmo em sistemas ditos caóticos. Por isto, utilizar pretensas verdades científicas pode não ser o melhor caminho para justificarmos sentimentos subjectivos, pois, eles dependem do nível do conhecimento daquele momento.

Portanto, este é o maior e mais angustiantes dos paradigmas que afligem o homem: buscar provar a relação entre o que sentimos, acreditamos e pensamos; quais seriam os nossos verdadeiros desígnios, o que nos motiva ou mesmo, o que nos justifica como seres e a nossa formação física, mortal, que é parte desta indescritível natureza. Por isto, buscamos nas estupendas obras desta natureza, o bafejar divino do Grande Arquitecto do Universo ou mesmo, uma razão para justificarmos a existência da própria vida.

Arvid Carlsson, prémio Nobel de Fisiologia e Medicina (2000), um dos principais defensores do conceito de neuro transmissão química no cérebro, afirmou no seu discurso ao receber o prémio:

Entretanto, há que se reconhecer que o cérebro não é apenas uma fábrica química, mas, uma máquina viva extremamente complexa”.

Podemos questionar sobre a natureza dos nossos fenómenos mentais.

O nosso cérebro produz pensamentos e sentimentos apenas como o pâncreas produz insulina? Ou independeria dele essa subjectividade?

Um dos temas actuais mais palpitantes em neurociências é saber “onde” estariam as redes neurais cerebrais que codificam a crença (ou a fé).

Alguns até apostam no lobo temporal, e tal convicção se fundamenta na religiosidade das pessoas que sofreram lesão nesta área. Trabalhos científicos enfatizam o facto de que alguns portadores de epilepsia do lobo temporal podem desenvolver religiosidade exacerbada. Assim, seria lícito supor – por mais absurdo que possa parecer – que existem áreas no cérebro cujos circuitos são especializados em fé ou apego religioso? É exactamente aí que se inicia a penumbra do nosso conhecimento. Que papel a evolução teria atribuído ao lobo temporal no controle das nossas crenças?

Usar a ciência para explicar a natureza e origem de fenómenos que ela mesma produz, é como girar em círculos. Ou seja, os fenómenos que se quer explicar cientificamente são aqueles que motivam a própria existência das ciências: elas só existem, porque estes fenómenos já existem na natureza e o ser humano vive da motivação da sua descoberta e da busca das suas explicações. Imaginemos, pois, o que aconteceria se tudo já viesse com um rótulo explicativo.

É científica e imaginativamente verdadeiro o que o Salmo 19 diz: “Os céus declaram a Glória de Deus e o firmamento as obras das Suas mãos”.

Estaria aqui e em todos os lugares o dedo de Deus? Ou tudo isto é apenas um produto da evolução? Seria a evolução uma concessão divina?

Afinal, voltamos aos questionamentos iniciais a respeito Dele, o Grande Arquitecto do Universo: devemos ser convencidos da Sua existência por argumentos, independentemente de quais sejam as suas origens e naturezas, ou devemos apenas senti-lo e amá-lo?

Como é difícil lidar com a subjectivamente dos sentimentos!

Logo, cada um de nós deve buscar as suas respostas!

Mas poder amar a Deus sobre todas as coisas é maravilhoso, muito humano e, especialmente, maçónico!

Walter R. Teixeira, M∴ I∴ – ARLS Palmeira da Paz nº 2121 – Oriente de Blumenau – GOB/SC – GOB

Artigos relacionados

Sugestões de Estudo