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Por que as Estátuas são de Bronze? (ou o medalhismo…)

✍️ Desconhecido 📅 14/05/2023 👁️ 5 Leituras

medalhismo

Buscando referências no site [1] para outro propósito, deparei-me com o texto do Irmão Denílson Forato, “Deslumbramento Maçónico[2] (2019); tanto o texto, como a escolha visual ilustrativa do editor, foram extremamente felizes.

Nesta pesquisa surgiram outros textos relacionados, alguns bastante animosos, que também cito na bibliografia [3][4][5][6][7] [8].

Então, fiz-me uma pergunta: por que tanto se escreve sobre temas como vaidade, soberba, deslumbramento, orgulho, arrogância e outros termos ou frases mais ou menos enfáticas, justamente num meio onde é imperativo afirmar e, aparentemente ensinar, justamente o contrário?

Perdoem-me, mas não vou tentar responder; seria longo, controverso e delicado; contudo, tenho uma convicção: apenas fazemos parte deste complexo mosaico que é o ser humano! E há que se cumprir a difícil tarefa de tentar entender.

E como não há vacina, resta-nos conhecer para alertar e prevenir – a melhor das medicinas.

muttley

Progredindo no raciocínio, confesso-vos ainda que, após a leitura dos textos referidos, me veio à lembrança, o personagem ficcionalMuttley”, obcecado por medalhas, que apareceu em 1968 na série “Corrida Maluca” onde era o fiel escudeiro canino do vilão da série, Dick Vigarista (Cartoon Network Studios/Hanna-Barbera, criado por Iwao Takamoto” – Wikipédiaclique também na imagem).

Mas chamando-me à realidade, perguntar-me-ia um possível leitor: o título não deve propor um caminho? Então, qual a relação? Por que tergiversar?

Poderia tentar responder baseado em recordações vagas de leituras rápidas, mas decidi “divertir-me” com uma das ferramentas que vêm, como sói acontecer com novidades tecnológicas, gerando preocupações e sentimentos controversos, o ChatGPT-OpenAI. Assim, satisfaria duas curiosidades: como conversar com um robô e a qualidade da resposta; desta forma vamos aprendendo por associação, mesmo o que parece não ter grande relação com o foco.

Resumidamente, meu interlocutor robótico explicou assim, os motivos do uso do bronze em estátuas:

  1. É um material durável, resistente à corrosão, suporta condições climáticas adversas e permanece relativamente intacto por tempo prolongado;
  2. Tem propriedades estéticas únicas, incluindo uma superfície lisa e brilhante que pode ser facilmente polida para criar detalhes finos e delicados;
  3. É um material maleável e moldável numa ampla variedade de formas e tamanhos, permitindo que os escultores criem obras de arte complexas e intrincadas;
  4. Sempre foi muito utilizado pelos antigos artesãos e escultores gregos, romanos, egípcios e etc., por ser amplamente disponível.

Mesmo considerando tudo isto muito adequado, quase científico, permaneceu a pergunta: será só isto que motivaria o seu amplo uso na área artística?

Continuei provocando-o e obtendo mais informações. Como diria um amigo sarcástico: foi o robô quem disse que:

“Além disso, o bronze era considerado um material nobre e precioso na antiguidade, o que tornava as estátuas de bronze um símbolo de status e poder. O processo de criação de uma estátua de bronze era complexo e exigia habilidade e experiência, o que significava que apenas os artesãos mais talentosos podiam produzir essas obras de arte”, possibilitando com isto, “a celebração de líderes e heróis.

Estamos aproximando-nos da ideia!

Para divertir-me um tanto mais, voltei a questionar meu interlocutor robô sobre a obsessão do Muttley e resumo:

Embora nunca seja explicado explicitamente por que Muttley é tão obcecado por medalhas, pode-se supor que essa característica foi adicionada para torná-lo mais engraçado e peculiar. Além disso, a obsessão de Muttley por medalhas pode ser vista como uma paródia da mentalidade competitiva exagerada que algumas pessoas têm em relação a desportos e outras actividades”.

Será que, na Maçonaria, poderia haver, então, uma competição interna em busca de poder, status, prestígio ou, usando de neologismos lexicais – inconsequentes, claro – “medalhismo” e “bronzecismo[9] [11]?

Afinal, optamos por “Medalhismo” ou “Bronzecismo”?

Vamos dar um salto e revelar o que realmente me fez tentar escrever este texto e interessar algum leitor desavisado, após deliciar-me com as contribuições do Irmão Forato e demais citados.

Nem imagino quantos irmãos médicos poderiam ter interesse de chegar até aqui, mas pensei, para provocar, colocar como subtítulo: “Dedicado aos Irmãos Médicos”. E explico …

Recentemente fui contemplado com um presente enviado por colega de profissão, não pertencente à Ordem: um texto acompanhado por um vídeo com título bastante preocupante e chamativo: “La Broncemia: Un mal que afecta cada vez más a los médicos”.

Como médico deve sempre ter curiosidade aguçada, franzi o cenho, preocupado, dediquei-me rapidamente à leitura do texto.

Aqueles que chegaram até este ponto e têm curiosidade, podem parar para ler o texto referência [9] e assistir ao sensacional vídeo do Dr. Francisco Occhiuzzi [9], pois é infinitamente mais interessante.

Minha única intenção é evoluir para uma releitura [10] (ou adaptação) do texto. Então, se continuarem curiosos…

O restante, foi só uma introdução; uma preparação mental para aceitá-la com a tolerância que é característica do Maçom.

Antes de continuar, devo dizer que releitura [10] é “a elaboração de uma obra tendo outra como base. É, literalmente, reler algo produzido por outra pessoa, adicionando novas técnicas, interpretações e contexto. Aqui cabe um parênteses bem importante: releitura [10] não é plágio. As duas coisas são, inclusive, praticamente opostas” [10].

Atentemos para o facto de que, no texto referência [9], não se utiliza o termo “Broncemia[9] num contexto médico explícito, apontando para uma condição médica rara, motivada por condições etiológicas específicas.

Ali fala-se, em geral, daqueles que sofrendo deste mal apresentarão delírios, cada vez mais organizados, que os fará imaginar e mesmo, terem convicção da sua extrema importância para o meio em que vivem, suficiente inclusive, para merecerem uma estátua de bronze no pátio principal da comunidade ou instituição onde exercem algum tipo de labor.

O “Bronzecismo[9] [11] seria uma intoxicação que ocorre de forma mais específica em meios onde, amiúde, se exalta o nível cognitivo dos escolhidos, permitindo, pois, o autoconvencimento de que são seres especiais próximos de atingir uma perfeição quase divina.

É doença insidiosa, que aparece sem pródromos ou antecedentes, manifestando-se com sentimentos característicos de soberba e arrogância, especialmente quando os candidatos a portadores detêm algum poder concedido pelo exercício de cargos considerados, mormente pelos próprios outorgados, como “importantes”, o que lhes permite fazer valer as suas “autoridades”, preferivelmente, sem contestações; é prevalente e de alto risco nesta população empoderada.

Quando instalada, apresenta um complexo sintomático cuja boa compreensão servirá, desde cedo, de alerta a observadores e, se possível, para o autodiagnóstico:

  1. A “Logorreia é considerada um sintoma primordial, onde a postura torna-se insita: fala erguido, parecendo estar permanentemente num púlpito, dirigindo-se à uma plateia de súbditos e admiradores embevecidos; monopoliza as reuniões e exaspera os presentes.
  2. A “Hipoacusia Interlocutória”, é um sintoma patognomónico e dos mais graves desta intoxicação; faz com que os portadores simplesmente não ouçam os seus interlocutores; convictos das suas importâncias e da veracidade das suas verdades, tornam-se insensíveis a qualquer tentativa de diálogo.
  3. O que chamaremos de “Evolução Direccional” é um estágio avançado e, portanto, muito grave da intoxicação; os portadores exibem uma atitude orgulhosa e arrogante; mostram-se de forma ostensiva, vaidosa e exagerada, tentando impressionar ou mesmo, intimidar os expectantes e humilhados “súbditos”, passando a “caminhar como um pavão”; ou seja, nem caminham, deslizam. Aqui, dificilmente, haverá alguma chance de tratamento! É terminal!

É, como dito, um processo evolutivo, podendo-se reconhecer fases, permitindo, quando a intoxicação é precocemente identificada, a abordagem terapêutica adequada e curativa.

A primeira fase, vamos denominar aqui de “Pedantismo[9] [11], quando ocorre uma acentuação do ego; modo pretensioso de agir de quem quer mostrar o que, na realidade, não é e não tem. Perdem, até mesmo, a capacidade de sorrir e de saudar os que o cercam; ou quando o fazem, seguramente não é com espontaneidade; há sempre, outras intenções; em geral é uma fase facilmente reconhecida e termina provocando um afastamento natural daqueles com quem convive, pois vão tornando-se insuportáveis.

Na segunda, a “Importantismo[9] [11], a intoxicação já compromete a medula e o cérebro, mudando o comportamento e iniciando os delírios; mostram-se indiferentes, insensíveis, com pouca afeição e com permanente julgamento crítico para com os seus consortes; ninguém faz nada direito; em seguida vem a marcha pavonesca característica (evolução direccional); fase ainda com bons recursos terapêuticos.

A terceira, já é fase terminal; chamada de “Imortalismo[9] [11], representa a crença de que já se tornou uma estátua de bronze e como tal se comporta; não aceita nada que não concorde! Afinal, é bronze e não um metal qualquer!

Não se espante, pois hoje é comum, quando temos uma condição com diversidade de sintomas e níveis de gravidade, adoptarmos o conceito de “espectro”; ou seja, poderão encontrar sintomas das várias fases num mesmo portador dificultando o diagnóstico; é evolucional e podem transformar-se numa das formas mais graves desta intoxicação, pela demora na identificação.

Meus irmãos, talvez seja demasiado insinuar que, nós maçons, possamos sofrer deste tipo de intoxicação, pois deveríamos ter mecanismos naturais de defesa.

Mas as enfermidades não costumam obedecer às nossas crenças e muito menos, aos nossos desejos; nem os médicos que deveriam ter facilidade em reconhecer sintomas estão incólumes, como mostra figurativamente o texto referência!

A única forma de a reconhecermos é ficarmos atentos aos primeiros sintomas; isto, aliás, vale para qualquer doença.

O “Bronzecismo[9] [11] pode encontrar, no meio maçónico, condições favoráveis ao seu desenvolvimento e tornar-se até mesmo, endémico; notadamente, entre os que, como abordado anteriormente, exercem cargos de “destaque” – que na Maçonaria deveriam ser entendidos como obrigação e dedicação, não, como brilho! Ferro e não Bronze!

Dado o pouco tempo e a baixa exigência técnica exigidos para a progressão nestes cargos, a fase “Importantismo” pode evoluir para uma verdadeira “acusia interlocutória[9], quando se fecham nas suas decisões monocráticas, impedindo qualquer diálogo racional. E, quase sempre, queremos apenas isto: conversar, extravasar as nossas angústias e insatisfações e negociar melhores caminhos.

Por formação, nós maçons, devemos introjetar, obedecer e aproveitar os ensinamentos seculares que nos são presenteados a cada sessão e a cada leitura, atentando-nos para possíveis manifestações deste tipo de intoxicação.

Primeiro e idealmente, com constante auto-análise, permitindo o autodiagnóstico e a consequente autocorrecção; ulteriormente, observando e buscando identificar sintomas alheios para poder alertar e ajudar no tratamento; infelizmente, nem sempre bem aceito!

Conhece-te a ti mesmo e conhecerás o universo e os deuses

(atribuído a Sócrates).

A única vacina é exercitarmos a espiritualidade, o humanismo, a dedicação aos irmãos e à Instituição, não por medalhas, estátuas, recompensas, interesses de conquistas ou para angariar simpatias para uso posterior na busca de ascensão na escada da vaidade, mas sim, como uma atitude de vida.

A identificação precoce desta grave condição é, concomitantemente, a única vacina e o melhor tratamento.

Walter Roque Teixeira, CIM 184.372 – ARBLS Palmeira da Paz nº 2121 – Oriente de Blumenau – GOB/SC – GOB

Bibliografia

[1] https://www.freemason.pt/

[2] https://www.freemason.pt/deslumbramento-maconico/

[3] https://www.freemason.pt/vaidade-e-arrogancia-profanos-de-avental/ (2018)

[4] https://www.freemason.pt/o-macom-vaidoso-e-arrogante/ (2019)

[5] https://www.freemason.pt/a-humildade-uma-reflexao/ (2019)

[6] https://www.freemason.pt/orgulho-vaidade-ira-meio-maconico/ (2019)

[7] https://www.freemason.pt/o-macom-vaidoso-e-arrogante/ (2021)

[8] https://www.freemason.pt/humildade-e-vaidade/ (2021)

[9] La broncemia – un mal que afecta cada vez mas a los medicos

[10] https://blog.clubedeautores.com.br/2020/10/releitura-de-textos-o-que-e-e-como-fazer.html

[11] https://gramaticaecognicao.com/sufixo-ismo/

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