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O paradoxo de Epicuro e o Grande Arquitecto do Universo

✍️ Desconhecido 📅 04/04/2025 👁️ 7 Leituras
Epicuro de Samos (em grego clássico: Ἐπίκουρος, Epikouros, "aliado, camarada"; 341 a.C., Samos - 271 ou 270 a.C., Atenas)
Epicuro de Samos (em grego clássico: Ἐπίκουρος, Epikouros, “aliado, camarada”; 341 a.C. – 271 ou 270 a.C.)

Epicuro de Samos foi um filósofo grego do período helenístico [1]. O seu pensamento foi muito difundido e numerosos centros epicuristas se desenvolveram na Jónia [2], no Egipto e, a partir do século I, em Roma, onde Lucrécio [3] foi seu maior divulgador.

Epicuro nasceu na Ilha de Samos [4], em 341 a.C., mas ainda muito jovem partiu para Teos, na costa da Ásia Menor. Quando criança estudou com o platonista Pânfilo por quatro anos e era considerado um dos melhores alunos. Certa vez ao ouvir a frase de Hesíodo, todas as coisas vieram do caos, ele perguntou: e o caos veio de que? Retornou para a terra natal em 323 a.C.. Sofria de cálculo renal, o que contribuiu para que tivesse uma vida marcada pela dor.

Epicuro ouviu o filósofo académico Pânfilo [5] em Samos, que não lhe foi de muito agrado. Por isso foi mandado para Teos pelo seu pai. Com Nausífanes de Teos [6] discípulo de Demócrito de Abdera [7], Epicuro teria entrado em contacto com a teoria atomista — da qual reformulou alguns pontos. Epicuro ensinou filosofia em Lâmpsaco, Mitilene e Cólofon até que em 306 a.C. fundou a sua própria escola filosófica, chamada O Jardim, onde residia com alguns amigos, na cidade de Atenas. Leccionou na sua escola até à morte, em 271 a.C., cercado de amigos e discípulos. Tendo a sua vida marcada pelo ascetismo, serenidade e doçura.

Na Divina Comédia [8], de Dante Alighieri [9], Epicuro é colocado no Inferno como um Herege. Ele está na 6º Prisão, junto com os seus seguidores, na cidade de Dite. A pena dos hereges é serem enterrados em túmulos ardentes e abertos, tendo os membros queimados pela areia quente.

O propósito da filosofia para Epicuro era atingir a felicidade, estado caracterizado pela aponia, a ausência de dor [física] e ataraxia ou imperturbabilidade da alma. Ele buscou na natureza as balizas para o seu pensamento: o homem, a exemplo dos animais, busca afastar-se da dor e aproximar-se do prazer. Estas referências seriam as melhores maneiras de medir o que é bom ou ruim. Utilizou-se da teoria atómica de Demócrito para justificar a constituição de tudo o que há. Das estrelas à alma, tudo é formado de átomos, sendo, porém de diferentes naturezas. Dizia que os átomos são de qualidades finitas, de quantidades infinitas e sujeitos a infinitas combinações. A morte física seria o fim do corpo [e do indivíduo], que era entendido como somatório de carne e alma, pela desintegração completa dos átomos que o constituem.

Desta forma, os átomos, eternos e indestrutíveis, estariam livres para constituir outros corpos. Esta teoria, exaustivamente trabalhada, tinha a finalidade de explicar todos os fenómenos naturais conhecidos ou ainda não e principalmente extirpar os maiores medos humanos: o medo da morte e o medo dos deuses. Naqueles tempos, Epicuro percebeu que as pessoas eram muito supersticiosas e se tinham afastado da verdadeira função das religiões e dos deuses. Os deuses, segundo ele, viviam em perfeita harmonia, desfrutando da bem-aventurança [felicidade] divina. Não seria preocupação divina atormentar o homem de qualquer forma. Os deuses deveriam ser tomados como foram em tempos remotos, modelos de bem-aventurança que servem como modelo para os homens e não seres instáveis, com paixões humanas, que devem ser temidos. Desta forma procurou tranquilizar as pessoas quanto aos tormentos futuros ou após a morte. Não há por que temer os deuses nem em vida e nem após a vida. E além disso, depois de mortos, como não estaremos mais de posse dos nossos sentidos, será impossível sentir alguma coisa. Então, não haveria nada a temer com a morte.

No entanto, a caminho da busca da felicidade, ainda estão as dores e os prazeres. Quanto às dores físicas, nem sempre seria possível evitá-las. Mas Epicuro faz questão de frisar que elas não são duradouras e podem ser suportadas com as lembranças de bons momentos que o indivíduo tenha vivido. Piores e mais difíceis de lidar são as dores que perturbam a alma. Estas podem continuar a doer mesmo muito tempo depois de terem sido despertadas pela primeira vez. Para estas, Epicuro recomenda a reflexão. As dores da alma estão frequentemente associadas às frustrações. Em geral, oriunda de um desejo não satisfeito.

Encontra-se aqui um dos pontos fundamentais para o entendimento dessa curiosa doutrina, que também foi tomada pelos seus seguidores e discípulos como um evangelho [10] ou boa nova, o equacionamento entre dores e prazeres.

Das 300 obras escritas pelo filósofo, restaram apenas três cartas que versam sobre a natureza, sobre os meteoros e sobre a moral, e uma colecção de pensamentos, fragmentos de outras obras perdidas. Estas cartas, com os fragmentos, foram coligidas por Hermann Usener [11] sob o título de Epicurea, em 1887, mas mais tarde descobriu ser de Leucipo para Hermann Diels [12] Pelas suas proposições filosóficas Epicuro é considerado um dos precursores do pensamento anarquista no período clássico.

A certeza

Segundo Epicuro, para atingir a certeza é necessário confiar naquilo que foi recebido passivamente na sensação pura e, por consequência, nas ideias gerais que se formam no espírito [como resultado dos dados sensíveis recebidos pela faculdade sensitiva].

O atomismo

Epicuro defendia ardorosamente a liberdade humana e a tranquilidade do espírito. O atomismo [13], acreditava o filósofo, poderia garantir ambas as coisas desde que modificado. A representação vulgar do mundo, com os seus deuses, o medo dos quais fez com que se cometessem os piores actos, é obstáculo à serenidade. Todas as doutrinas filosóficas, salvo o atomismo, participam dessas superstições. No sistema epicurista, os átomos se encontram fortuitamente, por uma leve inclinação na sua trajectória, que o faria chocar com outro átomo para constituir a matéria. Esta é a grande modificação em relação ao atomismo de Demócrito, onde o encontro dos átomos é necessário. A inclinação a que o átomo se desvia poderia ser por uma vontade, um desejo ou por afinidade com outro átomo. Precisamente este é o ponto fosco na teoria atómica de Epicuro.

Provavelmente tenha explicado melhor em alguma das suas obras perdidas. Certo é que este encontro fortuito dos átomos que garante a liberdade [se assim não fosse, tudo estaria sob o jugo da Natureza] e garante a explicação dos fenómenos, a sua elucidação, fazendo com que possam ser explicados racionalmente. Assim, ao compreender como opera a Natureza, o homem pode livrar-se do medo e das superstições que afligem o espírito.

O prazer

A doutrina de Epicuro entende que o sumo bem reside no prazer e, por isso, foi uma doutrina muitas vezes confundida com o hedonismo [14]. O prazer de que fala Epicuro é o prazer do sábio, entendido como quietude da mente e o domínio sobre as emoções e, portanto, sobre si mesmo. É o prazer da justa-medida e não dos excessos. É a própria Natureza que nos informa que o prazer é um bem. Este prazer, no entanto, apenas satisfaz uma necessidade ou aquieta a dor. A Natureza conduz-nos a uma vida simples. O único prazer é o prazer do corpo e o que se chama de prazer do espírito é apenas lembrança dos prazeres do corpo. O mais alto prazer reside no que chamamos de saúde. Entre os prazeres, Epicuro elege a amizade. Por isso o convívio entre os estudiosos da sua doutrina era tão importante a ponto de viverem na uma comunidade, o “Jardim”. Ali, os amigos poderiam se dedicar à filosofia, cuja função principal é libertar o homem para uma vida melhor.

O Desejo

Classificação dos desejos segundo Epicuro

  • Desejos naturais
    • Necessários
      • Para a felicidade [eudaimonia]
      • Para a tranquilidade do corpo [protecção]
      • Para a vida [nutrição, sono]
    • Simplesmente naturais
      • Variações de prazeres, busca do agradável
    • Desejos frívolos
      • Artificiais
        • Exemplo: riqueza, glória
      • Irrealizáveis
        • Exemplo: imortalidade

O que é Paradoxo?

Um paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é “o oposto do que alguém pensa ser a verdade”. A identificação de um paradoxo baseado em conceitos aparentemente simples e racionais tem, por vezes, auxiliado significativamente o progresso da ciência, filosofia e matemática.

A etimologia da palavra paradoxo pode ser traçada a textos que remontam à aurora da Renascença [15], um período de acelerado pensamento científico na Europa e Ásia que começou por volta do ano de 1500. As primeiras formas da palavra tiveram por base a palavra latina paradoxum, mas também são encontradas em textos em grego como paradoxon [entretanto, o Latim é fortemente derivado do alfabeto grego e, além do mais, o Português é também derivado do Latim romano, com a adição das letras “J” e “U”]. A palavra é composta do prefixo para-, que quer dizer “contrário a”, “alterado” ou “oposto de”, conjugada com o sufixo nominal doxa, que quer dizer opinião. Compare com ortodoxia [16] e heterodoxo [17].

Na filosofia moral, o paradoxo tem um papel central nos debates sobre ética. Por exemplo, a admoestação ética para “amar o seu próximo” não apenas contrasta, mas está em contradição com um “próximo” armado tentando activamente matar você: se ele é bem sucedido, você não será capaz de amá-lo. Mas atacá-lo preemptivamente ou restringi-lo não é usualmente entendido como algo amoroso. Isso pode ser considerado um dilema ético. Outro exemplo é o conflito entre a injunção contra roubar e o cuidado para com a família que depende do roubo para sobreviver.

Deve ser notado que muitos paradoxos dependem de uma suposição essencial: que a linguagem [falada, visual ou matemática] modela de forma acurada a realidade que descreve. Em física quântica, muitos comportamentos paradoxais podem ser observados [o princípio da incerteza de Heisenberg, por exemplo] e alguns já foram atribuídos ocasionalmente às limitações inerentes da linguagem e dos modelos científicos. Alfred Korzybski [18], que fundou o estudo da Semântica Geral, resume o conceito simplesmente declarando que, “O mapa não é o território”. Um exemplo comum das limitações da linguagem são algumas formas do verbo “ser”. “Ser” não é definido claramente [a área de estudos filosóficos chamada ontologia ainda não produziu um significado concreto] e assim se uma declaração incluir “ser” com um elemento essencial, ela pode estar sujeita a paradoxos.

O Paradoxo de Epicuro

A Sentença

“Se Deus é omnipotente [19], omnisciente [20] e benevolente [21], então o Mal [22] não poderia continuar existindo”.

A Explicação

Para Deus e o Mal continuarem existindo ao mesmo tempo é necessário que Deus não tenha uma das três características:

  • Se for omnipotente e omnisciente, então tem conhecimento de todo o Mal e poder para acabar com ele, ainda assim não o faz. Então Ele não é Bom.
  • Se for omnipotente e benevolente, então tem poder para extinguir o Mal e quer fazê-lo, pois é Bom. Mas não o faz, pois não sabe o quanto Mal existe , e onde o Mal está. Então Ele não é omnisciente.
  • Se for omnisciente e Bom, então sabe de todo o Mal que existe e quer mudá-lo. Mas isso elimina a possibilidade de ser omnipotente, pois se o fosse erradicava o Mal. E se Ele não pode erradicar o Mal, então porquê chamá-lo de Deus?

Roberto Aguilar M. S. Silva, M.M. – ARLS Sentinela da Fronteira, n°53, Corumbá, MS (Academia Maçónica de Letras de Mato Grosso do Sul) – Brasil

Notas

[1] Designa-se por período helenístico [do grego, hellenizein – “falar grego”, “viver como os gregos”] o período da história da Grécia e de parte do Oriente Médio compreendido entre a morte de Alexandre o Grande em 323 a.C. e a anexação da península grega e ilhas por Roma em 147 a.C.. Caracterizou-se pela difusão da civilização grega numa vasta área que se estendia do mar Mediterrâneo oriental à Ásia Central. De modo geral, o helenismo foi a concretização de um ideal de Alexandre: o de levar e difundir a cultura grega aos territórios que conquistava. Foi naquele período que as ciências particulares tiveram o seu primeiro e grande desenvolvimento. Foi o tempo de Euclides e Arquimedes. O helenismo marcou um período de transição para o domínio e apogeu de Roma. Durante o período helenista foram fundadas várias cidades de cultura grega, entre elas Alexandria e Antioquia, capitais do Egipto ptolemaico e do Império Selêucida, respectivamente.

[2] Jónia ou Jónia [Ιωνία, em grego] era uma região da costa sudoeste da Anatólia, hoje na Turquia. Ficava entre Mileto e Fócia, e era banhada pelo mar Egeu [e não pelo mar Jónico, como se pode pensar].

[3] Titus Lucretius Carus [ou Tito Lucrécio Caro, na forma portuguesa], poeta e filósofo latino que viveu no século I a.C.. Ele nasceu em 94 a.C. e viveu 44 anos. Ele ficou louco ao tomar uma poção do amor, mas, no intervalo entre os acessos de loucura, compôs vários livros, que foram editados por Cícero.

[4] Samos [em grego: Σάμος] é uma ilha grega no leste do mar Egeu, localizada entre a ilha de Quios ao norte e o arquipélago das Ilhas Egeias do Norte [norte do Dodecaneso] ao sul e em particular a ilha de Patmos e na costa da Turquia, em que foi formalmente conhecida como Jónia. O seu nome em turco é Sisam. Faz parte do Egeu Setentrional.

[5] Pânfilo [século I d.C.] foi um gramático grego, pertencente à escola de Aristarco da Samotrácia. Ele foi o autor de um dicionário compreensivo, em 95 tomos, sobre palavras estrangeiras e obscuras, sendo tal trabalho creditado a outro gramático, Zopírio, o compilador dos primeiros quatro tomos da obra. O trabalho não chegou aos nossos dias, mas um epítome de Diogeniano [século II d.C.] formou a base do dicionário de Hesíquio.

[6] Filósofo grego da escola atomista nascido em Teos, Magna Grécia, lembrado por ter sido um dos principais discípulos de Pirro de Elida [365-275 a. C.], fundador de uma escola filosófica, o cepticismo, uma doutrina prática, também conhecida como pirronismo, e mestre de Epicuro de Samos [341-270 a. C.], este ligado ao atomismo e fundador da filosofia materialista que celebrava o hedonismo e a paz, o epicurismo. As informações sobre a sua vida não chegaram aos nossos dias não por biografias próprias, mas através das biografias de Pirro e Epicuro da autoria de Diógenes Laércio [225-300]. Inicialmente discípulo de Pirro, como Hecateu de Abdera e Timon de Flius [320-230 a. C.], depois tornou-se o mestre de Epicuro, mas é certo que houve um grande deterioramento nas relações do mestre com o discípulo. Epicuro dizia nas suas cartas, que o grego de Teos se excedera, dizendo ter sido seu mestre, e chamou-o de estúpido, iletrado e prostituta. O certo é que o que ele escreveu se perdeu no tempo, porém entre os seus escritos constou que a sua obra principal foi Trípode, conforme informação de Diógenes Laércio, biógrafo grego da filosofia pré-nissénica nascido na Cilícia, o mais conhecido dos antigos biógrafos dos filósofos da Antiguidade.

[7] Demócrito de Abdera [em grego: Δημόκριτος, Dēmokritos, “escolhido do povo”] [cerca de 460 a.C. – 370 a.C.] nasceu na cidade de Abdera [Trácia], e é tradicionalmente considerado um filósofo pré-socrático. Cronologicamente é um erro, já que foi contemporâneo de Sócrates e, além disso, do ponto de vista filosófico, a maior parte das suas obras [segundo a doxografia] tratou da ética e não apenas da physis [cujo estudo caracterizava os pré-socráticos].

[8] A Divina Comédia [em italiano: Divina Commedia, originalmente Comédia, mais tarde baptizada de Divina por Giovanni Boccaccio] é um poema de viés épico e teológico da literatura italiana e da mundial, escrita por Dante Alighieri, e que é dividida em três partes: Inferno, Purgatório e Paraíso. O poema chama-se “Comédia” não por ser engraçado mas porque termina bem [no Paraíso]. Era este o sentido original da palavra Comédia, em contraste com a Tragédia, que terminava, em princípio, mal para os personagens. Não há registro da data exacta em que foi escrita, mas as opiniões mais reconhecidas asseguram que o Inferno pode ter sido composto entre 1304 e 1307-1308, o Purgatório de 1307-1308 a 1313-1314 e por último o Paraíso de 1313-1314 a 1321 [esta última data fecha com a morte de Dante].

[9] Dante Alighieri [Florença, 1º de Junho de 1265 — Ravenna, 13 ou 14 de Setembro de 1321] foi um escritor, poeta e político italiano. É considerado o primeiro e maior poeta da língua italiana, definido como il sommo poeta [“o sumo poeta”].

[10] Os Evangelhos são um género de literatura do cristianismo primitivo que contam a vida de Jesus, a fim de preservar os Seus ensinamentos ou revelar aspectos da natureza de Deus. O desenvolvimento do Canon do Novo Testamento deixou quatro evangelhos canónicos, que são aceitos como os únicos evangelhos autênticos para a maioria dos cristãos.

[11] Karl Hermann Usener [23 de Outubro de 1834 – 21 Outubro de 1905] foi um estudioso alemão nas áreas da filologia e religião comparativa.

[12] Hermann Alexander Diels [Biebrich, Wiesbaden, 18 de Maio de 1848 — Dahlem, Berlim, 4 de Junho de 1922] foi um filólogo, helenista e historiador da filosofia alemão que coligiu todos os documentos e fragmentos antigos que se referiam à vida e à doutrina dos chamados filósofos pré-socráticos – ou que continham alguma citação deles. O resultado desse esforço foi a sua colossal obra Os fragmentos pré-socráticos [Die Fragmente der Vorsokratiker], que se tornou referência básica para os subsequentes trabalhos de interpretação crítica sobre os pré-socráticos.

[13] Atomismo é uma filosofia natural que se desenvolveu em diversas tradições antigas. Na tradição ocidental, ele remonta à teoria dos filósofos da antiguidade que propuseram a existência de inúmeras e minúsculas partículas sólidas – átomos – que não podiam ser cortados. Os principais filósofos atomistas foram Leucipo de Mileto, Demócrito de Abdera, Epicuro de Samos e Lucrécio. O mundo em constante transformação era explicado como a reorganização incessante dos átomos imutáveis em diferentes formas. Até o químico Dalton em 1800 d.C. esta teoria praticamente não evoluíra. A principal contribuição do atomismo para a actualidade foi o facto de buscar explicar os fenómenos pela emergência, isto é, desenvolver um modo de pensar que se desvencilha da teleologia.

[14] O hedonismo [do grego hedonê, “prazer”, “vontade”] é uma teoria ou doutrina filosófico-moral que afirma ser o prazer o supremo bem da vida humana. Surgiu na Grécia, e importantes representantes foram Aristipo de Cirene e Epicuro. O hedonismo filosófico moderno procura fundamentar-se numa concepção mais ampla de prazer entendida como felicidade para o maior número de pessoas.

[15] Renascimento, Renascença ou Renascentismo são os termos usados para identificar o período da História da Europa aproximadamente entre fins do século XIII e meados do século XVII, mas os estudiosos não chegaram a um consenso sobre essa cronologia, havendo variações consideráveis nas datas conforme o autor. Seja como for, o período foi marcado por transformações em muitas áreas da vida humana, que assinalam o final da Idade Média e o início da Idade Moderna. Apesar destas transformações serem bem evidentes na cultura, sociedade, economia, política e religião, caracterizando a transição do feudalismo para o capitalismo e significando uma ruptura com as estruturas medievais, o termo é mais comumente empregado para descrever os seus efeitos nas artes, na filosofia e nas ciências. Chamou-se “Renascimento” em virtude da redescoberta e revalorização das referências culturais da antiguidade clássica, que nortearam as mudanças deste período em direcção a um ideal humanista e naturalista.

[16] A Ortodoxia inclui quaisquer posições, opiniões, padrões ou doutrinas oficiais ou vigentes que uma determinada instituição, organização ou sociedade formulou, aceita e defende. Pode-se dizer que a ortodoxia é a manutenção e defesa do status quo.

[17] Heterodoxia [do grego heterodoxos, “de opinião diferente”] inclui “quaisquer opiniões ou doutrinas que discordem de uma posição oficial ou ortodoxa”. Como adjectivo, heterodoxo é usado para descrever um assunto como “caracterizado por desvio de padrões ou crenças aceites” [status quo].

[18] Alfred Korzybski [Varsóvia, Polónia, 3 de Julho de 1879 – Lakeville [Connecticut], EUA, 1 de Março de 1950], foi um filósofo conhecido por ter desenvolvido a teoria da semântica geral.

[19] Omnipotência designa a propriedade de um ser capaz de fazer tudo. É comum a utilização deste termo para designar o poder de Deus, nas religiões judaica, cristã e muçulmana. Na mitologia grega era atribuída aos deuses criadores [primordiais], junto da Omnisciência e Omnipresença. A omnipotência é um dos atributos incomunicáveis do ser divino. Diz-se incomunicável, pois refere-se a um atributo constituinte da natureza mesma de Deus, diferente dos chamados “atributos comunicáveis”, tais como amor, sabedoria, santidade, os quais podem ser comunicados e compartilhados pelas suas criaturas.

[20] Omnisciência é a capacidade de saber tudo infinitamente [ad infinitum], incluindo pensamentos, sentimentos, vida, passado, presente, futuro, e todo universo, etc. A omnisciência é um conceito vastamente aplicado nas artes, como na literatura e em produções cinematográficas. Na maioria das religiões monoteístas esta habilidade extraordinária é tipicamente atribuída a um único Deus supremo, onde o conceito da omnisciência se mantêm tradicionalmente como uma verdade absoluta [i.e. no cristianismo e no islamismo].

[21] Bem [do latim bene] é a qualidade de excelência ética que leva a uma melhor compreensão do amor, da irmandade, da humildade e da sabedoria. Um conjunto de boas acções favorecem na conscientização sobre a existência, tanto do ponto de vista material quanto espiritual.

[22] A ideia de mal geralmente se refere a tudo aquilo que não é desejável ou que deve ser destruído. O mal está no vício, em oposição à virtude.

Bibliografia

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