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O Oriente de Israel e suas doze oficinas

✍️ Desconhecido 📅 02/02/2023 👁️ 5 Leituras

doze tribos de israel

Desta forma falou o Senhor a Moisés, estando o povo de Israel acampado em Madian, na base do Monte Horeb, também conhecido como Sinai:

Fazei recenseamento de toda a congregação dos filhos de Israel pelas suas famílias e as suas casas, e nomes de cada um dos varões, dos vinte anos para cima e de todos os homens fortes de Israel; e contá-los-eis pelas suas turmas, tu e Aarão. E estarão convosco os chefes das tribos e das casas nas suas gerações.” [1]

Ora, eram em doze o número de tribos que formavam o povo de Israel, organizados a partir dos filhos de Jacob, que cerca de quatro séculos antes tinham emigrado da Palestina para o Egipto. Eram eles conhecidos pelos nomes de Rubem, Simeão, Judá, Issacar, Zebulon, José, Levi, Benjamin, Dan, Asser, Gad e Neftali. Depois de purgado dos seus pecados e reconstituído na Aliança com o Senhor, o povo de Israel prosperou e o seu número aumentou grandemente, de sorte que, ao ser promovido o primeiro recenseamento, foram contados seiscentos e três mil e quinhentos homens em condições de serem iniciados naquele que seria o Grande Oriente de Israel [2].

Os membros da tribo de Levi, entretanto, não foram contados entre os números daqueles que poderiam ser admitidos em Loja, porque a eles foi incumbida a tarefa de cuidar do Tabernáculo (Templo itinerante do povo de Israel), e todos os seus adereços e utensílios. Aos levitas, portanto, foi dada a honra de constituírem a classe sacerdotal, ou seja, aquela dentro da qual seriam escolhidos os sacerdotes oficiantes do culto, mas não o Sumo-Sacerdote, ou seja o Grão-Mestre do Grande Oriente de Israel, pois este título cabia a Moisés, e ele o manteve até ao dia em que Israel, tendo-se organizado para atravessar o Jordão e lutar pela posse das terras palestinas, nomeou o seu sucessor na pessoa de Josué [3].

Assim foi organizado o Grande Oriente de Israel, formado pelas Doze Oficinas dos hebreus dispersos no deserto, onde os membros eram separados por origem tribal e dentro de cada tribo, por graus de ocupação. Os que tinham menor instrução eram postos nas tendas dos que serviam, os que tinham profissões, nas tendas dos artífices, e os que tinham mais instrução nas tendas que ensinavam e administravam. E para cada uma das Oficinas foi nomeado um príncipe a título de Mestre Geral, auxiliado por dois supervisores.

Esta disposição é inferida a partir da organização dada aos acampamentos dos israelitas no deserto. Pela descrição que a Bíblia nos dá desta organização é possível perceber que as tribos foram distribuídas estrategicamente para formar uma grande Loja, coberta por todos os lados, e em condições de marchar unânimes, como um grande corpo, em direcção a um objectivo. Assim, as tribos de Judá, Issacar e Zebulon assentaram os seus acampamentos no Oriente, Rubem, Simeão e Gad, no Meio-Dia, Efrain (tribo de José), Manassés e Benjamim, no Ocidente, Dan, Asser e Naftali no setentrião. E no centro, levando o Tabernáculo e os seus adereços, os levitas [4].

Aos irmãos que conhecem de facto as disposições de um templo maçónico estas informações não parecerão estranhas, pois é justamente nesta linguagem mística que se assentam os alicerces do templo maçónico. E é nesta metáfora do conhecimento arcano que está justificada a alegoria de que o templo maçónico é o modelo do universo retratado num edifício. Pois na sua marcha em busca de um território onde pudesse assentar o seu povo, Israel não visava apenas a construção de um estado político e social, mas sim a confecção de um protótipo do reino de Deus sobre a terra, que pudesse servir de modelos para todos os povos do mundo [5]. Esta é a noção que serve à Maçonaria enquanto ideal filosófico e prática de vida.

João Anatalino Rodrigues

Notas

[1] Génesis, 1: 1-4

[2] Números, 1: 44 a 46

[3] Números, 47ª 54.

[4] Números, 2; 3 a 30

[5] Esta tese também é defendida por Israel Finkermam e Neil…, na sua obra “A Bíblia não Tinha Razão”, na qual estes estudiosos sustentam que o povo de Israel é originário da própria Palestina e a saga bíblica foi uma epopeia criada pelos cronistas do rei Josias (para dar à história de Israel um carácter de grandiosidade que justificasse a ocupação da Palestina.

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