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O excesso de informação – neurose maçónica

✍️ Desconhecido 📅 08/04/2024 👁️ 6 Leituras

excesso informação

Inicio o presente texto destacando a frase atribuída ao médico e físico suíço Paracelso, verbis:

a diferença entre o remédio e o veneno é a dose

Com o surgimento das redes sociais e o compartilhamento imoderado de textos, posts, “trabalhos” etc.; nós maçons enfrentamos uma a epidemia de excesso de informação, na qual paradoxalmente, o mais prejudicado é o conhecimento.

A internet (redes sociais) duplicam, triplicam e as vezes quadruplicam as informações, não é incomum recebermos o mesmo trabalho ou post “maçónico” em diversos grupos e várias vezes. O “Bode” transformou-se em papagaio, alguns irmãos só compartilham, não pensam ou reflectem.

O maior desafio do “Maçom moderno” é conseguir lidar com a avalanche de bits: são trabalhos, anuários, “pílulas”, calendários e etc.; cujo mérito, ou seja, o acerto ou desacerto, não é objecto do presente texto, que são enviados e compartilhados excessivamente.

Faz indispensável então, que nós maçons no exercício das nossas liberdades respeitemos a proporcionalidade e moderação, que além de fixar a proibição do excesso, na sua outra dimensão veda a insuficiência de protecção ao conhecimento maçónico.

Na construção de “Grande Obra” impõe-se reconhecer a proporcionalidade como postulado maçónico autónomo. Assim, antes de postar (algo raro, já que pouco se produz) ou compartilhar, faz-se necessário aferir a existência de proporção entre o objectivo perseguido pelo grupo, qual seja, incentivar o conhecimento, a reflexão e o ónus imposto à todos os irmãos daquele ambiente virtual, ou seja, faz-se necessário analisar a necessidade e a adequação da divulgação do que se propõe.

O que se verifica são os “efeitos colaterais”; irmãos ansiosos, publicações em “grupos errados”, irmãos saindo de grupos, textos sendo deletados, não lidos, administradores de grupos nervosos e etc. Parece mesmo uma “competição” de quem compartilha mais, isso, quando não se propaga as chamada “fake news“, tanto sociais, económicas, políticas e maçónicas.

A “Era da Informação” parece ter pego alguns irmãos de surpresa, a quantidade de informação disponível e acessível é insuportável. Antes, alguns irmãos não sabiam que não sabiam, todavia, agora, sabem que não sabem, e isso tem gerando uma sensação de frustração e incapacidade que aos poucos, poder-se-á transformar em ansiedade.

É impossível (pelo menos para os normais) ler, colectar, reflectir e transformar tais “posts” em informação/conhecimento, ou seja, são inúteis e fazem mal. Informação e conhecimento não são sinónimos de sabedoria.

Esta enxurrada de informação fez surgir neologismos da era do excesso de informação:

  • Cybercondríacos: são a versão digital dos hipocondríacos.
  • Dataholics: pessoas “viciadas em informação”.
  • Bulimia informacional: expressão que caracteriza a necessidade compulsiva pela colecta de informações.
  • Obesidade informacional resultado da bulimia informacional, a obesidade refere-se ao excesso de informação desnecessária ou pouco relevante.

Infelizmente, alguns irmãos são “tudólogos” (especialistas em tudo) são especialistas em coronavírus, economia, direito, saúde, política, segurança, administração pública, Maçonaria, ritos, rituais, símbolos e etc., sabem de tudo, a todos impõe-se assim, a moderação e o reconhecimento que há temas cujos conteúdos exigem conhecimento académicos, técnicos e científicos, o simples “achar” ou não concordar não é bastante para esta certo ou discordar daqueles que são técnicos na área, afinal “o que sabemos é uma gota, o que não sabemos um oceano”.

Séculos atrás, o filósofo político francês Montesquieu defendeu a ideia que nós seres humanos se acomodamos melhor no meio do que nos extremos, é melhor então adoptarmos uma conduta de maior reflexão, mais estudos e menos exposição, menos achismo, menos compartilhamento.

Platão ressaltou tanto a importância e a dificuldade da moderação em “A República”, onde ele a definiu como a virtude que nos permite controlar ou mitigar as nossas paixões, emoções e desejos. Por sua vez, Aristóteles, na sua “Ética a Nicómaco”, a definiu como como um meio entre dois extremos e insistiu que “um mestre em qualquer arte evita o excesso e a imperfeição”, sempre procurando “o intermediário” que preserva a ordem e a liberdade em qualquer sociedade maçónica ou não. Tácito a chamou de “a mais difícil lição da sabedoria”, enquanto Horácio ligou moderação à doutrina do meio termo e ao equilíbrio.

A moderação enquanto virtude maçónica deve ocupar um lugar de destaque na tradição maçónica e no mundo moderno, onde ela é há muito tempo entendida, ao lado da prudência, como uma “virtude capital”. Logo, a moderação não se mostra incompatível com a razoabilidade e proporcionalidade que deve ditar o agir do Maçom.

Nesta pandemia de informações a moderação é a virtude suprema do Maçom. Ela não é simplesmente o meio-termo entre dois extremos. Ela traz em si aspectos relacionados ao carácter: a moderação como prudência, temperança, autoconhecimento e autocontrole, e ainda um marco específico de acção política, faz oposição ao extremismo, ao fanatismo e a qualquer excesso, mesmo o de informação.

Os maçons (moderados) estão conscientes da validade relativa das suas próprias convicções maçónicas, filosóficas, técnicas e políticas e da sua sabedoria imperfeita.

Marcelo Artilheiro

Fonte

  • https://artilheiro7.wixsite.com/

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