Rito Brasileiro RS

MAÇONS, AS VÍTIMAS ESQUECIDAS DO NAZISMO.

✍️ noreply@blogger.com (Eduardo Lecey) 📅 20/10/2017 👁️ 7 Leituras

Existiram Lojas Maçônicas em campos de concentrações Nazista?

Sim  existiram, mas com toda certeza a mais conhecida delas foi a Liberté Chérie, que em uma tradução livre do Francês quer dizer "Cara Liberdade".


A maçonaria é um lugar aonde podemos nos confortar e renovarmos as nossas energias, mesmo nos momentos mais difíceis de nossa vida, bem como nos auxiliar a procurar o conhecimento e a força de vontade para lutarmos por um mundo melhor, dando prioridade a Liberdade, a Igualdade e a Fraternidade.


A Loja Maçônica "Liberté Chérie" foi criada dentro do barraco no 6 do Campo de concentração de Esterwegen em 1943.

Durante o período dominado pelos Nazistas na Alemanha e em outros países, os Maçons foram perseguidos, mortos ou enviados aos campos de concentrações como prisioneiros políticos e forçados a usar um “Triangulo Vermelho Invertido”.

Sendo por este o motivo pelo qual ele aparece no estandarte desta Loja, junto com as cores tradicionais dos uniformes dos campos de concentração Nazistas. 

O que conta a história, é que quatro Mestres Maçons (F. Rochat, J. Sugg, G. Hanson e P. Hannecart) se reuniam no barraco de nº 6 depois de maio de 1943 e começaram a organizar a Loja. As Sessões Maçônicas, com redação de Balaustres e discussões Maçônicas, ocorriam porque os Sacerdotes Católicos davam cobertura às sessões.
No Barraco 6 os fiéis eram muito mais numerosos e domingo de manhã se reuniam na parte inferior do dormitório para a missa. Os Maçons também se beneficiavam do encontro e enquanto as pessoas estavam na missa, com armários que separando os dos demais, sentindo se relativamente isolados os Maçons podiam fazer suas sessões.

Porém, em breve com a chegada de novos Irmãos, o circulo fraternal se transformaria na Loja Maçônica "Liberté Chérie" no Barraco 6.

As chegadas e partidas se sucediam e em meados de Outubro de 1943 chegava à Esterwegen: 

• Luc Somerhausen (1903-1982) Jornalista, iniciado na Loja  Action et Solidarité.

Como ele era bastante experiente e sabia como fazer para criar a futura Loja Liberté Chérie , então escreveu os estatutos. Em comunicado, ele obtém o reconhecimento oficial pelo Grande Oriente da Bélgica como " Liberté Chérie ".

• Joseph Degueldre (1904-1981) médico, membro da Loja "Travail" em Verviers e membro do Exército Secreto. Ele está sentado à mesa 2 com um grupo de combatentes da resistência de sua região, mas participa das sessões no
domingo de manhã.

• Amédée Miclotte (1902 - 1945) Professor, membro da Loja " Verdadeiro Amigos da União e Progresso." Ele chegou em Esterwegen em 22 de novembro de 1943.
Este é o de número 7, que permite a criação da Loja e o seu reconhecimento na segunda metade de novembro de 1944.

Dois a três meses mais tarde, bem depois da Loja ter sido criada, chegou ao campo de concentração dois outros Maçons:

• Em 7 de Fevereiro de 1944, Jean Baptiste de Schryver (1903-1945), Coronel, um membro da Loja "Liberté" de Gand, Bélgica.

• Em 18 de Março de 1944 Henry Story (1897-1944), diretor de banco e membro da Loja "Septentrion" também de Gand Bélgica.

Fernand Erauw (1914-1997) Director-auditor no Tribunal de Contas, será iniciado na Loja  Liberté Chère no Campo de Concentração de Esterwegen.
Assim os membros fundadores foram Rochat, Sugg, Hannecart, Hanson, Somerhausen, Degueldre et Miclotte. De Schrijver e Story chegaram bem depois da fundação da Lodge não foram considerados membros fundadores, mas apenas membros.

Fernand Erauw será iniciado pouco antes de Luc Somerhausen ser enviado para o extermínio, em 22 de fevereiro de 1944.

A Loja Liberdade Chérie criada no Campo de Concentração de Esterwegen em 1943 permanecerá sempre na memória de todos os Maçons.


Paul Hanson foi eleito Venerável Mestre. Os irmãos se reuniam no Barraco 6 em torno de uma mesa. Um padre católico fazia pregações aos outros fiéis do Barraco, para que os irmãos poderiam realizar suas reuniões e seu sigilo protegido.

Luc Somerhausen descreveu a iniciação de Erauw como uma cerimônia muito simples. Nas sessões eram praticados rituais bastante simplificados (a cujo sigilo eles pediram à comunidade de padres católicos que iam ao Campo de Concentração).

Após a primeira sessão ritual, com a admissão do novo irmão, outras sessões foram preparadas tematicamente. Uma delas foi dedicado ao símbolo do Grande Arquiteto do Universo, outra ao "O futuro da Bélgica", e mais uma sobre "A posição das mulheres na Maçonaria".

Um monumento, criado pelo arquiteto Jean de Salle, foi levantada pelos belgas e alemães maçons no sábado, dia 13 de novembro de 2004. Ele agora faz parte do monumento, do Cemitério de Esterwegen. 


Apenas Somerhausen e Erauw sobreviveram e a Loja encerrou seus trabalhos no início de 1944. Foram mortos mais de 200 mil maçons pelos Nazistas, o holocausto de seis milhões de seres humanos, não foi apenas para os Judeus.

Uma ótima indicação de leitura sobre o tema

Foram também mortos Poloneses, Eslavos, Ciganos, Homossexuais,  Prisioneiros de Guerra, Deficientes físicos e mentais, além de todo e qualquer pessoa que fizessem oposição ao sistema de regime Nazista, com certeza os Maçons podiam se enquadrar em duas ou mais das possibilidades citadas acima. A seguir escultura em homenagem aos Irmãos da Loja "Liberté Chérie".




Vamos encerrar esta matéria neste Blog, citando as palavras da opera "O Profeta" de Giacomo Meyerbeer:

"Esclaves et vassaux, il y a beaucoup de temps de genoux... Levez-vous, levez-vous, levez-vous ! Ressuscités à la vie! " ("Escravos e vassalos, há muito tempo de joelhos... Levante-se! Levante-se! Levante-se!. Ressuscitem para a vida!” 


Vale a pena falar sobra a Miosótis, esta pequena flor, que tem em sua história as palavras "Não me esqueças", ou  "Do not forget me", ou ainda em Alemão "Vergiss mich nicht" e foi usada na lapela disfarçadamente para os Irmãos se reconhecerem.

Miosótis

O que mais importa, é que dentro das fileiras dos militares, que lutaram para acabar com a tirania, em suas colunas, existiam Irmãos Maçons Americanos, Ingleses, Franceses, Poloneses, Australianos e Brasileiros entre outras nacionalidades, desde um simples soldado, passando por oficiais, comandantes, presidentes e até membros da realeza.

Bibliografia e Imagens:

  • Roberto Aguilar Silva de Corumbá no Mato Grosso do Sul, ARLS Sentinela da Fronteira;
  • Joel Canto Filho publicado no Blog Filhos de Hiram;
  • https://pt.wikipedia.org/wiki/Holocausto
  • https://www.diarioadonhiramita.com.br/2017/a-maconaria-na-alemanha-nazista
  • https://www.ushmm.org/ Museu do Holocausto

 Texto sintetizado por Eduardo Lecey, 

imagens dos sites já citados e de pesquisa no Google.

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