MAÇONARIA E IGREJA: IRMÃS NA FÉ
“Supliquei e o espírito da sabedoria veio a mim. Eu a preferi aos cetros e tronos (...), todo o ouro e prata diante dela serão tidos como lama. Eu a amei mais do que a saúde e a beleza.” (Livro da Sabedoria, 7,7-10)
A Maçonaria e a Igreja Católica são, sem dúvida, as duas instituições mais antigas da história da humanidade. Ambas pregam a libertação dos vícios e a busca da virtude, além da crença inabalável num Pai Celestial, que nos guarda e protege, e nos auxilia pelas veredas da existência. Mas, as semelhanças entre elas não se resumem a isto.
Não é por acaso que, a idade do aprendiz é o mesmo tempo usado no ministério de Jesus na Terra. E o último grau do Rito Escocês é a mesma idade de Cristo quando crucificado.
Se olharmos com atenção, veremos inúmeros atos, gestos, ritos e cargos hierárquicos que são similares nas duas casas de perfeição.
Estando numa Missa Solene, podemos observar que esta, se parece, e muito, na sua configuração, com uma Sessão Magna maçônica. Ambas usam velas, altares, incensos e orações. Vejamos mais alguns pontos:
A começar pelos paramentos, a Estola é um objeto de uso litúrgico, sem o qual o sacerdote não pode celebrar o Santo Sacrifício. O avental é o símbolo do trabalho para o maçom, sem ele não podemos adentrar ao Templo. A túnica usada pelo padre também se assemelha com o nosso “balandrau”.
A Sala dos Passos Perdidos tem a mesma função do pátio da Igreja, onde as conversas informais e diversas do cotidiano podem fluir. Já o Átrio do templo maçônico corresponde à sacristia da Catedral, local aonde os sacerdotes se vestem, e é considerado uma extensão do templo.
Na formação do templo maçônico, o Oriente corresponde ao Presbitério católico. A nave central de uma catedral é similar ao Ocidente para os maçons. As passagens laterais, junto com as bancadas, representam as colunas do Norte e do Sul.
Na Missa Solene, o Bispo tem o poder de um Grão-Mestre. Os padres seriam os vigilantes. Os seminaristas presentes, os acólitos e ministros são as dignidades e oficiais.
A abertura dos trabalhos são os ritos iniciais, com o sinal da cruz. O Livro da Lei está posto nas duas oficinas. Nos altares, as primeiras orações são feitas pelos fiéis ou obreiros.
Na Ordem do Dia e Tempo de Estudos, três leituras bíblicas, além do Salmo são minuciosamente explicados, para o engrandecimento da alma.
O Tronco de Solidariedade, momento de partilha, recebe as doações no ofertório. O seu produto servirá para a manutenção das casas e para a beneficência.
Na Palavra a Bem da Ordem, antes da benção final, o sacerdote dá as últimas comunicações.
Entre um ato e outro o mestre de harmonia na Sessão ou o organista na Missa providencia as melodias apropriadas para a Egrégora perfeita.
No Encerramento dos Trabalhos, tudo transcorrido justo e perfeito, retornamos às nossas casas com o espírito renovado, após o Venerável mestre dizer “retiremo-nos em paz”, ou o sacerdote: “vamos em paz e que o Senhor nos acompanhe”
Aqui não se pretendeu igualar a Sessão Maçônica à Santa Missa, pois, seria no mínimo blasfêmia. A santa Eucaristia é insubstituível. O que se quis foi mostrar as claras semelhanças entre os dois tipos de culto.
Nosso Ritual diz que: “O pavimento mosaico, simboliza a união de todos os maçons do globo; a imagem do bem e do mal de que está cheio o caminho da vida”.
Na Bíblia Cristã está escrito: “Olha que hoje ponho diante de ti a vida com o bem e a morte com o mal. (...) Escolhe, pois, a vida, para que vivas com a tua posteridade”. (Dt 30,15-19).
Mesmo com certa desconfiança com que parte da Igreja Católica enxerga a Maçonaria ao longo dos séculos, nós caminhamos juntos com os mesmos objetivos: escolher o bem e a vida. E por serem instituições divinas, formadas por homens, elas sempre existirão enquanto o houver o gênero humano.
Ir∴ Wellington Lopes de Albuquerque M∴M∴
Oriente de Palmeira dos Índios-AL.
