Intolerância vs. Fraternidade
Na abertura dos trabalhos o V∴ M∴ pergunta por que nos reunimos em Loja , e o 1° Vig∴ responde prontamente:
“Para combater a tirania, a ignorância, os preconceitos e os erros e glorificar o Direito, a Justiça e a Verdade. Para promover o bem-estar da Pátria e da Humanidade, levantando templos à virtude e cavando masmorras ao vício”.
Ao longo do tempo, a tirania subjugou nações; homens e mulheres foram privados da liberdade pelos seus semelhantes e foram transformados em mão-de-obra escrava.
O fanatismo caminha de mãos dadas com a ignorância. A intolerância religiosa e política fizeram, e continuam fazendo, milhões de vítimas no curso da história da humanidade.
Nas sábias palavras do filósofo francês Denis Diderot:
“Do fanatismo à barbárie não há mais do que um passo”.
Milhões de seres humanos pereceram nas mãos de fanáticos, em nome de uma suposta raça pura. Nações guerreiam em sangrentas batalhas religiosas em defesa de um Deus, nas inúmeras denominações que Ele recebe, apesar de ser único.
Apesar de não sermos tiranos ou fanáticos, mas pela nossa própria imperfeição, ainda não conseguimos livrarmo-nos inteiramente do germe da intolerância. No entanto, devemos lutar incessantemente no combate a este vício.
Tolerar não é ser submisso, conforme prescreve o adágio: “Tolerandum quod non estmutandum”, ou seja, deve-se suportar o que não se pode mudar.
Ao cavar masmorra à intolerância, estamos encarcerando o fanatismo e, consequentemente, a ignorância. A tolerância deve ser praticada ao longo da nossa vida, não apenas maçónica, mas no nosso dia-a-dia. Assim, estamos contribuindo para a melhoria dos relacionamentos, primeiramente na célula “matter”, que é a família, expandindo-se para a Comunidade até atingirmos a população global. Isto parece ser uma utopia, algo inatingível, mas se não agirmos, se não dermos o primeiro passo, não iniciaremos a jornada rumo ao nosso objectivo, que é promover o bem-estar da humanidade.
A falta de compreensão entre as pessoas e a desunião dos povos das diversas nações têm gerado o desamor. A paz e a felicidade só poderão ser resgatadas através da fraternidade.
Mas o que é Fraternidade?
Os conceitos de Fraternidade são amplos e de fácil compreensão, porém nem sempre são fáceis de colocar em prática. Fraternidade é harmonia, paz, unir esforços em busca de objectivos salutares em prol da sociedade.
A palavra é eventualmente confundida com a expressão caridade e solidariedade, embora elas tenham significados diversos. Fraternidade significa a união de seres que possuem o mesmo objectivo, sendo que para atingi-los, não percorrem nem sempre o mesmo caminho, mas juntos trocam conhecimentos para o bem geral, e no nosso caso, tratando-nos como irmãos, buscando o bem estar pessoal e geral.
Fraternidade significa, na sua essência, e nas palavras do Grande Mestre da Galileia:
“Ama aos outros como te amas a ti mesmo”.
A abertura do L∴ da L∴ marca o início dos trabalhos em Loja, pois o acto, embora simples é solene, e de grande importância, pois simboliza a presença efectiva da palavra do G∴ A∴ D∴ U∴ . Com a leitura do Salmo 133, notamos claramente a união existente entre os II∴ e a luz da virtude fraterna sendo irradiada a todos.
“Oh, como é bom, como é agradável para irmãos unidos viverem juntos (…)”
A união entre os irmãos é uma garantia de prosperidade, sob a condição de que tudo venha do alto, do rico ao pobre, daquele que pode ofertar para o necessitado, como o perfume que se expande pelas vestes, como o orvalho que desce da montanha.
Além da fraternidade, a nossa Sublime Instituição encontra-se também apoiada numa coluna chamada Solidariedade, e é através deste sentimento que nos unimos, em espírito, a outros II∴. No entanto, ainda que exaltada dentro da Ordem, a solidariedade não deve ser praticada apenas dentro do universo maçónico e deixada de lado na vida profana.
Infelizmente o que observamos no nosso dia-a-dia, são pessoas prestando solidariedade apenas diante de catástrofes e gerada pela comoção colectiva. Sem tirar o mérito do socorro prestado pelas pessoas solidárias com o infortúnio do próximo, no entanto, devemos exercer a virtude da solidariedade incessantemente, proporcionando um pouco de conforto, seja material ou espiritual, àqueles que necessitam.
A solidariedade tem por escopo principal o fortalecimento moral daqueles enfraquecidos pelas vicissitudes ocorridas na vida. Nós Maçons devemos ser solidários para com os nossos II∴, pois temos interesses e responsabilidades recíprocas, e para com os profanos, pelo princípio da igualdade existente entre todos.
Primeiramente devemos estar robustecidos para que possamos prestar solidariedade ao próximo, em benefício de toda a sociedade. Assim como os elos unidos de uma corrente a tornam forte.
O mundo animal dá-nos grandes exemplos de solidariedade. Como as abelhas, cada qual com o seu trabalho específico, trabalham em prol da colmeia. Ainda podemos citar a viagem migratória das aves que voam em forma de “V”, para assim reduzir o desgaste físico daqueles que vêm atrás, e que depois, mais descansados, assumirão a frente, proporcionando descanso ao líder.
Nos nossos relacionamentos, muitas vezes sentimo-nos constrangidos pela impossibilidade de não podermos transformar em acções as nossas vontades de ajuda ao próximo. Talvez, um II∴ que necessite de um tratamento médico especializado e sentimo-nos impotentes em ajudá-lo, apenas o apoiamos moralmente. Ou um sobrinho, que com a saúde debilitada precisa tratamento hospitalar e, entretanto, com o coração arrebentado, impotentes, não podemos realizar nada de concreto.
Não devemos esmorecer perante as dificuldades. Devemos fortalecer-nos diante dos obstáculos e transpô-los, fazendo da solidariedade a linha mestra da nossa conduta, quer no universo Maçónico, quer no mundo profano.
A virtude da solidariedade não deve ser praticada de forma isolada, mas exercida conjuntamente por todos II∴, tornando mais leve o fardo a ser carregado.
Concluindo, pela sabedoria proveniente do Or∴, do Trono de Salomão, irradiada pelo V∴ M∴, pela força da perseverança do 1° Vig∴ e pela beleza representada pelo 2° Vig∴ as três CCol∴ simbólicas de sustentação da Loja, levantaremos templos à solidariedade e a todas as demais virtudes, durante a nossa passagem efémera por esse plano a caminho do Or∴ Eterno.
Paulo da Costa Caseiro
Fontes
- Internet – sites
- Manual do Aprendiz Maçom.
- Simbolismo do Primeiro Grau – Rizzardo da Camino.
- Bíblia Sagrada
- Dicionário de expressões em latim
- Meditações – Marco Aurélio – Texto Integral – Ed. Martin Claret
