Guia dos Altos Graus
Prefácio
Ao tentar fazer um esboço dos vários graus da Maçonaria num livro com esta descrição, deparo-me com muitas dificuldades, entre as quais a de escrever de uma forma interessante sobre graus que muitos dos meus leitores não frequentaram, sem revelar mais do que é permitido.
Uma das minhas razões para escrever este livro é encorajar a Irmandade a fazer estes “Graus Avançados”. Continuamos a encontrar Irmãos que dizem que não há nada para além da Maçonaria Simbólica que valha a pena fazer. Como alguém que tirou todos os graus para os quais está qualificado, posso afirmar por experiência pessoal que, com uma ou duas pequenas excepções, praticamente todos os graus são do maior valor.
Naturalmente, os meus leitores devem ter em mente que um Irmão tira da Maçonaria na proporção do que traz para ela. Se ele se aproxima dela com uma mente intelectual aguçada, baseada numa quantidade razoável de estudo do significado do simbolismo, ele naturalmente aprenderá muito mais do que se ele se aproximar dela meramente do ponto de vista de um homem que conhece um bom jantar quando come um, e não se importa com o significado das cerimónias que ocorrem na sala da Loja.
Para concluir, devo expressar a minha dívida para com os Srs. Toye & Co. pelo empréstimo dos blocos que ilustram este livro.
Levantamento histórico.
A história inicial dos chamados “Graus Superiores” é ainda mais obscura do que a do Ofício e, em consequência, cresceu uma tendência para os considerar como “fabricados” durante o século XVIII.
Na minha opinião, esta é uma conclusão demasiado precipitada, pois alguns destes diplomas têm todos os indícios de antiguidade e contêm a sabedoria que foi transmitida de geração em geração.
O terceiro grau prefigura claramente um grau subsequente, no qual os segredos perdidos serão finalmente recuperados, de facto, sem tal grau, todas as cerimónias do Ofício não teriam sentido. Além disso, como mostraremos mais tarde, os Graus Superiores mais importantes usam Sinais de grande antiguidade, que foram claramente transmitidos desde os dias antigos, exactamente da mesma forma que os nossos Sinais da Maçonaria Simbólica, dos quais foram dadas provas completas no Manual de História. Existem também provas documentais que demonstram que as lendas de alguns destes graus eram bem conhecidas pelos nossos antepassados medievais, e foram efectivamente incorporadas nas Old Charges. Como, por exemplo, os dois pilares que foram erguidos antes do dilúvio, sobreviveram a esse dilúvio e foram posteriormente redescobertos por pedreiros. Esta lenda constitui o tema do 13º grau do Rito Antigo e Aceito (Ancient and Accepted Rite) que se chama o Arco Real de Enoque (Royal Arch of Enoch).
As primeiras referências impressas a qualquer um dos Graus Superiores são ao Arco Real, em 1741, e à Ordem Real da Escócia, em 1743, quando esta se encontrava num estado de saúde tão vigoroso que tinha uma Grande Loja Provincial em Londres, com pelo menos dois Capítulos sob o seu controlo.
Os Graus Superiores parecem dividir-se em três grupos principais:
- Aqueles que estendem a história dos Simbólicos;
- Aqueles que pretendem restaurar os Segredos perdidos; e
- Os Graus de Cavalaria.
No que respeita ao primeiro grupo, duas tendências parecem ter estado em acção durante o século XVIII. Uma é a de cortar dos graus Simbólicos várias partes da lenda, e a outra é a de alargar certos incidentes referidos nas histórias dos graus Simbólicos, acrescentar pormenores pitorescos, e desenvolver a partir deles um novo grau. A minha convicção é que a raiz de quase todos os Graus Superiores vem de tradições e lendas apreciadas pelos nossos predecessores medievais.
Não há dúvida de que todos os nossos rituais, incluindo os dos graus Simbólicos, foram objecto de uma revisão considerável durante o século XVIII. No caso dos Graus Simbólicos, uma quantidade considerável de excisão foi necessária devido à alteração da cláusula na constituição que mudou a Maçonaria de uma base cristã para uma base não-cristã. Este processo de excisão de todas as referências cristãs não foi concluído até à altura do Tratado de União, em 1813, e um exemplo para Inglaterra será suficiente. Dunckley, na segunda metade do século XVIII, declarou que a Estrela Resplandecente (Blazing Star) significava a estrela de Belém que guiou os sábios até ao Menino Jesus. Na Escócia, até hoje, ainda sobrevive uma referência distinta ao Cristo nos Graus Simbólicos, pois o Volume da Lei Sagrada é aberto pelo Director de Cerimónias com uma citação do versículo inicial do evangelho de São João, “No princípio era o Verbo” – enquanto a Loja é encerrada com a seguinte citação da mesma fonte, “E o Verbo estava com Deus”. Ora, isto indica claramente a existência de uma explicação cristã dos Segredos perdidos que, embora já não seja aceite nos Graus Simbólicos em Inglaterra, sobrevive em graus como o Rosa Cruz (Rose Croix).
Vemos assim que tudo o que era cristão foi eliminado dos graus inferiores, e isso explica a provável origem de alguns dos Graus Superiores. Ao mesmo tempo, o estilo geral dos nossos Rituais de Ofício foi alterado. Aparentemente, nos primeiros tempos, o papel do candidato durante a cerimónia era relativamente pequeno, e a maior parte do trabalho consistia em palestras, sendo algumas partes de perguntas e respostas, enquanto outras continham várias lendas relacionadas com a Ordem. Gradualmente, surgiu a tendência de fazer com que o candidato tomasse um papel mais activo e dramático na cerimónia e, para isso, começaram a ser eliminadas as lendas e os incidentes que não se relacionavam imediatamente com o tema principal. Estas partes eram apreciadas pelos membros mais velhos e, em vez de as verem perecer, transformaram-nas em Graus secundários, e não temos razão para supor que inventaram os Segredos para acompanhar estes graus. Actualmente, na Ordem Real da Escócia, a maior parte da cerimónia consiste em perguntas e respostas colocadas pelo Venerável Mestre aos Vigilantes, e inclui a apresentação de Sinais em certos pontos do catecismo, os quais, no entanto, não são especificamente ensinados ao candidato. Sem dúvida, quando partes semelhantes foram cortadas e se tornaram graus cristãos, os Sinais acompanharam-nas e, naturalmente, tornaram-se testes para provar que um Irmão tinha obtido esse novo Grau Secundário, que, no entanto, era na realidade muito antigo.
Um exemplo característico de um grau que foi cortado de um grau artesanal existente é a Marca, que era quase certamente parte da cerimónia de um Companheiro de Ofício, embora sem dúvida tenha sido ampliado desde que começou a sua carreira independente. Por outro lado, alguns dos graus intermédios do REAA, tais como os Cavaleiros Eleitos de Nove, são meramente amplificações de incidentes dispensados em poucas palavras na cerimónia dos graus simbólicos. Os Cavaleiros Eleitos de Nove relatam de forma dramática a detenção de um dos criminosos.
A uma ordem completamente diferente pertencem graus como o Arco Real, a Ordem Real da Escócia e o Rosa-Cruz. Cada um deles, à sua maneira, afirma ser o grau completo, no qual os segredos perdidos são descobertos. A explicação no caso dos dois últimos é cristã, no caso do Arco Real não-cristã, enquanto a sua sobrevivência indica a existência de duas tradições diametralmente opostas. Os Graus Cristãos representam a solução proposta nos tempos medievais, enquanto que o Arco Real, embora agora sobreposto com matéria judaica retirada do Antigo Testamento no século XVIII, tem ainda dentro de si traços de uma tradição que remonta aos tempos pré-cristãos, e claramente vem em parte do Egipto, e em parte da Índia.
O terceiro grupo afirma continuar o ensinamento das Ordens Cavalheirescas da Idade Média, e contém evidências de uma tradição mística que não era inteiramente ortodoxa. Um exemplo característico destes graus são os Cavaleiros Templários.
No que diz respeito a estes Graus Cavalheirescos, pode, à primeira vista, parecer difícil justificar a pretensão de um grémio de construção de estar ligado, de alguma forma, à mais orgulhosa Ordem de Cavalaria que se conhece na Idade Média, mas aqueles que apressadamente afastam esta tradição ignoram certas características salientes da organização Templária. Os Templários tinham pelo menos três secções, ou sub-ordens, dentro das suas fileiras, ou seja, os Cavaleiros propriamente ditos, os Sacerdotes Templários e os chamados Irmãos Servidores, entre os quais se encontravam alguns pedreiros.
Quando a Ordem foi suprimida, milhares de Cavaleiros escaparam à perseguição geral e simplesmente desapareceram da história. Como é que o fizeram, e o que é que lhes aconteceu? A explicação mais razoável é que eles se disfarçaram como Irmãos Servidores e Irmãos Leigos do Templo, e foram protegidos por esses membros mais humildes da sua própria Ordem, que escaparam inteiramente da perseguição. Já me debrucei longamente sobre esta questão em “A Maçonaria e os Deuses Antigos”, e, portanto, contentar-me-ei em dizer aqui que houve, sem dúvida, uma ligação entre a Maçonaria e os Templários, o que é bastante suficiente para explicar uma sobrevivência parcial dos Ritos Templários entre a Irmandade Maçónica. Os Templários tinham certamente um ensinamento místico muito semelhante ao consagrado na Maçonaria, e vestígios dele podem ainda ser detectados nos actuais rituais dos Cavaleiros Templários, apesar de terem sido consideravelmente revistos no último meio século.
O Grau de Marca
Aqueles dos meus leitores que já estudaram os três primeiros Manuais desta série perceberão que os verdadeiros Segredos de um Mestre Maçom não lhes são restaurados. O verdadeiro Segredo que se perdeu foi a compreensão da Natureza de Deus, e o nosso Terceiro Grau indica muito claramente que, apesar das crenças populares, não seremos capazes de compreender Deus assim que morrermos. Os graus Simbólicos, em suma, conduzem-nos através do nascimento, vida e morte, e mostram os lados Criativo, Preservador e Destrutivo da Deidade. A maioria dos outros graus ou trata do que acontece a um homem depois da morte, ou tenta explicar, ou preencher, certas lacunas naquela narrativa histórica que é a base alegórica dos Graus Simbólicos.
O grau de Marca pertence em parte a este último grupo, e é na realidade a conclusão do Segundo Grau. Inquestionavelmente, um Irmão deve receber sua Marca quando se torna um Companheiro de Ofício, e o grau em si ainda mostra forte influência operativa.
É governada pela Mark Grand Lodge, que se reúne e tem os seus escritórios no Temple em Great Queen Street, ao lado do Connaught Rooms. Todos os que amam os Graus Superiores têm uma dívida de gratidão para com a Mark Grand Lodge, que tem actuado como Fada Madrinha de muitos dos Graus Superiores que ficaram retidos após o Tratado de União em 1813. De facto, em muitos casos tomou-os mais ou menos sob a sua asa, e em consequência teremos de nos referir repetidamente ao facto de que o Grande Corpo que governa um determinado grau tem a sua Sede no “Mark Mason’s Hall”.
O Grau de Marca tem os seus próprios paramentos e uma jóia especial, e talvez os nossos Irmãos mais jovens fiquem contentes com o aviso de que, com excepção do Arco Real, nenhuma jóia do Grau Superior pode ser usada numa Loja Azul
A jóia do Grau de Marca consiste numa pedra-chave, geralmente feita de cornalina branca, na qual estão gravadas certas letras místicas, cujo significado é revelado aos membros do Grau. É suspensa por uma fita azul e vermelha. Os aventais e as golas são também feitos de seda azul e vermelha.
O ensinamento deste Grau é em grande parte uma amplificação do Segundo, e fala de educação e recompensa pelo trabalho. Ele também contém um aviso dramático contra a tentativa de obter salários aos quais não temos direito, e há uma sugestão messiânica no facto de “Que a pedra que os construtores rejeitaram se tornou a pedra angular da esquina”. Aliás, a pedra é uma pedra angular, daí a origem da jóia do grau. Vários factos levam-nos a suspeitar que, em determinada altura, o Grau pode ter sido mais pronunciadamente cristão do que é hoje. Sabemos que ele floresceu já em 1760 em Lojas ligadas aos Antigos, que eram inquestionavelmente fortemente pró-cristãos.
A lenda, tal como agora apresentada, refere-se a um período da construção do Templo anterior à tragédia, embora haja abundantes evidências que mostram que, já na altura da formação da Grande Loja de Marca, em 1856, muitas Lojas de Marca no Norte tinham uma lenda algo semelhante à agora usada, mas associavam-na ao segundo Templo em vez de ao primeiro.
A Marca, portanto, faz, ou deveria fazer, realmente parte do nosso sistema de Maçonaria Especulativa, e na Escócia as Lojas Simbólicas ainda têm o poder de o conferir, e fazem-no constantemente. Nesse país, é uma qualificação necessária para o Mestre Excelente que, por sua vez, é uma qualificação essencial para o Arco Real. Referir-nos-emos mais detalhadamente ao Excelente Mestre quando chegarmos ao Arco Real, mas é desejável salientar que na Escócia os Capítulos do Arco Real têm também o direito de conferir o Grau de Marca, se um candidato não o tiver já obtido na sua Loja Simbólica.
A Marca, como já dissemos, é a conclusão do Segundo Grau, e contém em si o que são praticamente dois graus, nomeadamente, Marca de Homem e Mestre de Marca. Tem havido muita controvérsia erudita sobre se a Mestre de Marca foi outrora conferida a um homem assim que ele recebia o seu Segundo Grau. Uma vez que é impossível, neste momento, decidir quando é que os Graus de Marca surgiram na sua forma actual, tudo o que podemos dizer com certeza é que, até onde vão as provas documentais, ou seja, até 1760, parece que sempre existiram os Graus de Marca de Homem e Mestre de Marca, e que, embora em teoria, o Marca de Homem pudesse ser conferido a um Companheiro de Ofício, o Mestre de Marca parece ter sido sempre restrito aos Mestres Maçons. Nos tempos modernos, ambos os Graus de Marca são conferidos em conjunto, e sempre a um Mestre Maçom, embora o ritual de Marca enfatize sempre a ligação com o Segundo Grau.
Nautas ou Marinheiros do Arco Real (Royal Ark Mariner Degree)
O Grau de Marca, ou Graus, também tem associado a eles, mas numa “Loja” separada, o Grau de Marinheiros do Arco Real. Este parece ser um antigo trabalho “Operativo”, provavelmente construído no século XVIII por genuínos pedreiros operativos no Norte de Inglaterra, ansiosos por ter alguma forma de distinguir um verdadeiro pedreiro “Operativo” de um “Especulativo”. A mesma explicação provavelmente trouxe à existência o Grau de São Lourenço, o Mártir, do qual falaremos mais adiante. A lenda dos Marinheiros do Arco Real relaciona-se com o Dilúvio, e é retirada directamente da Bíblia. As características mais interessantes são o uso de uma pedra, em vez do Volume da Lei Sagrada, sobre a qual se faz o juramento. A razão para isto é explicada no ritual, mas pode ser que tenhamos aqui uma sobrevivência do antigo costume de jurar sobre um altar de pedra, que era a forma mais antiga de um juramento vinculativo. Há também algum trabalho interessante com um triângulo, mas no geral deve ser confessado que não há muitos ensinamentos realmente profundos no Grau. É, no entanto, um Grau bastante bonito e tem muitos apoiantes fervorosos. Está sob o governo directo da Grande Loja de Marca.
O Santo Arco Real de Jerusalém
A Marca completa o Segundo Grau, mas para o Mestre Maçom mais jovem deve ser óbvio que é necessário mais um grau para completar o Terceiro Grau.
Os verdadeiros Segredos perderam-se; mas nunca foram reencontrados? Além disso, uma vez que eram conhecidas por três pessoas, porque é que os dois sobreviventes não poderiam ter nomeado um sucessor e dar-lhe os Segredos perdidas? O Arco Real tem como objectivo dar, pelo menos, uma resposta à questão – “Quais eram os Segredos Genuínos de um Mestre Maçom?”
Em resumo, é uma Palavra perdida, mas essa Palavra transmite em simbolismo uma explicação muito interessante e esclarecedora da natureza de Deus. De facto, o ensinamento da Maçonaria Simbólica pode ser resumido dizendo que ensina ao homem o seu dever para com o seu próximo, enquanto o “Arco” o instrui no seu dever para com Deus. Qual é a natureza de Deus aí representada? É uma trindade, mas não a trindade cristã; é mais como a trindade hindu de Criador, Preservador e Destruidor. Também indica claramente a união do Corpo, Alma e Espírito, e mostra que por essa União nos tornamos unidos a Deus. Assim, na sua própria essência, o Arco Real é supremamente místico e ensina sobre a Visão Beatífica.
A lenda trata da “Descoberta” dos Segredos perdidos aquando da reconstrução do Templo após o regresso do Cativeiro. Verifica-se assim que o “Cenário” do grau é do Antigo Testamento, e este facto deve ser notado, pois há uma outra explicação da “Palavra Perdida” que é dada em alguns dos outros graus “Superiores”, nomeadamente, que a “Palavra Perdida” é Cristo, o Logos.
Mas ainda não obtivemos uma resposta para a pergunta muito natural: “Por que os outros dois, que conheciam o Segredo, não puderam nomear um sucessor?” A explicação exotérica completa, e também como foi que os Segredos vieram a ser depositados num lugar de segurança, é dada num dos “Graus Crípticos”, ao qual nos referiremos mais adiante neste livro. Resumidamente, porém, foram necessárias três pessoas para transmiti-lo, mas na realidade, é claro, isto é simbolismo, e implica que Corpo, Alma e Espírito devem estar em união antes que possam compreender plenamente a Trindade Divina. Se, por um lado, nenhum homem vivo, preso pelos laços da carne, pode realmente compreender a natureza de Deus, nem mesmo fazê-lo imediatamente após a morte, pois nossas almas ainda não estarão suficientemente evoluídas, por outro lado, é claramente ensinado que o nosso corpo não perece completamente, mas é transmutado, como o próprio São Paulo diz que acontecerá no dia do julgamento. Sem dúvida, este é um dogma muito profundo e difícil de entender, mas se pudermos compreender o facto de que a matéria, assim como o Espírito, é na sua origem uma manifestação de Deus e, portanto, uma parte dele, perceberemos que a matéria também é indestrutível, embora a sua forma possa mudar. Este facto é perfeitamente reconhecido pela ciência moderna.
Na forma original do Arco Real, que ainda sobrevive em Bristol, na Escócia e na América, o Candidato tem de passar por quatro véus, que correspondem a vários estados espirituais de existência que se encontram para além do túmulo, estando cada um deles um pouco mais próximo do Ser Divino do que o anterior. Os quatro véus são coloridos respectivamente de azul, roxo, vermelho e branco, e em cada véu o Candidato é desafiado por um “Guardião do Véu” que lhe exige a palavra e o sinal do véu do véu anterior. Esta cerimónia na Escócia forma um grau distinto conhecido como Excelente Mestre, e a Jóia deste grau é um pentagrama cravejado de brilhantes, que representa, entre outras coisas, o homem e os seus cinco sentidos. O Sinal penal deste grau é de grande antiguidade e foi feito por Vishnu quando na forma da Encarnação do Leão. Vishnu desceu à terra para derrubar um gigante maligno que estava a oprimir o mundo, e matou-o estripando-o. Na Escócia, nenhum Maçom do Arco Real Inglês pode ser admitido num Capítulo Escocês, a não ser que receba previamente o Grau de Excelente Mestre, grau que não pode receber a não ser que tenha primeiro recebido a Marca.
A Passagem do Véu Branco é realmente uma parte integrante da cerimónia do Arco, e o Sinal correspondente aos Sinais dos outros Véus é um bem conhecido dos Maçons do Arco Real Inglês. Só depois de ter passado esta barreira é que o candidato pode obter os verdadeiros Segredos de um Mestre Maçom, sendo a cerimónia muito semelhante à do nosso Arco Real. Por outras palavras, só depois de termos passado por vários estádios espirituais da existência é que poderemos finalmente compreender a natureza de Deus. A eliminação dos Véus da nossa cerimónia tendeu a obscurecer esta importante lição na forma inglesa do Arco Real.
Uma lição ligeiramente diferente é-nos ensinada pelo destino do nosso predecessor na Maçonaria Simbólica. Ele não poderia ter revelado o Sinal mesmo que tivesse desejado fazê-lo, pois era uma experiência, e portanto não poderia ser comunicada por palavras a nenhum homem vivo. Não podemos entrar numa explicação detalhada desta cerimónia profundamente mística num livro desta natureza, mas uma breve explicação de uma certa abóbada que desempenha um papel proeminente é essencial. Como todos os símbolos na Maçonaria, tem vários significados, mas os dois mais importantes são (a), o submundo, ou o túmulo para o qual o homem desce na morte, e do qual a sua Alma finalmente ascende aos reinos da Luz. (b) A interpretação mística é que a cripta é a sede do Mestre, aquele recesso escuro da Alma, onde habita a Centelha Divina.
A jóia deste grau representa muito claramente a natureza de Deus. O Triângulo Duplo dentro do Círculo e o Ponto dentro dele, que é representado pelo Olho Que Tudo Vê, é o símbolo antigo de Deus. O triângulo dentro do Círculo representa o Espírito dentro do Círculo do Infinito, e é peculiarmente associado a Deus, o Criador. Os maçons do Arco Real perceberão o significado deste facto em relação ao Altar. O Ponto dentro de um Círculo, entre os Hindus, representa Paramatma, o Todo-penetrante, a Fonte e o Fim de Tudo. O triângulo com a ponta para baixo é o símbolo da chuva (água) e representa o lado preservador de Deus (Vishnu), enquanto o triângulo com a ponta para cima representa o fogo, cujas chamas sobem ao Céu, e é, portanto, o emblema do lado destrutivo, ou melhor, transformador, de Deus (Shiva). Este grande símbolo era sagrado para babilónios, egípcios e judeus, e tinha para cada um deles o mesmo significado interior. É também sagrado para o hindu moderno, e foi-o para os antigos mexicanos, e é de facto um dos símbolos mais venerados do mundo.
Ver-se-á, assim, que a jóia do Arco Real, longe de ser um mero ornamento, contém em si um resumo dos sublimes ensinamentos deste grau; tanto mais que tem também um tau triplo. No que diz respeito à cruz tau, já mostrámos nos nossos manuais anteriores que, na sua origem, era um símbolo fálico que representava o poder criador. Lembramos também que fazemos uma cruz de tau cada vez que recebemos os Segredos nos Graus Simbólicos. Assim, o Mestre Maçom fez ele próprio o triplo tau. Convém também lembrar aos nossos leitores que só aqueles que passaram pela cadeira e governaram efectivamente uma Loja têm o direito de usar três cruzes tau no avental.
Como símbolo fálico, tornou-se um emblema do Criador, e também, com o tempo, das nossas paixões animais, que devem ser espezinhadas se quisermos avançar no conhecimento espiritual. Quando chegamos ao Arco Real, simbolicamente isso já foi feito, e somos lembrados disso pela União desses três taus sob os triângulos, emblemas do espírito. Além disso, embora se trate de um grau essencialmente não cristão, não podemos esquecer que havia três cruzes no Calvário.
A presença do triplo tau, depois da experiência que tivemos com ele nos Graus Simbólicos, mostra como cada grau conduz cuidadosamente ao seguinte, e também transmite esta importante lição. Cada grau simbólico ensinava a evolução e a purificação (1) do corpo; (2) da alma; (3) do espírito. Estes três, agora em perfeita união, repousam sob a Sombra do Ser Supremo representado pelos Triângulos Duplos. Assim, a presença das cruzes tau ensina-nos que o Homem acabará por descansar na Presença do Rei dos Reis.
De facto, o Arco Real está repleto de simbolismo interessante: as cores dos trajes, vermelho e púrpura, a forma do altar, a posição dos três Principais, todos transmitem lições importantes, mas não podemos dispensar o espaço num pequeno Manual como este para nos alargarmos mais sobre este grau. No entanto, não podemos deixar de salientar que, tal como nos graus simbólicos o Venerável Mestre representava o Espírito, o 1º Vigilante a Alma e o 2º Vigilante o Corpo, o mesmo acontece com os oficiais correspondentes no Arco Real, embora aqui já não estejam separados, mas sim lado a lado, e em todos os casos actuam como um só. A razão para isto é que o Arco Real retrata aquele estado sublime em que Corpo, Alma e Espírito são verdadeiramente um, e estão em Paz na Presença de Deus, agora devidamente compreendidos.
Os nossos leitores perceberão, assim, que nenhum Maçom da Maçonaria Simbólica pode considerar que cumpriu o seu dever como Maçom, até ter recebido o Arco Real, pois não recuperou os Segredos perdidos que prometeu tentar encontrar. Os paramentos incluem um avental e uma faixa de cor púrpura e vermelha.
Os graus crípticos
Os Graus Crípticos são em número de quatro e são governados por um Grande Conselho de Mestres Real e Selecto próprio que, no entanto, na realidade está em estreita aliança com a Grande Loja de Marca, cuja sede é a sua Sede.
Os Graus Crípticos são “Mui Excelente Mestre” (The Most Excellent Master), “Mestre Real” (The Royal Master), “Mestre Selecto” (The Select Master) e “Super-Excelente Mestre” (The Super-Excellent Master), e as suas lendas cobrem o tempo histórico entre o primeiro Templo e sua destruição. O Grau de “Mui Excelente Mestre” não deve ser confundido com o de “Excelente Mestre” que é trabalhado na Escócia; o Grau de Excelente Mestre é conferido a um Maçom do Arco Real inglês que não tenha participado da cerimónia da Passagem dos Véus (Passing of the Veils). A Lenda, portanto, está associada ao Segundo Templo, enquanto o “Mui Excelente Mestre”, ao contrário, trata da conclusão e dedicação do primeiro templo. O avental, que raramente é usado, é de cor branca com bordas púrpura, e é usado um colar de cor púrpura. A cor refere-se ao sofrimento sentido pelos Irmãos pela perda do terceiro Principal, cuja cadeira está vaga. A característica mais marcante na sala da Loja é uma pequena réplica da Arca da Aliança. Em teoria, a qualificação para o “Mui Excelente Mestre” é apenas o Grau de Marca, mas como sempre é seguido pelo “Mestre Real”, para o qual a qualificação é Marca e Arco Real, na prática, o Candidato deve possuir estes dois graus.
O Mestre Real é um grau muito interessante, pois mostra como os segredos do Arco Real vieram a ser depositados no local onde foram posteriormente encontrados. Embora a cadeira de Hiram Abiff estivesse vaga no “Mui Excelente Mestre”, no Mestre Real, ele é o principal personagem, e suas investigações sobre o tema da “Morte” é uma das mais belas peças de ritual na Maçonaria. O “Select Master”, ao contrário dos graus anteriores, tem uma jóia especial própria, nomeadamente uma espátula de prata dentro de um triângulo do mesmo metal, que está suspensa de um colar preto debruado e forrado a vermelho. O avental é branco, debruado a vermelho e dourado, e tem uma forma triangular; em Inglaterra nem o avental nem a jóia são habitualmente usados. Na Escócia, a jóia dos Graus Crípticos combina o triângulo e a espátula, enquanto em Inglaterra é usada a jóia do “Super-Excelente Mestre” para representar os quatro graus.
Supõe-se que o “Mestre Selecto” seja realizado numa cripta (daí o nome “Graus Crípticos”) que é a mesma cripta na qual os Segredos do Arco Real foram posteriormente descobertos. A lenda é semelhante à de um dos graus do Rito Antigo e Aceite, e relata como um conhecido pedreiro empregado pelo Rei Salomão acidentalmente invadiu esta cripta quando o Rei Salomão e Hiram, Rei de Tiro, estavam presentes. O intruso foi subsequentemente perdoado, mas os Vigilantes que deveriam ter impedido a sua entrada, foram punidos em seu lugar. Esta é, sem dúvida, uma velha lenda que surge de novo num terceiro grau, nomeadamente o “Grande Cobridor do Rei Salomão” (Grand Tyler of King Solomon”, um dos Graus Aliados. O seu significado simbólico é que aqueles que levam a sua investigação ocultista para além dos limites razoáveis, e sem a assistência e protecção de investigadores mais experientes, correm sérios riscos.
O “Super-Excelente Mestre” (Super-Excellent Master) é curto e não muito interessante, mas traz a história do primeiro Templo até o momento da sua ameaçada destruição e, assim, preenche a lacuna entre o “Excelentíssimo Mestre” e o Arco Real. A lição ensinada é a lealdade inabalável a Jeová. A cor deste grau é carmesim, e um colar carmesim deve ser usado. Na prática, porém, este é usado apenas pelos membros do Grande Conselho. A Jóia destes graus é um triângulo de esmalte branco com a ponta para baixo, ou seja, o triângulo do Preservador (Preserver), e é, em regra, o único Paramento usado.
A parte mais interessante deste grau é um tapete no chão com o seguinte desenho. Dentro de um quadrado há um círculo, dentro do qual há um triângulo apontando para o oeste, e dentro do triângulo está o Centro do Círculo no qual repousa um altar, e no altar está a arca da aliança. Como o desenho do “Chão” não é explicado adequadamente, o seguinte será útil.
O triângulo apontando para Oeste é o símbolo do Preservador, e foi adoptado como a jóia de todos estes graus em Inglaterra, e denota certamente o princípio subjacente da série.
- O (Most Excellent Master) “Muito Excelente Mestre” ensina-nos que, apesar da perda do arquitecto-mor, Deus preservou a obra do Templo e esta foi devidamente concluída.
- O “Mestre Real” (Royal Master)conta-nos como é que os Segredos do Arco Real foram preservados
- No “Mestre Selecto”, (Select Master), o amigo demasiado zeloso de K.S. foi preservado do terrível destino que o ameaçava.
- No “Super-Excelente Mestre” (Super-Excellent Master) é-nos mostrado como Deus preservou um resto do povo porque este preservou a sua fé n’Ele.
O triângulo dentro de um quadrado denota a Descida do Espírito para a Matéria, enquanto o Círculo simboliza o Infinito – de onde vem o Espírito. O ponto liga o Infinito com o emblema do Todo-Poderoso – também se refere a cada “Ego” individual.
Todo o símbolo, portanto, significa que Deus, o Preservador, desceu da Eternidade e, entrando na Matéria, tornou-se carne, e Ele é um com o Todo-Poderoso. É, portanto, um emblema muito sagrado, e o facto de a Arca da Aliança estar sobre o Centro mostra que a Nova Dispensação ((New Dispensation)) surge da antiga, e a referência profética a este facto é enfatizada pelo “G” real que nos deve lembrar Aquele que morreu na Cruz. Assim, este grau tem um significado messiânico e esotérico, muitas vezes esquecido por aqueles que o tomaram.
Os graus aliados
Sob este título estão agrupados uma série de graus diferentes que têm pouco em comum. Em teoria, o Grande Conselho que se reúne no Mark Masons’ Hall controla um grande número de graus, incluindo cinco que são andrógamos, mas na prática só trabalham seis graus. Em Newcastle-on-Tyne, no entanto, o Conselho do Tempo Imemorial (Time Immemorial Council) também trabalha um ou dois outros, incluindo o Cavaleiro Sacerdote Templário do Arco (Royal Arch Knight Templar Priest), uma cerimónia altamente mística e bela.
Os seis graus trabalhados em Londres não são restritos aos cristãos, e as únicas qualificações são o grau de Mestre de Marca e Mestre do Arco Real. Isto apesar do facto de São Lourenço Mártir e os Cavaleiros de Constantinopla serem graus claramente cristãos. A maior parte destes graus são de importância secundária, mas a Cruz Vermelha da Babilónia (Red Cross of Babylon) e o Sumo Sacerdote (High Priest) são antigos e importantes. Os graus são os seguintes
(1) – São Lourenço, o Mártir (St. Laurence the Martyr). A Jóia é um ferro de engomar, e é bem possível que seja a este facto que se devem os contos obscenos correntes no mundo exterior sobre o que acontece a um homem na sua iniciação na Maçonaria. A lenda deste grau, na realidade, não tem nada a ver com a Maçonaria, e é bem conhecida de todos os estudantes das lendas medievais dos Santos. A lição ensinada é a da fortaleza. Este grau parece ser um pedaço de um antigo ritual Operativo trazido de Lancashire, e originalmente trabalhado num grau para permitir a um genuíno “Maçom Trabalhador” distinguir outros Operativos de “Estes Especulativos novos”.
(2) – Os Cavaleiros de Constantinopla (The Knights of Constantinople) estão associados ao Imperador Constantino, e inculcam a útil lição da igualdade universal. A Jóia é uma cruz encimada por uma lua crescente, uma escolha pouco feliz, pois sugere o triunfo do Crescente sobre a Cruz.
(3) – O Monitor Secreto (The Secret Monitor) é muito semelhante ao primeiro grau do Monitor Secreto, tal como é trabalhado pelo Grande Conclave, e está associado a David e Jónatas. A sua presença entre os Graus Aliados é testemunho de uma divisão infeliz que ocorreu durante os primeiros anos da organização do Grande Conclave do Monitor Secreto. É o único grau da Maçonaria inglesa que está sob o controlo de dois corpos inteiramente distintos. A Jóia é um “Hackle” suspenso de uma coroa, e na fita acima da jóia há um laço.
(4) – O Grand Cobridor do Rei Salomão (The Grand Tyler of King Solomon) relata a história da intrusão acidental de um Companheiro de Ofício nas criptas secretas onde o Rei Salomão, Hiram, Rei de Tiro e Hiram Abiff estavam reunidos. A lenda é muito semelhante à relatada no “Mestre Selecto” (Select Master), embora haja variações interessantes, em particular. O “Período” da lenda é anterior. A Jóia é o triângulo do Preservador, com a ponta para baixo, com certas letras hebraicas gravadas a dourado sobre um fundo de esmalte preto.
Todos estes graus são interessantes, mas dificilmente podem ser considerados verdadeiramente importantes, ao passo que os dois seguintes pertencem a uma categoria bastante diferente.
(5) – A Cruz Vermelha da Babilónia (The Red Cross of Babylon) é indubitavelmente antiga, e o décimo sexto grau do Rito Escocês Antigo e Aceite também aborda o mesmo tema, enquanto incidentes semelhantes ocorrem igualmente na Ordem Real da Escócia. O Grau na ordem histórica segue, e está intimamente associado, ao Arco Real e à reconstrução do segundo Templo, e na Escócia é de facto controlado pelo Supremo Capítulo do Arco Real. Tem muitos pormenores interessantes, mas a sua característica mais marcante é a travessia da Ponte. Esta, embora transformada numa ponte física e histórica, simboliza, sem dúvida, algo muito diferente. Estamos aqui na área da escatologia e estamos a ser informados sobre o que acontece a um homem depois da morte. Em todas as grandes religiões do mundo existe a tradição de que, mais cedo ou mais tarde, após a morte, a alma deve atravessar uma certa “ponte”. Claramente, esta “ponte” significa a passagem de um estado de existência no mundo para além do túmulo para outro, e indica um avanço da alma para longe das condições da terra e em direcção a Deus. Os Japoneses, Chineses, Parsis, Mahomedanos e Cristãos medievais, todos falam dessa ponte. Por exemplo, os Parsees dizem que os enlutados devem levantar-se ao amanhecer do terceiro dia após a morte do seu amigo e rezar por ele, pois a essa hora ele chega à ponte que deve atravessar para chegar ao Paraíso. A ponte atravessa o abismo do Inferno e, a meio da ponte, a Alma será recebida por uma forma feminina. Se a sua vida tiver sido boa, essa forma será a de uma bela mulher que o conduzirá ao Paraíso, mas se a sua vida tiver sido má, será uma bruxa hedionda que o encontrará e o atirará da ponte para o abismo sem fundo.
Em Inglaterra, esta ponte era chamada Ponte do Temor “The Brig of Dread” e está representada num fresco do século XII na Igreja de Chaldon, Surrey, onde é mostrada como se tivesse sido construída como uma serra. Entre os que tentam atravessá-la encontra-se um pedreiro com as suas ferramentas na mão. Também se fala dele numa antiga canção de Lancashire que relata o que acontece à alma do homem morto imediatamente após ter deixado o seu corpo morto:
“When thou from hence away art passed Every night and alle; To whinny-muir thou comest at last And Christ receive thy soule.”
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“From whinny-muir when thou mayest pass Every night and alle; To ‘Brig of Dread’ thou comest at last And Christ receive thy soule.”
A lição exotérica do grau é “Grande é a Verdade”, mas a referência oculta à Ponte da Provação que a alma deve passar na sua viagem em direcção ao Paraíso é a característica mais marcante. A Jóia é constituída por duas espadas cruzadas sobre um fundo de esmalte verde escuro.
(6) – O Sumo Sacerdote (The High Priest), ao contrário dos outros graus, só pode ser conferido a um Maçom que tenha sido 3º Principal num Capítulo do Arco Real. Trata do Sacerdócio “segundo a Ordem de Melquisedeque” (the Order of Melchisedic), e a jóia é o triângulo com a ponta para cima, sobre o qual é imposta uma mitra.
Resumidamente, os Graus Aliados ligam o Antigo Testamento ao Novo, e os mais importantes são a Cruz Vermelha da Babilónia e o Sumo Sacerdote, embora os outros quatro não deixem de ter interesse.
O Rito Escocês Antigo e Aceite
O Rosacruz de Heredom (Rose Croix of Heredom) é actualmente considerado como o 18º Grau do Rito Escocês Antigo e Aceite, cujo número total de graus é 33, em referência aos 33 anos da Vida de Nosso Senhor. Na prática, porém, apenas o 18º, 30º, 31º, 32º e 33º graus são trabalhados na íntegra em Inglaterra, e os últimos três são conferidos com pouca frequência.
Na América, todos os graus intermédios são trabalhados, ou seja, do 4º ao 33º inclusive, mas em Inglaterra do 4º ao 17º são conferidos apenas pelo nome. O 18.º é trabalhado na íntegra, mas do 19.º ao 29.º, inclusive, são igualmente conferidos apenas pelo nome.
A qualificação para o 18º é um ano de Mestre Maçon, e para o 30º tem sido normalmente Prior (Prelate) ou Mui Venerável Soberano (M. W. S.), sendo este último o título do regente de um Capítulo Rosa Cruz. O 18º grau é um grau altamente místico e cheio do mais profundo interesse, e em Inglaterra é restrito a cristãos professos. Nos Estados Unidos e no continente europeu, no entanto, não é geralmente considerado cristão, e os não-cristãos podem tornar-se membros. Uma escola de investigação maçónica tem defendido a teoria de que a Rosa Cruz foi originalmente católica romana e inventada pelos jacobitas. Pessoalmente, após uma pesquisa muito cuidadosa, não consegui encontrar qualquer prova que apoiasse este ponto de vista e, francamente, não consigo conceber que qualquer católico romano consciente participe nas cerimónias.
Parece mais provável que o grau se deva à influência Rosacruz, e a evidência histórica mais antiga que podemos encontrar destes místicos mostra que eles eram luteranos, mas é bastante provável que tenham herdado uma tradição anterior. Parece haver referências às doutrinas Rosacruzes em Dante, e os Maçons Comacinos esculpiram a Rosa e o Compasso sobre a porta da sua Loja em Assis nos primeiros anos do século XV. Além disso, os antigos astecas, que também veneravam a cruz, tinham uma história muito semelhante, com os mesmos símbolos e muitos dos mesmos incidentes. Finalmente, não podemos ignorar o facto de que Henry Adamson, Maçom Aceite, em “The Muses Threnodie”, escrito em 1636, diz
“Porque somos irmãos da Rosacruz, Temos a palavra do Maçom e a segunda visão”.
Isto mostra uma associação da “Palavra do Maçom” com a Cruz Rosada ((Rosie Cross). Pessoalmente, penso que isto se refere, não ao actual 18º grau, mas à Rosa Cruz da Ordem Real da Escócia (Rosy Cross of the Royal Order of Scotland).
Indica, no entanto, a influência rosa-cruz na Maçonaria muito antes do surgimento dos movimentos jacobitas, e está num poema que descreve a Perth protestante.
Voltando ao 18º grau tal como o conhecemos hoje em dia, verificamos que tem quatro secções distintas. A primeira consiste na atribuição, pelo nome, dos graus intermédios, e as outras secções formam o Grau Rosa-Cruz propriamente dito. É uma peça de simbolismo altamente místico, e expressa a passagem do Homem pelo Vale da Sombra da Morte acompanhado pelas Virtudes Maçónicas Fé, Esperança e Caridade. Termina com a sua aceitação final na morada da Luz, da vida e da Imortalidade, e com a recuperação do mundo inferior.
O distintivo é duplo: de um lado é preto, tendo no centro uma cruz de calvário vermelha; do outro lado é branco, debruado a rosa; no avental está bordado um pelicano a alimentar as crias, enquanto na aba há um triângulo dentro do qual se encontram alguns caracteres hebraicos. A gola é igualmente dupla: no verso é preta com três cruzes vermelhas e na frente é rosa, ricamente bordada. Entre os símbolos representados encontram-se a coroa de espinhos e a serpente com a cauda na boca, emblema da Eternidade. A jóia que se encontra suspensa na gola é uma bússola dourada estendida num ângulo de 60 graus, encimada por uma coroa celeste. De um lado, uma cruz escarlate dentro do compasso e, por baixo, um pelicano a alimentar as suas crias. No reverso, a cruz é prateada, com uma águia prateada que se eleva em direcção aos céus e, de ambos os lados, na articulação do compasso, uma rosa.
Apesar da sua actual configuração cristã, parece que este grau, nos seus principais pormenores, é uma cerimónia muito antiga. Todas as suas características essenciais encontram-se na Cerimónia de Bora dos Aborígenes Australianos, uma das raças mais primitivas ainda vivas. Na Índia e na China, os Sinais deste grau estão associados a Deus, o Preservador. No Antigo Egipto, certas partes do Livro dos Mortos cobrem o mesmo terreno e mostram os mesmos Sinais em uso. Os antigos astecas no México parecem ter tido praticamente a mesma cerimónia, como já foi dito, e alguns dos Sinais que eles fizeram sobreviveram entre os índios vermelhos até aos dias de hoje. Na Europa medieval encontramos exemplos constantes da utilização dos dois principais Sinais empregues, como por exemplo na Catedral de Coire, – tanto em trabalhos do século XII como do século XV, – num fresco em Basileia, pintado nos primeiros anos do século XVI, e numa sala apainelada do século XVII, actualmente no Museu Engadine em St. Além disso, um certo Sinal associado ao 9º grau do Rito Escocês Antigo e Aceite, que indica tristeza; também é encontrado lado a lado com estes Sinais dos Rosa Cruz em todos os casos acima mencionados na Europa. Factos como estes não podem ser ignorados e impedem-nos de aceitar a ideia de que o Rosa Cruz foi inventado no século XVIII. Com efeito, os códices mexicanos, que mostram praticamente a cerimónia completa, são pelo menos dois séculos e meio anteriores à data em que se sugere que este grau foi inventado.
O Grande Cavaleiro Eleito Kadosh
O outro nome para este grau, o 30º, é Cavaleiro da Águia Negra e Branca. Nos países latinos, tem um tom fortemente templário e adquiriu um significado sinistro porque, em alguns rituais, o dever de vingar a morte de Molay e dos outros Templários assassinados é ensinado de forma dramática. Uma vez que os principais responsáveis pelo massacre de Molay e dos seus Cavaleiros foram Filipe, Rei de França, e Clemente, o Papa, este facto foi utilizado para ensinar aos Candidatos que o Rei e a Igreja são os opressores do Povo. Provavelmente, este significado interno não é de modo algum tão universalmente aplicado no Continente como pretendem os escritores antimaçónicos, mas, de qualquer modo, o Ritual Inglês foi expurgado de qualquer ideia deste tipo, se é que alguma vez a possuiu. O grau é muito elaborado, necessitando de três câmaras e uma ante-sala quando é trabalhado na totalidade, e só o Supremo Conselho o pode conferir. O traje, que pode ser usado nos Capítulos Rosa-Cruz, consiste numa larga faixa preta suspensa do ombro esquerdo, com a ponta franjada com barras de prata, e nela estão bordados os emblemas do grau. Estes são uma águia que voa em direcção ao sol, segurando a Âncora da Esperança nas suas garras; na extremidade está o estandarte de Inglaterra e do País de Gales, que tem sobre um fundo vermelho três leões dourados; este é atravessado pelo estandarte do Supremo Conselho e, por baixo, está uma cruz vermelha formada por quatro cruzes tau, habitualmente chamada Cruz de Jerusalém.
A jóia do peito é uma cruz em esmalte vermelho, com o número “30” no centro, sobre um fundo de esmalte azul. De uma gola de fita preta com um debrum prateado está pendurada uma águia negra de dupla abertura, encimada por uma coroa e segurando uma espada nas garras.
A palavra “Kadosh” é hebraica, e significa “separado” ou “consagrado”. Os três graus restantes do Rito Escocês Antigo e Aceito são conferidos com pouca frequência, e tomam o lugar, em grande parte, do Grande Grau em outros graus.
Passarão muitos anos antes que o jovem Maçom atinja estas alturas exaltadas e, portanto, qualquer descrição detalhada, mesmo dos trajes, não é necessária num Manual desta natureza. No entanto, logo que se torne um Maçom Rosa-Cruz, terá certamente a oportunidade de ver, de tempos a tempos, membros destes graus elevados e aprender com eles tudo o que tem direito a saber antes de lhe serem conferidos.
O Rito Escocês Antigo e Aceite, tal como está actualmente organizado, deriva a sua autoridade da carta que lhe foi concedida em 1845 pelo Supremo Conselho da Jurisdição do Sul dos EUA, mas o Rosa Cruz, o Kadosh, o 28º grau e vários outros graus intermédios estavam plenamente estabelecidos e em funcionamento no século XVIII, como mostram os registos históricos, embora a sua antiguidade seja ainda uma questão controversa.
No que diz respeito aos graus intermédios, é um erro assumir que não têm valor ou interesse. Eles variam consideravelmente em mérito, mas graus como o Arco Real de Enoque, com a sua clara indicação de influência Rosacruz, e o relato da descoberta de um dos Pilares Antigos inscrito com conhecimentos antigos, (mencionado nas Old Charges), é digno de um estudo cuidadoso, e o mesmo é verdade para vários dos outros graus. Por esta razão, exorto vivamente todos os maçons Rosa-Cruz a participarem no festival anual do Rei Eduardo VII, Capítulo de Melhoramentos Rosa-Cruz, que se realiza na Primavera de cada ano no Mark Masons’ Hall, quando dois dos graus intermédios são ensaiados na íntegra. Este é, então, o Rito Escocês Antigo e Aceite; um grande Rito, sem dúvida, que está repleto de conhecimentos místicos, e se propõe a mostrar aos seus membros que a busca da palavra perdida termina, não no Templo de Jerusalém, mas no Monte Calvário.
A Ordem Real da Escócia
Esta Ordem rege dois graus, o Heredom e o Rosa Cruz. O Heredom é conferido num corpo chamado Capítulo, e assim, nesta Ordem, um Capítulo está abaixo de uma Loja. Na prática, porém, estes dois corpos são o mesmo.
A Ordem Real tem muitas características peculiares, e é impossível fazer-lhe justiça num só capítulo deste livro.
Em primeiro lugar, podemos notar que a Ordem é única na medida em que tem um órgão de governo para todo o mundo, e é o único órgão maçónico inglês em que isto é verdade. A Grande Loja deve reunir-se sempre na Escócia.
As qualificações, tal como estabelecidas pela Grande Loja da Escócia (Grand Lodge in Scotland), são cinco anos como Mestre Maçom, mas a Grande Loja Provincial Metropolitana (Metropolitan Provincial Grand Lodge), na prática, só admite membros do 30º grau do Rito Escocês Antigo e Aceite. Os maçons de Londres, que não atingiram esse grau, devem, portanto, dirigir-se à Grande Loja Provincial dos Condados do Sul (Provincial Grand Lodge of the Southern Counties), que se reúne em Windsor.
Estes graus são de grande antiguidade e, pessoalmente, considero-os os maiores de todos os nossos graus maçónicos. Não são tão dramáticos como alguns outros, como a Ordem dos Templários (Order of the Knights Templar), mas têm uma unidade de objectivo e um ritual antigo que está cheio do mais profundo ensinamento místico.
Na sua maior parte, está escrito em uma curiosa e antiga linguagem poética, e a partir de análises internas parece anterior a data de nossos formatos actuais, inclusive dos graus Simbólicos, embora isso pressuponha claramente a existência deles.
A partir de registos históricos, sabemos que estes graus “escoceses” estavam a funcionar em 1743 em Londres, pois há registo de uma Grande Loja Provincial em Londres, tendo pelo menos dois Capítulos sob o seu controlo, nessa altura.
O simples facto de existirem pelo menos dois Capítulos de Heredom a trabalhar nesta data exclui a possibilidade de a Ordem ter surgido em 1743, e o facto de ter tido de viajar da Escócia, e depois se estabelecer e se espalhar em Londres, justifica-nos considerar que dificilmente pode ser posterior na sua origem à data da formação da própria Grande Loja da Escócia (Craft Grand Lodge of Scotland), que foi em 1736. Sete anos é, na minha opinião, um tempo demasiado curto para permitir que um novo grau se espalhe da Escócia para Londres e aí se estabeleça firmemente, mas se tomarmos esta data veremos que a Ordem Real tem precedência na antiguidade de qualquer grau elevado. Mas, tendo em conta estes factos, não podemos ignorar a evidência da descrição métrica de Henry Adamson de Perth, “The Muses Threnodie”, escrita em 1638, praticamente um século antes, na qual ele escreve
“Porque somos irmãos da Cruz Rosada (Rosie Cross) Temos a Palavra do Maçom, etc.”
Nota. – Ele usa a frase “Rosie Cross”, o título exacto do 2º grau da Ordem Real, e acrescenta que “Nós temos a Palavra do Maçom”.
Agora a Ordem Real pretende dar aos seus membros a perdida “Palavra do Maçom”.
Portanto, se a linguagem significa alguma coisa, significa que os irmãos da Rosa Cruz afirmavam ter a verdadeira Palavra do Maçom, uma afirmação ainda feita pelos irmãos da Rosa Cruz da Ordem Real (Rosy Cross of the Royal Order).
A minha firme convicção é, portanto, que Adamson, que era um Maçom Aceite e um clérigo, era um membro da Ordem Real da Escócia, e uma vez que o estilo e a linguagem do ritual se enquadram neste período, ou num período ainda anterior, considero que a Ordem Real remonta pelo menos a esse período. Em relação a isto, é bom recordar que o primeiro registo da iniciação de um especulativo na Maçonaria em Inglaterra é de 20 de Maio de 1641, quando Robert Moray, “General Quartermaster of the Armie of Scotland”, foi iniciado em Newcastle por membros da Loja de Edimburgo, que estavam com o Exército Escocês, que tinha entrado em Inglaterra em armas contra o Rei Carlos.
Além disso, Moray foi “Protector” de Vaughan, o famoso Rosacruz do século XVII. Se, portanto, para além do Ofício existia uma Ordem Maçónica Rosacruz, na qual só podiam entrar aqueles que se tivessem qualificado primeiro como Maçons, então podemos ver uma excelente razão para que Moray, que estava claramente interessado no Misticismo em geral, e no Rosacrucianismo em particular, se esforçasse por ser iniciado numa L