Arte Real

ESTAMOS SATISFEITOS?

✍️ noreply@blogger.com (TRABALHOS MAÇÔNICOS) 📅 19/03/2019 👁️ 5 Leituras

Dentre as atribuições do Primeiro Vigilante, consideramos a mais importante a de pagar os obreiros e despedi-los sob a certeza de que estão satisfeitos com o pagamento recebido.


E desde os primeiros passos, ao obreiro é ensinado que para receber precisa trabalhar e, com dedicação e estudo, poderá inclusive solicitar um aumento de salário.


Sabemos que salário é a contraprestação recebida pelo trabalhador em razão do cumprimento de uma atividade ou desenvolvimento de um trabalho a ele determinado.


A origem da palavra tem a ver com o “Sal”, que nos primórdios era utilizado para a preservação de alimentos, mas, como em uma oficina maçônica tudo é simbólico, esse salário não é diferente.


Um exemplo disso é que muitas vezes, embora tenham recebido seus salários, muitos obreiros não desenvolveram efetivamente um trabalho, mas, ainda assim, foram pagos.


A maçonaria tem por objetivo primordial o aperfeiçoamento individual, e nos ensina a aplicar os conhecimentos adquiridos e fazermos a diferença através do exemplo, cortando na própria carne ou, diríamos maçonicamente, desbastando a pedra bruta.


Também é de conhecimento geral que a Ordem nos orienta a evitar, de toda maneira possível, virarmos o maço e o cinzel em direção a um dos nossos irmãos.


Antes, porém, devemos auxiliá-lo, como um bom Mestre que orienta seu discípulo, e não fazer o trabalho por ele.


Dessa forma, algumas perguntas sobre Salário surgem e merecem respostas, ou melhor, uma reflexão. Embora seja o primeiro vigilante o “pagador”, não há menção a quem determina quanto cada um receberá e há noticias apenas sobre o aumento, mas não temos como saber qual fator de reajuste deverá ser aplicado.


Já abordamos que o Salário é apenas simbólico, mas será que isso procede? Para que consigamos chegar a essa conclusão é preciso definir quem é o responsável por estabelecer esse salário, e a resposta é simples e curta: o próprio obreiro.


Certa feita ouvimos, durante os trabalhos, um irmão dizendo, dentre outras coisas “A maçonaria tem espaço para todo mundo”. É bem verdade que, naquele momento, ele se referia ao interesse por uma seara ou outra da Ordem, isto é, alguns se interessam e se aprofundam nos ensinamentos dos graus simbólicos, outros pelos graus superiores também chamados Filosóficos, a maioria pelo Rito Escocês Antigo e Aceito e, ainda, outros pelo Rito de York, mas naquele momento o ilustre irmão, com poucas palavras, abriu nossos olhos para uma nova perspectiva, levando-nos, então, a rever alguns conceitos.


Com frequência, temos ouvido de um valoroso, digno, respeitável e “sapientíssimo” irmão que a Maçonaria “tem muito pavão”, “que precisamos combater a vaidade”, “a vaidade está acabando com a Ordem”. Curiosamente, nosso guru e guia Salomão, filho de Davi, instruiu: “Tudo é vaidade” (Eclesiastes 1:2).


 Não é segredo que a vaidade é inerente ao ser humano, todos gostamos de ter o trabalho reconhecido e merecemos receber o crédito por ele, afinal, pensando bem, é o nosso devido Salário.


Sim, há entre nós aqueles que definiram como salário maçônico, quase que exclusivamente, o reconhecimento por cada e qualquer ato realizado.


Por isso, fazem questão de ostentar na lapela toda honraria botton ou insígnia que recebem, bem como exibi-las de todas as maneiras possíveis e isso, para contrariar os mais exigentes, não é pecado, delito maçônico e nem prejudica ou desonera o salário de qualquer outro obreiro.


Podemos listar como salários estabelecidos por nossos irmãos o valor em espécie, pois alguns dos irmãos passando por problemas financeiros solicitam isenção à Loja, mas também não prestam serviço, se furtando inclusive da presença, de maneira que recebem salário sem trabalhar.


Outros têm como salário a congregação dos irmãos, consideram que a simples reunião em Loja já é o suficiente. Ainda outros necessitam de um trabalho elaborado de aprofundamento em estudos maçônicos, ou de assuntos relevantes e atuais.


Em algumas situações, aqueles passando por problemas emocionais recebem seu salário apenas por terem a oportunidade de se abrirem em Loja, sabedores de que nada será revelado e que seus segredos serão guardados. 

Inúmeros outros exemplos poderiam ser aqui citados, mas entendemos que nosso objetivo já foi cumprido com os acima elencados.


Definido quem estabelece o salário queremos saber quem paga. De acordo com os regulamentos, o Primeiro Vigilante é o responsável, mas na prática o salário dos obreiros é pago não por uma pessoa especificamente, mas por toda a oficina e será pago devidamente se cada uma das Luzes, Dignidades e Oficiais cumprirem com sua obrigação.


Cabem, portanto, ao Hospitaleiro, verificar as dificuldades dos obreiros; ao Chanceler, conferir a frequência e comunicar ausências; ao Tesoureiro, dar ciência da situação financeira do obreiro; aos Mestres, os ensinamentos; e, às Luzes, dar a atenção necessária aos obreiros, pois, afinal, foram eleitos e confiados para essa tarefa, ou seja, com a devida prestação do trabalho bem feito, pagamo-nos uns aos outros.


Uma das nossas tarefas em Loja é atentar para pagar a cada um de acordo com o que ele deseja receber como salário, seja um mimo, um elogio, um desabafo, um abraço caloroso, uma prancha ou apenas uma pergunta retórica que o deixe pensativo.


Antes que os irmãos mais conservadores nos atirem pedras, sob a alegação de que não devemos incentivar a “vaidade”, convém relembrar a parábola dos trabalhadores da vinha, narrada em Mateus 20:1-16, donde extraímos que o empregador, após combinar o valor a ser pago a cada um dos trabalhadores, efetua o pagamento individualmente, mas é criticado, pois tendo pagado a cada um conforme acordado, alguns se sentiram injustiçados argumentando terem recebido o mesmo que outros que labutaram por menos tempo são de pronto, repreendidos pelo empregador com as seguintes palavras: “Amigo, não te faço injustiça, não ajustaste comigo um denário? Toma o que é teu e vai-te…”. 

O lapidar da pedra bruta perpassa por valorizar o nosso salário individual e não em criticar o salário exigido pelo irmão.


O aumento de salário se faz necessário quando o obreiro já não está mais satisfeito com aquilo que recebe e deseja receber além do que vinha recebendo, mas não nos enganemos, o aumento de salário pode ocorrer em qualquer momento e não apenas com a efetiva mudança de grau. 

A necessidade pode ser momentânea e se limitar àquela reunião, motivo pelo qual devemos ser e nos manter “Vigilantes”.


Antes de nos dirigirmos ao Templo, busquemos estabelecer o salário que desejamos receber, mas sejamos sinceros e, ao final de cada reunião, quando perguntados: “E os obreiros, estão satisfeitos?”, reflitamos se recebemos o salário que desejávamos e se, principalmente, ajudamos a pagar ao irmão o salário que ele desejava receber.


Assim, ao final, possamos responder corretamente e em uníssono: “Estamos satisfeitos!”.


Autor: Leonardo Avelino Medeiros

*Leonardo  é Primeiro Vigilante da Loja Águia das Alterosas Nº 197 – GLMMG.


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