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Comunicação do Grão-Mestre da GLLP/GLRP – Solstício de Inverno – 2022

✍️ Desconhecido 📅 07/12/2022 👁️ 7 Leituras
Armindo Azevedo, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal – GLRP
Armindo Azevedo, Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal – GLRP

Meus Queridos Irmãos,

Celebramos hoje, por oportunidade de agenda, a efeméride do Solstício de Inverno de 6022, cujo momento astronómico ocorrerá a 21 de Dezembro, mais exactamente às 21 horas e 48 minutos da nossa hora local.

Estamos, pois, na iminência desse momento de maior afastamento da luz solar no equador terreste e, assim, a obscuridade vai crescendo em direcção ao domínio das trevas. Trevas essas que bem vemos em nosso redor, com a continuação da guerra na Ucrânia e que tanto desestabiliza o mundo em variadíssimas situações, com a predominância da fome, o encarecimento das matérias-primas, a perspectiva de uma recessão económica, a desregulação das cadeias de abastecimento e a falta de inúmeros produtos, o erguer de muros entre países e blocos e, sobretudo, o aumento do sofrimento humano e a sua banalização, a que todos os dias assistimos na comunicação social.

A somar a tudo isto, persistem focos de conflito em lugares como as fronteiras da Arménia e do Azerbaijão, do Tigre, da Etiópia e de Taiwan, para além do terrorismo continuado em países como Moçambique e de um crescente ambiente político poluidor das democracias, em que os contendores que disputam e perdem eleições persistem em mentir despudoradamente, recusando conceder a derrota a favor dos legitimamente eleitos. Tudo isto são sinais e actos potenciadores de discórdia, de contenda e de divisionismo, pondo em causa as liberdades – individuais e colectivas – e os direitos humanos.

É claro que tais situações são favorecidas ainda por uma multiplicação de falsidades e de notícias mentirosas, veiculadas nas plataformas digitais e redes sociais e ao abrigo do anonimato, que possibilitam aos prevaricadores intensificar a sua actividade criminosa enquanto negacionistas.

Neste cenário, o que é então que nos é requerido enquanto maçons, herdeiros daqueles que nos antecederam em períodos de trevas bem espessas e que, ainda assim e contra todos os ataques, persistiram na sua luta e venceram combates sem fim em prol do avanço e progresso da Humanidade?

A resposta a essa questão encontra-se, de forma muito clara, nos “Landmarks” da maçonaria. Eles resultaram da depuração de milénios de refregas entre as luzes e as trevas, personificadas por quem se predispôs e persistiu nos combates que foram clareando a mente humana, transpondo os abismos das ignorâncias e dos defeitos que impediam, e impedem, as conquistas do intelecto e da razão, visando impor a civilização e a cidadania num mundo mais livre e socialmente evoluído.

Como maçons, cabe-nos contribuir persistentemente para o progresso da humanidade. E essa missão apenas pode ser cumprida criando paz, harmonia e entendimento. Sempre apoiados em valores humanistas e defendendo a democracia, o Estado de Direito, as liberdades cívicas e os Direitos Humanos. Tendo nós isto em mente, torna-se mais fácil saber o que defender e o que fazer, sem jamais esquecer que beneficiamos sempre de clamar ao GADU para que nos ajude e nos suporte em tais desígnios.

E claro, também precisamos de favorecer e procurar o diálogo e desse modo manifestar permanentemente o apego à sã convivência entre pessoas e povos, nações e países e até mesmo persistir em nos relacionarmos mesmo com os mais belicosos, buscando compromissos e apaziguamentos que sejam susceptíveis de serem feitos sem transgressão dos valores essenciais, já atrás mencionados.

A esse propósito, gostaria de aqui ressalvar o papel positivo do Papa Francisco, e que, apesar das suas fragilidades físicas, não abdica de procurar fazer pontes e estabelecer entendimentos, sem discriminações ou preconceitos. Todos somos seres humanos. E, se não formos capazes de fazer e percorrer o caminho dos justos, não chegaremos a bom destino.

Sem reflexão não há pensamento e, sem este, não é possível existir verdadeira sabedoria. Todas as decisões que afectam a nossa vida devem ter subjacente o conhecimento e a sabedoria. Quando tudo, na nossa vida colectiva, é verdadeiramente superficial, então nada tem importância nem significado. E é para contrariar esse sentimento que urge trabalharmos, como maçons, todos os dias.

A palavra cooperação é a chave para que, neste desenrolar, possamos responder às exigências extraordinárias e até inusitadas com que nos defrontamos, mas é sempre preciso que as partes desavindas possam querer tal propósito. Aos maçons não resta mais do que persuadir nesse sentido, pese embora persistam inaceitáveis actos de barbárie em pleno século de um mundo novo que se embrenha cada vez mais na pesquisa do espaço sideral onde estamos acolhidos.

Não há vendaval que sempre dure, no entanto. Até porque, conhecendo a História, sabemos que muitos empedernidos que se julgavam eternos e quase divinos, se finaram mostrando a sua simples condição de pó e não mais do que pó das estrelas de que todos somos constituídos.

Se temos o GADU que nos ampara não soçobraremos, porque ele nos dá a confiança de que tudo alcançaremos em prol da fraternidade humana, sejam quais forem os constrangimentos. O que é preciso é sabermo-nos pertença da criação universal e que, se honrarmos essa ancestralidade, poderemos afirmar que contribuímos para mais um lanço na construção do templo, ou, no mínimo, impedimos que o mau tempo tenha podido erodir a obra já feita.

Estamos obrigados a agir e a fazer, nunca a desistir ou a não intervir. Um maçon é um interventor e um actor na sociedade, sempre transportando os valores pelos quais somos conhecidos e assim, elevando o género humano e melhorando o mundo.

Permitam-me que regresse a um tema que nos é querido e para o qual tenho solicitado o vosso empenho: as alterações climáticas. Muitos e profundos problemas assolam o nosso planeta. E ele só continuará a existir se soubermos preservar o maior número possível de seres vivos que nele coexistem e que compõem o mosaico da biodiversidade que equilibra o meio ambiente.

Há uma linha de actuação que visa precisamente levar ao reforço dos apoios dados para a transição energética e o combate às alterações climáticas nos países mais pobres e com menor estabilidade interna, em especial no hemisfério sul. Para os maçons, toda esta situação é preocupante e provoca diversas reacções e reflexões, que deverão conduzir obrigatoriamente a acções concretas no sentido de corrigir as assimetrias existentes e minorar os efeitos negativos a nível climático.

A Maçonaria Regular está numa situação privilegiada, pela sua abrangência não apenas territorial, mas também social, para servir como plataforma de intercâmbio de recursos, de definição de actividades e de comunhão de princípios, inquietudes e experiências, entre os países que partilham, pela força da Maçonaria Universal, os mesmos valores e princípios.

Como dizia, Tolentino de Mendonça:

Precisamos da esperança para nos unirmos mais, para construirmos sociedades eticamente qualificadas, sociedades que concretizem a justiça social e a fraternidade entre todos os homens”.

Em paralelo com essa questão planetária, há em Portugal outro flagelo ao qual não podemos ficar indiferentes: o da pobreza. Há mais de dois milhões de portugueses que vivem no limiar da pobreza e que, neste momento, têm dificuldade em adquirir os alimentos de que necessitam. Há presentemente milhões de portugueses em risco de passarem a ténue linha que separa a pobreza da miséria. Exige- se, pois, o reforço de medidas sociais para proteger os que já estão desprotegidos. É preciso agir de imediato para proteger as pessoas e famílias mais vulneráveis.

Um dos pressupostos da existência da maçonaria é precisamente a escolha de colocar a melhoria do ser humano no centro, e de pugnarmos por um mundo melhor. Assim sendo, devemos reforçar o cultivar da fraternidade, porque somos Irmãos através de uma via ritual e iniciática, que indissociavelmente nos une não só a todos os Irmãos, mas também a toda a Humanidade. Se a Fraternidade funcionar, o maçom nunca estará só.

Apesar de todas as guerras, da miséria, da fome, dos totalitarismos, e de todos os males que assolam a nossa vida e a Humanidade, nós maçons temos de darmo-nos, no sentido do verdadeiro amor fraterno, a todos aqueles que de nós necessitam.

Cada um de vós deve esforçar-se por ser o guardião dos preceitos que unem a nossa comunidade maçónica. Devem, com todas as vossa forças e no fundo da vossa alma, comprometer-se a divulgar os magníficos valores que presidem o destino desta nossa Grande Loja.

O nosso desejo mais profundo deve ser o de dar vida à nossa Instituição e encarná-la no dia-a-dia, através das nossas acções e das nossas obras. Devemos ser dignos desta riqueza de que somos portadores, promovendo o justo e o bem, prosseguindo assim o edificar do Templo para a Glória do Grande Arquitecto do Universo.

Com essa convicção, nós os maçons iniciaremos o ano de 2023 motivados e energizados, para um trabalho quotidiano de melhoria de nós mesmos, dos outros, da sociedade, e do mundo a que todos pertencemos. Só assim, solidário e envolvente, faz sentido o trabalho maçónico.

Meus Queridos Irmãos, Um bom Natal, Um Santo Natal, para vós e todos os familiares e amigos! Saúde, Paz e Amor Fraterno.

Lisboa, 3 de Dezembro de 6022

Armindo Azevedo
Grão-Mestre da Grande Loja Legal de Portugal / GLRP

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