No Esquadro

Cachorro na Maçonaria

✍️ Kennyo Ismail 📅 10/09/2026 👁️ 0 Leituras

A relação da Maçonaria com cachorros existe há séculos. Como exemplo, na clássica obra Ahiman Rezon, a Constituição dos Maçons Antigos, Laurence Dermott utiliza o cachorro do vizinho para condenar obras maçônicas românticas. Já o célebre artista e maçom Cassius Marcellus Coolidge, autor do famosíssimo quadro “Cães jogando pôquer”, também pintou, na mesma série, o quadro “Cães cavalgando a cabra”, em que se vê cães no papel de maçons em loja, executando um ritual de iniciação.

Mas a participação canina na Maçonaria não para por aí. Nos últimos anos, temos visto uma série de fotos de Irmãos em loja acompanhados de seus cães de assistência e, em muitos casos, os animais são trajados maçonicamente por seus tutores.

Esse é o caso, por exemplo, do Irmão John Broster, Grande Oficial da Grande Loja Provincial de West Lancashire, da Grande Loja Unida da Inglaterra, e seu cão de assistência, Cooper, que o acompanha a todas as sessões das lojas simbólicas, do Capítulo do Arco Real e até mesmo nos altos graus do Supremo Conselho, que concedeu ao seu cão um certificado do 30º grau, após ter presenciado o grau com seu tutor.

Outro caso é de um Irmão do Oregon, nos EUA, que foi Venerável Mestre de sua loja, Potentado de seu Templo Shriner, Comandante de sua Comanderia Templária, além de oficial no Real Arco e nos graus Crípticos, e em todos os corpos esteve acompanhado por seu cão de assistência, trajado conforme a organização. E por falar em EUA, em alguns estados há, inclusive, um grau maçônico paralelo chamado “Cachorro Caramelo” (Yellow Dog Degree), com finalidade de diversão e filantropia.

Como esses, há vários outros casos, não apenas na Inglaterra e nos EUA, mas também no Canadá e em outros países. As fotos desses cães paramentados são comumente compartilhadas em redes sociais entre irmãos.

Contudo, em uma potência maçônica brasileira, um irmão com muitos anos de serviços prestados à Ordem foi recentemente expulso por ter compartilhado em um grupo de WhatsApp uma foto de seu cão portando seu avental maçônico.

Não sou fã de cachorro e acho esse tipo de foto de mau gosto, assim como acho de mau gosto receber imagens de flores com mensagens de bom dia ou de autoajuda; ou imagens de soldados gregos com frases motivacionais ou erroneamente creditadas a filósofos da Antiguidade. Mas o fato de eu não curtir não me leva a pedir a expulsão de ninguém, exatamente porque a Maçonaria ensina algumas coisinhas básicas, como amor fraternal e TOLERÂNCIA.

O caso cabia, no máximo, uma advertência. Mas vários homens adultos acharam por bem instaurar um processo disciplinar envolvendo interrogatório, acusador, defensor e juiz em um tribunal maçônico. E talvez isso não seja o pior, mas a incoerência de se expulsar um maçom por uma foto reconhecidamente sem dolo, enquanto se prestigia a regularização na potência de um político condenado em vários processos por corrupção.

Se a Maçonaria é mesmo universal, há quem prefira viver em um universo paralelo, cuja sua versão de Maçonaria expulsa pai de pet babão e bajula corruptos.

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