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As sete leis herméticas

✍️ Desconhecido 📅 20/10/2026 👁️ 10 Leituras

humanismo, lei

De algum modo todas as “escadas” referidas nos diversos Mistérios iniciáticos se referem aos “sete mundos”, ou os sete estágios de sabedoria que o espírito humano deve galgar para atingir a iluminação. Representam as seis esferas que formam os dois triângulos os quais, na Árvore da Vida da Cabala, simbolizam a estrutura do mundo espiritual (os arquétipos, ou universais) e do mundo físico. Estes dois triângulos, conhecidos como Ético e Formativo, são centrados nas sefirot Geburah, Hod e Tiphered (triângulo ético) e Hod, Netsach e Iesod (triângulo da formação). Junto com Malkuth, a última sefirá, elas compõem os sete degraus do mundo manifesto, descrito na Árvore da Vida [1].

Referem-se também às sete leis do mundo espiritual, expressas por Hermes Trismegisto, segundo os autores do Caibalion [2]. Esta obra (Caibalion) reúne os ensinamentos básicos da doutrina hermética, explicitando as leis que regem a formação de todas as coisas manifestadas. É uma doutrina, que, em resumo, deduz que o mundo espiritual é regido pelas seguintes leis:

1 – Lei do Mentalismo: expressa no enunciado: “O Todo é Mente; o Universo é mental”.

Neste enunciado diz-se que o universo é gerado pelo pensamento divino. Há um “ser” que pensa o universo e gera leis que regem a sua formatação. Por meio dessas leis o Criador rege e desenvolve toda a realidade cósmica. Assim, todo grão de matéria universal tem uma “centelha” do pensamento de Deus. Neste sentido nós também temos, aprisionada no nosso corpo material, uma centelha desse princípio luminoso, essa energia latente que deu origem a tudo que existe.

2 – Lei da Correspondência, expressa no enunciado: “O que está em cima é como o que está embaixo. E o que está embaixo é como o que está em cima”.

É a lei da relatividade, expressa em termos espirituais. Aqui se diz que as perspectivas mudam de acordo com as referências que temos das coisas. A visão que temos da terra impede-nos de enxergar outros domínios acima e abaixo de nós. A nossa atenção fica concentrada naquilo que podemos ver e abarcar com os nossos sentidos, de maneira que o que está além do território da nossa sensibilidade nos escapa. Mas o universo é igual em toda parte. O microcosmo reflecte o que existe no macrocosmo. O que ocorre no infinito do espaço é igual ao que ocorre no interior do átomo.

3 – Lei da Vibração, que se expressa pelo enunciado: “Nada está parado, tudo se move, tudo vibra”

Esta lei assegura que todo movimento do universo é vibratório. Este princípio dá vida e movimento ao cosmo na sua totalidade. Todas as coisas têm o seu próprio regime de vibração. Nada está em repouso. Nada é inerte na natureza. Das galáxias às partículas subatómicas, tudo se movimenta, procurando as suas próprias conformações. Esta é uma verdade já comprovada pela ciência moderna. Toda matéria (e espírito também) são feitos de átomos, os quais são gerados por ondas e partículas de energia que se movem e oscilam conforme as suas próprias estruturas o exigem. Não há matéria passiva ou inerte no universo, como pode parecer aos nossos olhos, mas todas têm movimento, porque tudo é feito de energia e a energia nunca se submete à inércia.

4 – Lei da Polaridade, expressa no enunciado: “Tudo é duplo no universo, tudo tem dois pólos, tudo tem o seu oposto.”

A polaridade é uma lei necessária à constituição das realidades universais. É preciso o macho e a fêmea para gerar um novo ser, as trevas para que a luz possa brilhar, o falso para que o verdadeiro possa ser revelado, o frio para que o quente se manifeste e assim por diante. Esta verdade já tinha sido denunciada pelos filósofos taoistas na simbologia yin/yang [3]. A atracção entre os opostos representa a chave de poder no sistema hermético. Os opostos são apenas extremos da mesma realidade. Sem pólo negativo e positivo, a corrente não se movimenta e não gera energia. Por isso os hermetistas representavam o universo através da imagem de uma serpente que engole a própria cauda (a serpente oroboros).

5 – Lei do Ritmo, expressa pelo enunciado: “Tudo tem um fluxo e um refluxo, tudo que sobe desce, tudo que vai, volta. Sem este ritmo não haveria equilíbrio.”

Esta é uma lei que deriva da anterior (lei da polaridade) e a complementa. Pode-se dizer que o princípio é manifestado pela acção criativa e a acção destrutiva. A ciência moderna já comprovou esse facto. As ondas de energia executam movimentos rítmicos que compreendem ascensão e queda, onde a energia cinética se converte em potencial e a potencial em cinética. Os opostos se movem em círculos. As correntes se expandem até chegar ao ponto máximo, e depois de atingir a sua maior força se tornam massas amorfas, recomeçando um novo ciclo, dessa vez num sentido inverso. A lei do ritmo serve para assegurar a manutenção do equilíbrio universal. É a lei que rege a vida e a morte das espécies.

6 – Lei do Género, expressa pelo seguinte enunciado: “Tudo tem o seu próprio género: Os princípios, Masculino e Feminino, se manifestam em todos os planos da criação”.

Neste enunciado assevera-se que nada pode ser gerado no universo sem a presença de um princípio feminino e um masculino. Estes princípios não existem independentes um do outro, mas as suas existências só podem ser manifestadas na presença do seu oposto. Desta forma não há nada no universo que seja inteiramente masculino ou feminino. Em todos os seres da natureza, física e orgânica, há um balanceamento entre esses dois princípios. A predominância de um ou outro em certos momentos, ou eventos, ocorre por força da função que a natureza lhes delega no processo de geração.

7 – Lei de Causa e Efeito, expressa no enunciado: “Toda causa tem o seu efeito, todo efeito tem a sua causa.”

Nesta lei diz-se que nada acontece por acaso, pois essa possibilidade não existe no universo.  O que chamamos de acaso é simplesmente o desconhecimento das causas que provocam um fenómeno. Deste enunciado deduz-se que existe “responsabilidade” por trás de todos os acontecimentos, o que nos leva ao princípio admitido pelos cabalistas e pelos adeptos das doutrinas orientais que trabalham com a noção do carma. Esta verdade também já foi comprovada pela ciência moderna, que nela vê um princípio actuante, chamado pelos estudiosos de “efeito-borboleta”. Este efeito, expresso na famosa Teoria do Caos, proposta pelo matemático Edward Lorenz em 1963, diz que qualquer acção, por menor e mais irrelevante que seja, gera consequências no equilíbrio do universo. Devemos, portanto, tomar muito cuidado com o que fazemos [4].

Toda esta simbologia é encontrada nos ritos maçónicos e aproveitada para transmissão dos seus ensinamentos. Ela pode ser verificada principalmente no catecismo do grau 28, denominado “Cavaleiro do Sol”, um grau de conteúdo essencialmente místico, com claras alusões a temas alquímicos e herméticos, e que mostra, também, uma clara influência da doutrina cabalista [5].

João Anatalino Rodrigues

Notas

[1] Ver o nosso artigo A Árvore da Vida, neste site, que desenvolve com mais profundidade esse tema.

[2] Caibalion (Kybalion) é um livro publicado em 1908, atribuído a três indivíduos auto-intitulados “Os Três Iniciados”. Discorre sobre os Princípios Herméticos enunciados por Hermes Trismegisto, um lendário personagem que teria ensinado aos homens os princípios da ciência hermética. Os estudiosos acreditam que ela foi escrita por um autor esotérico chamado William Walker Atkinson.

[3] Lao Tsé – Tao Té King – Ed. Pensamento- 1986

[4] Ver o nosso artigo Carma e Maçonaria, publicado neste site, que se refere às leis cármicas.

[5] A este respeito, ver a nossa obra “Mestres do Universo”, publicada pela Biblioteca 24×7, que discorre sobre o conteúdo místico deste grau.

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