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A romã

✍️ Desconhecido 📅 04/11/2023 👁️ 10 Leituras

romã

Desde o dia 15 de Junho de 6016, data em que me acolheram fraternamente na nossa augura ordem, que tenho desenvolvido um trabalho de introspecção para a cada dia, me sentir e me reconhecerem como tal, um melhor homem e um melhor maçon.

Neste trabalho contínuo, tenho estudado a simbologia de alguns elementos presentes na natureza, e representados no nosso templo, sendo a Romã um daqueles que desde cedo me suscitou mais curiosidade.

Partilho convosco hoje, humildemente, e dentro do meu desconhecimento, o que o meu estudo me deu a conhecer:

Mas afinal o que é uma romã?

A romã é a fruta de uma árvore denominada romãzeira (Punica granatum), espécie do género Punica, dentro da família Lythracea. A romãzeira é um arbusto caducifólio (cujas folhas caem quando está em um tempo desfavorável) e que pode alcançar até 8 metros de altura. As folhas são opostas ou sobpostas, brilhantes, oblongas, com até 7 cm de comprimento e 2 cm de largura. As flores são de cor vermelha brilhante, de 3 cm de diâmetro, com cinco pétalas ou mais em romãzeiras cultivadas. O fruto é uma baga globular com uma casca que tem a consistência do couro. O interior é subdividido em vários lóbulos que contêm numerosas sementes revestidas por uma cobertura denominada sarcotesta, de polpa vermelha e suculenta.

Ao chegar à maturação, a romã abre-se espontaneamente em fissuras que deixam descoberto o conteúdo de cada lóbulo. As aves costumam ser atraídas pela cor viva das sementes e, após consumi-las, transportam-nas em suas fezes para outras regiões. Por isso, a dispersão da árvore diz-se endozoocórica.

Romã – benefícios, curiosidades

Os relatos, histórias e depoimentos acerca das propriedades e benefícios da Romã são inúmeros. Tanto quanto as lendas, mitos, superstições e curiosidades, que foram criadas em torno dessa saudável fruta, com origem nos quatro cantos do mundo desde os tempos bíblicos. A começar pelo fato de que a Romã não é propriamente uma fruta, ou fruto, e sim uma infrutescência, i.e., um conjunto de frutos pequenos originados de muitas flores separadamente.

Vários cientistas afirmam que as Romãs possuem propriedades antioxidantes sendo das frutas mais nutritivas da natureza.

A romã contém cálcio, potássio, ferro e fito nutrientes que ajudam a proteger o corpo contra doenças cardíacas, diabetes, artrite reumatóide e cancro. A romã também retarda o processo de envelhecimento, neutraliza os radicais livres e ajuda a eliminar as gorduras do trato digestivo.

Algumas pessoas dizem que atrai a fortuna. Para outras, ela é a fruta do amor e há quem jure que a Romã é o viagra caseiro. Existem estudos científicos que comprovam que o sumo de Romã, tomado diariamente, aumenta o nível de testosterona no corpo, sendo para muitos visto como símbolo da fartura e fertilidade.

O sumo de romã é conhecido como um bom remédio para problemas digestivos. Quando o sumo ou as sementes são tratados com óleo de amêndoas, podem ser usados para tratar dor no peito e tosse crónica. Seca e misturada com gengibre seco, com cominho e sal negro, a romã tem o poder de aumentar o apetite.

A Etimologia da Palavra

A palavra (em inglês, pomegranate) deriva do latim, sendo constituído de dois termos: “pomum” que significa maçã e “granatus”, com sementes, devido ao seu formato semelhante à maçã e às centenas de sementes que preenchem o fruto.

Em hebraico, a palavra para romã é rimon, que também significa “sino”.

Em Roma, a fruta era chamada de “mala granata” ou “mala romana”, que significavam, respectivamente “fruto de grãos” ou “fruto romano”.

Em Espanha, a palavra “granada” significa romã.

A origem da romã

A romã é uma fruta originária da Pérsia (actual Irão) e foi cultivada na Ásia Central, na Geórgia, na Arménia, no Azerbaijão e na região Mediterrânea por muitos anos. Na Geórgia e Arménia, aleste do Mar Morto, há bosques de romãs selvagens fora das antigas colónias abandonadas. O cultivo dessa fruta tem uma longa história na Arménia, onde restos de romãs fósseis datadas de 1000 a.C. foram encontrados.

Exocarpos carbonizados da fruta foram identificados na Idade do Bronze primitiva nas colinas de Jericó e na Idade do Bronze recente em Chipre. Uma grande romã seca foi encontrada num tumulo no Egipto. Gravações cuneiformes na Mesopotâmia mencionam romãs no terceiro milénio anterior à idade de Cristo.

As romãs também são extensivamente cultivadas no sul da China e no Sudeste Asiático. Nas zonas desérticas, eram muito apreciadas por estarem protegidas pela secagem devido à casca grossa e coriácea, o que permitia às caravanas transportá-las por longas distâncias sem que fossem afectadas em sua qualidade e sabor.

Foram os berberes, que levaram a romã e seu cultivo para a Península Ibérica. A antiga cidade andaluza de Granada, fundada no século X, foi renomeada por causa da fruta durante o período mouro. A figura do fruto aparece no brasão actual da cidade.

Anteriormente, a romã já era saboreada na Europa, pois os romanos conheceram-na graças aos fenícios, que a levaram da Fenícia (actual Líbano) para Roma. Daí seu nome científico ser Punica.

A simbologia da romã na literatura histórica

A romã é um dos mais antigos e importantes símbolos das tradições espirituais. A infrutescência, originária do Irão, é identificado como um emblema solar, que representa segundo sua cor e forma, a fertilidade (útero materno) e o sangue vital; na Roma Antiga, jovens recém-casados usavam coroas de ramos de romãzeira.

Na Mitologia Grega, a romã era atributo das deusas Hera, deusa das mulheres, do casamento e do nascimento, e Afrodite, deusa da beleza, do amor e da sexualidade, sendo uma fruta associada ao rejuvenescimento.

Ainda na mitologia grega a romã é figura de relevo no mito de Hades com Perséfone”:

Perséfone (a deusa do inferno) foi sequestrada por Hades (o deus das trevas) e levada para viver no inferno como sua esposa. A mãe de Perséfone, Deméter (a deusa da colheita), entrou então em luto pela perda de sua filha. Por isso, todos os seres verdes cessaram de crescer. Zeus (o mais poderoso dos deuses gregos), não podendo deixar a terra morrer, ordenou que Hades devolvesse Perséfone. Todavia, era regra do destino que qualquer um que consumisse alimento ou bebida no inferno estaria condenado a ficar lá por toda a eternidade. Quando Perséfone era ainda prisioneira de Hades, ela não tinha nenhum alimento para consumir, mas Hades enganou-a oferecendo-lhe para comer quatro sementes de romã. Por causa disso, ela foi condenada a passar quatro meses por ano no inferno. Assim, durante os quatro meses em que Perséfone está sentada ao lado de seu marido Hades, sua mãe Deméter também está de luto. Nesse período, Deméter não deixa a terra ser fértil.

Na Ásia a romã está associada aos órgãos genitais femininos, a vulva, e por isso, é o símbolo de desejo e a sexualidade feminina.

Na Índia, muitas vezes, as mulheres tomavam o sumo de romã, para assegurar a fertilidade e combater a esterilidade.

No mundo islâmico, pelo que sugere a literatura, a romã era uma fruta muito apreciada. Apenas no Qur’an (1971: 129, 135, 540), por exemplo, encontramos três passagens (6: 100,6: 142 e 55: 69) em que há menções à fruta e sua relação com os dois jardins (paraísos), como em “e em ambos [os jardins] haverá todas as espécies de frutas e tâmaras e romãs”.

No mundo judeu, A romã é identificada com uma das Sheva Minim (sete espécies) de plantas com as quais a Terra de Israel foi abençoada, e portanto exige uma berachá achroná (bênção especial)

É também um símbolo de integridade, porque as suas 613 sementes correspondem aos 613 mandamentos, chamados “mitsvot” presentes no livro sagrado, a Torá.

Na tradição judaica, no feriado chamado “Rosh Hashanah”, dia em que começa o ano judaico, é comum consumir romãs, símbolo de renovação, fertilidade e prosperidade.

No mundo cristão, a romã simboliza a perfeição divina, o amor cristão e a virgindade de Maria, mãe de Jesus. Fruto divino, na Bíblia, as romãs surgem em algumas passagens e estavam esculpidas no Templo de Salomão, em Jerusalém.

Na Bíblia, encontramos uma passagem do livro de Deuteronómio 8: 8, Bíblia (1994: 221), que faz menção à romeira ou “romãzeira”, árvore que dá a romã: “Terra de trigo e cevada, de vides, figueiras e romeiras; terra de oliveiras, de azeite e de mel”.

Na tradição católica, a romã é consumida no Dia de Reis, 6 de Janeiro

Entre os plebeus, a romã ganhou outros significados, como amor, união, casamento e fertilidade, todos relacionados à grande quantidade de sementes que a fruta contém e à forma harmoniosa como elas se entrelaçam em sua polpa – na Grécia, por exemplo, era comum às mulheres consumirem romã em eventos religiosos para evocar a fertilidade.

Romã – Significado simbólico para a Maçonaria

A relação das Romãs com a Ordem Maçónica está na adopção, pela Ordem, do Templo de Salomão como modelo de seus Templos. Na busca de uma definição simbólica e perfeita para o Templo que cada um de nós tem em si próprio, a Bíblia fornece aos Maçons o Templo de Salomão, símbolo de alcance magnífico.

Na maçonaria as romãs são mostradas em número de três, no topo de duas colunas, Jónica e Dórica, situadas no ocidente. As “romãs da amizade” representam a prosperidade e a solidariedade da família maçónica. Ela é também vista como a unidade que existe entre todos os maçons do universo, da mesma forma que suas sementes, sempre juntas e proporcionando uma acomodação ímpar, acolhendo a todos.

Nos nossos templos em que Colunas simbolicamente unem a terra com o céu, onde, ostentam as frutas da união – como uma dádiva, como favos de mel das abelhas, cheias de pureza e de beleza, sadias e como uma das mais perfeitas criações da natureza. Cada romã passou a ser a representação de uma Loja e de sua universalidade. Suas sementes, como referido, representam os Irmãos unidos pelo que é bom, pelo que é sábio, pelo que tem força e beleza, e pelo ideal comum.

O grande número de grãos que a romã possui e sua propriedade afrodisíaca fez com que a mesma fosse considerada, na simbologia popular, como sendo a representante da fecundidade e da riqueza. Este, talvez, seja o significado mais correcto para as Romãs colocadas sobre as colunas de Salomão. No entanto, também, são simbolizadas como sendo a força impulsionadora para o trabalho e dispêndio de energia.

Na Maçonaria, os grãos da Romã, mergulhados na sua polpa transparente, simbolizam os maçons unidos com a energia e a força necessárias para realizarem o trabalho. Os grãos da romã simbolizam a união dos maçons em seus vários aspectos: o fisiológico, porque cada grão possui “carne”, “sangue” (o suco) e “ossos”, (as sementes). Os grãos crescem unidos de tal forma que perdem o formato natural, que seria redondo; espremidos uns aos outros, são semelhantes a polígonos geométricos, com várias facetas; são lustrosos e belos, lembrando os favos de uma colmeia de abelhas; as abelhas trabalham sem descanso e assim lutam os maçons.

Em suma, a romã simboliza a própria Loja.

A principal lição que devemos tirar das romãs está na forma como as sementes mantêm- se unidas “ombro a ombro”. Apesar de seus formatos e tamanhos diferentes, as sementes se apoiam em perfeita união. São inúmeras e, como nós, espalham-se pelo planeta.

Cada Maçom deve zelar para que a árvore da Maçonaria venha a produzir frutos não afectados por pragas e doenças, e a união deve reinar em nosso meio em prol do bem comum.

Partilho, convosco, uma pequena selecção de passagens de irmãos nossos sobre as romãs:

“…Como as romãs contém um grande número de semente, devem sugerir ao maçom fertilidade e abundância, no sentido de disseminar os valores da Maçonaria em todo o Mundo.”
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“Os grãos reunidos em grupo, e que são separados de outros grupos por uma ténue película, mostram também que, embora divididos em Obediências e países, todos os maçons fazem parte do mesmo Corpo, simbolizado pela romã inteira.”
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“A romã é uma e ao mesmo tempo múltipla. Seus grãos são rútilos, unidos, profícuos, cada um ocupando seu lugar harmonicamente no espaço que lhe é reservado dentro do seu compartimento, como os Maçons. Como um tecido biológico, composto por milhões de células. Retirada uma minúscula parte, continua existindo, mas a parte em falta deixa sua marca impressa no formato das partes vizinhas.
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Como um microcosmo, como um espelho do Universo, onde todos os componentes se completam, se necessitam, se atraem, se influenciam. E os compartimentos, tantos em número, e surpreendentes, parecendo infindáveis, se por um lado aparentam estar isolados uns dos outros, na verdade estão intimamente ligados, por fazerem parte do mesmo conjunto, tal como as diferentes Lojas Maçónicas, que apesar de terem sua vida própria, servem à mesma finalidade e formam um só todo”. Enquanto a romã representa a Loja e sua universalidade, as sementes representam os maçons.
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Diz uma lenda sobre a Romã, que é impossível contar as suas sementes. Tal qual um mito muito difundido entre os próprios maçons e os “profanos”: “jamais sabereis quem somos e quantos somos”.

Concluo partilhando convosco um pequeno poema da poetisa Brasileira Cecília Meireles denominado Rómulo Rema:

Rómulo rema no rio.
A romã dorme no ramo, A romã rubra. (E o céu) O remo abre o rio.
O rio murmura.
A romã rubra dorme Cheia de rubis. (E o céu).
Rómulo rema no rio. Abre-se a romã.
Abre-se a manhã.
No rio,
Rómulo rema.

J∴ P∴ R∴

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