A palavra de passe – das oficinas aos desenvolvimentos litúrgicos
O […] Art. 9°. da Constituição de 1976 põe os Altos Graus do Rito na formação integral do Homem Maçom, no tríplice aspecto: a) nas Lojas Complementares e nos Sublimes Capítulos, vê-se o Homem como Ser Individual e nele se apreciam: o pensamento, a afectividade, a actividade, os valores morais e a Perfeição como ideal maçónico (o Cavaleiro Rosa-Cruz ou Cavaleiro da Perfeição); b) nos Grandes Conselheiros, considera-se o Homem como Valor Social e a sua actuação na Agricultura e na Pecuária, na Indústria e no Comércio, no Trabalho e na Economia, na Educação, na Organização, na Justiça social, na Paz, na Arte, na Ciência, na Religião e na Filosofia (Kadosh Filosófico); c) nos Altos Colégios, salienta-se o Homem como Cidadão e estuda-se a Liberdade e a Autoridade, a Família e a Pátria; o Governo; a Opinião Pública; os Partidos Políticos; o comportamento cívico positivo e negativo; a dinâmica nacional; o princípio de que não há direitos contra a Nação (Guardião do Civismo)
(SIMÕES, 1999, p. 139-140).
(grifos do autor)
Das escolas ao pensamento maçónico – princípios históricos …
É imprescindível pensar no processo evolutivo dos ‘acontecimentos filosóficos’ – esses que compõem às escolas e os seus pensamentos pautados nos ensinamentos da Maçonaria secular (seja, via de regra pela acepções nos Cavaleiros Templários provindos das virtudes eclesiásticas ou por meio das ramificações que se caracterizam por ‘braços- históricos’ como os Illuminati – nascido nos idos do século XVIII por intelectuais e políticos progressista; esses com o apoio da Igreja Católica).
Outrossim, ao direccionar aos princípios originários maçónicos desse período é válido observar que o Livro do Antigo Testamento terá como base a filosofia da crença literal da história – isso dará uma certa abertura às chamadas “Ciências Liberais e a Geometria” como tradição primitiva para as atribuições literárias em: Abraão, Moisés e Salomão dessas virtudes litúrgicas as interpretações terão como ponto de partida às influências que surgirão como evidência do Acontecimento-Maçónico.
Sendo assim, registrar o desenvolvimento dessas multiplicidades contextuais requer do pesquisador maçónico, não apenas pormenorizar os factos, acontecimentos e virtudes pautadas nas tendências da Maçonaria, mas entender que nesse processo de construção do conhecimento – construiremos um Arquivo que possa facilitar os gestos interpretativos a partir das limitações impostas das suas descobertas como adição da virtude irmanada na erudição.
Do sinal à palavra – sentidos e etimologias na linguagem …
Os conhecimentos que se manifestam nas ‘Palavras’, essas, via de regra, pelo viés da Maçonaria, por séculos são complexos e, ao mesmo tempo, de difícil acesso interpretativo; nesse aparte, apontamos aqui os léxicos: Maçonaria e Maçom.
A história resguarda essas “[…] concepções imaginativas e as suas incongruências através de uma literatura favorável ou contrária à Instituição, mas os seus esforços conjugados foram causa dos maiores prejuízos morais e materiais” (ASLAN, s/d, p. 89). Ou seja, Maçons e não-Maçons ao longo do tempo conseguem ‘adentrar’ (entender) esses léxicos-base dentro e fora da instituição maçónica. Mas actualmente, com o desenvolvimento da tecnologia e o acesso às informações nas palmas das mãos – é também perigoso gestos interpretativos que possam desvirtuar sentidos (que durante séculos são princípios fundamentais das suas origens maçónicas).
Escolas, virtudes, filosofias – o magistério necessário ao gesto…
Como abordamos anteriormente, é fundamental ter um gesto histórico que possa não apenas apontar princípios aos mistérios maçónicos: sejam eles no que concerne à sua história (medieval, eclesiástica ou mística), mas também de que maneira esses planos (preparam) o ‘indivíduo’ para conhecer por meio dos seus ensinamentos e, de que maneira, no mundo profano sinta-se ‘autorizado’ na fala interpretativa a esse acesso.
Sendo assim, os mistérios pautados das Escolas nos permite, portanto, redefinir, discutir, descrever quão o mundo maçónico requer conhecimentos prévios que torne ao homem como Ser Individual (como apontado no Art. 9°. da Constituição de 1976 que é a partir dos Altos Graus do Rito – ter-se-á o formação integral como Maçom).
Ainda nessa perspectiva, os factores relacionados aos graus de Aprendiz, Companheiro, Mestre nos faz perceber que tais escalas são possíveis pela aplicabilidade, diligência e perseverança no verdadeiro trabalho em cada um desses pilares que faz dos discípulos seus iminentes e proeminentes virtuosos e filósofos na jornada maçónica.
Essas premissas no que tange à escola maçónica sempre foram marcantes no decorrer do tempo. Se levarmos em consideração às correntes do ‘ocultismo’ na era medieval – só foram possíveis os seus ‘ensinamentos’, mesmo com perseguições, pelas discrições ou para ser mais claro: guardando o silêncio – daí podemos instituir que não apenas por meio dos conhecimentos que são compartilhados se faz a União Gestual Maçónica, mas dos seus segredos (simbolizados, instituídos, transformados ou readaptado – mas fielmente interpretados pelos seus prelectores maçónicos em cada oriente).
Dos símbolos às palavras – transições gestuais …
No decorrer dos séculos – os gestos (interpretações) sempre foram palcos de dúvidas e controvérsias por meio dos seus falantes. Os símbolos, por sua vez, devemos entender como representações sociais, culturais e, ao mesmo tempo, históricas – sendo assim, quando estamos a falar de conhecimentos constituídos pela ‘história eclesiástica’ que deu vida e forma aos constituintes maçónicos.
O homo sapiens diferente dos demais seres viventes tem a capacidade de pensar, construir, renovar e também interpretar. Esse último, por sua vez, quando provocado frente aos mistérios que os símbolos assim são instituídos social e historicamente – faz-nos não apenas nos esforçar, mas compreender efectivamente (por meio de prévios conhecimentos) que, na prática, onde e de onde podemos falar e nos fazer entender maçonicamente.
Sendo assim, vamos entender melhor essas abordagens de acordo à citação a seguir:
Os seres humanos – humanos modernos, Homo Sapiens – estão muito distantes, em matéria de comportamento, de serem “somente mais um animal”. O mistério está em onde, como e por que essa mudança aconteceu […]. Uma “transição importantíssima” ocorreu, mas ela aconteceu tão perto do momento actual que ainda a estamos digerindo […]. Algo aconteceu para transformar um animal precoce num ser humano (SHREEVE, The neanderthal enigma. New York: William Morrow, 1995, In: LOMAS, 2018, p. 23-4).
Dessa perspectiva, observamos que, tais registros antropológicos apontam explicações que não apenas interagem directamente para o homem moderno, mas deixam dúvidas cabais que os mistérios e os seus símbolos requerem sensibilidades simbólicas desse processo de evolução do homem diante ‘do espelho escuro da interpretação particularizada’.
A partir das discussões, colocamos que, as ‘palavras’ e os ‘símbolos’ se representam socialmente – mas a partir do que já conhecemos, do que aprendemos e de como aprendemos a situar um dado ponto de vista pelo gesto que nos afecte, que nos contemple, que nos envolvam – seja pela história, cultura, ou pela linguagem (essa última, fundamental para materializar o ponto de vista desse sujeito Maçom a pressupor a constituição do sistema simbólico da sua interpretação seja da Palavra ou do Símbolo que o representa.
Do Sujeito Maçom à Palavra – o reconhecimento …
Ao dessa trajectória acima apresentada – é importante que entendamos que o reconhecimento do que chamamos aqui de Sujeito Maçom só será efectivamente apontado (como Maçom) a partir de algumas premissas que discutiremos a seguir. Isso posto, tal princípio que precede a Palavra Sagrada – a Palavra de Passe, o Sinal e o Toque serão fundamentais à Instituição que representa e é, ao mesmo tempo, representada pelos seus ‘Prelectores’ dentro e fora do Oriente onde trabalham. Logo, é salutar remontar (voltar ao Grau 3°. (ou Terceiro Graus comumente chamado) – onde o constituinte da visão ou expressão da ‘Palavra Perdida’ é a base de falta da lealdade do Mestre Maçom.
Essa passagem histórica não apenas irá simbolizar a ‘Morte do Nosso Respeitável Mestre Hiram, mas também a importância do segredo (desaparecido). Conquanto, ao se pensar na individualidade maçónica a questão da ‘Palavra’ é primordial enquanto processo de significação de sentidos – não apenas na Maçonaria, mas também no nosso dia a dia (como forma de aceitar ou não a relação com o outro diante uma dada situação): assim, a Palavra é Vida!
Via de regra, se levarmos em consideração a representação tácita da palavra – bem como as suas bases para o rito constituinte maçónico, o Sinal, funcionará como ponto de apoio que indicará o seu sentido essencial; enquanto o Toque, fundamentar-se-á como espelho no reconhecimento do obreiro; já na Palavra Sagrada o Maçom se torna espiritualizado pela virtude de recebe-la individualmente (o que simbolicamente não representa um dado segredo; mas o levante de uma indicação de reconhecimento da Força Espiritual Identificada). Nesses princípios apresentados, é crucial entender que é na Palavra de Passe que a construção e protecção do Templo é comumente guardada dos que ainda precisam dos fundamentos para possuí-la.
Ainda nessa mesma linha de raciocínio, é importante perceber que nos Rituais de Aprendiz, Companheiro, Mestre a importância dada a palavra seja ela Sagrada ou de Passe irão estabelecer relações distintas, mas que se completam às virtudes maçónicas. Elas, “as Palavras” são por demais importantes, pois abrem, fecham os trabalhos, dão instruções e – via de regra, é / são usadas para ‘questionar quem não a possui’ no recinto maçónico ou fora dele.
Da Palavra – a incorporação do gesto …
A Palavra Maçónica, principalmente a de ‘Passe’ é um Símbolo que directamente se liga às alterações dos graus – vê-se também um processo de mudanças para o obreiro e das suas contribuições ao longo das jornadas durante essas ‘passagens’. Ela também vai demonstrar / comprovas as aptidões do Maçom nas ritualísticas para cada degrau da Escada de Jacob. Essas simbologias das passagens, bem como das palavras que estão intimamente ligados às ferramentas (entenda-se: a perpendicular, pois a cada passagem o ‘nível’ se alinha, se apruma – no obreiro).
Diante de tais apontamentos, temos assim entendido que, a Palavra não é apenas uma expressão etimológica, mas Sinais que se representam dentro e forma da mística maçónica. Como já afirmamos antes: ela vai funcionar como essência de reconhecimento entre os seus pares – ela é ‘Acto de Fé’, ela é ‘Vida’, ela é ‘Trabalho’ e também ‘Consciência de Classe’ e, acreditamos, sem distorções aparentes ao longo da história.
Em inúmeros momentos, a Palavra torna-se o Pedido não tirando a sua essência que até aqui estamos alocando às suas necessidades e apontamentos que a autorizam e, ao mesmo tempo, a Glorifica Sagradamente (seja no acto de circular ou proceder ou ordenar os ritos em Loja).
É por demais importante elencar esses pormenores, pois facilita que a Palavra, principalmente de Passe – não se trata meramente de uma formalidade lexical, mas de uma virtude simbólica dentro da Maçonaria.
Vemos também que a Palavra Semestral ao ser ‘transmitida’, o gesto é comumente interpretado de maneira aberta entre Lojas Jurisdicionadas que vão compor ‘um todo’ de comum acordo ritualístico e histórico. Mas a Palavra é ponderada dentro das Lojas como suportes ao ‘bem comum entre os irmãos’ que pode ser concedida, defendida, abonada; depende do seu aparte entre as Colunas ou no Oriente – como assim estiver instituída no momento – logo, é válido obedecer aos princípios e necessidades dela em pauta (Palavra).
Destarte, é na Palavra de Passe que os reconhecemos. Autorizamos às nossas condições como maçons o Nosso Lugar de Fala; A Nossa Instância Primeira (Simbólica); Os Nossos princípios Fundamentais – sendo assim, a Virtude do Grau Inefável e aos estudos das Palavras e, especificamente a de Passe reque indicar alguns constituintes para não apenas simbolizar, mas também demonstrar a importância desses ensinamentos em Hiram Abiff – dele as referências são marcadas em: II Samuel 5:11; I Reis 5:15-32 e Reis 7:13-14.
Nesse sentido, para cada oficina – tenhamos permanência nos estudos e que, a partir desses, possamos desenvolver de acordo aos nossos graus e doutrinas, contribuir cada vez mais com ensinamentos e pesquisas que nortearão o ‘Corpo Simbólico’ como manifestação da linguagem litúrgica quotidianamente.
Sérgio Nunes de Jesus, M∴ M∴ – I. R. B.: 10.599 – OBREIRO: 309551 – ARLS Universitária Pitágoras N° 3313
Referências
- ASLAN, Nicola. Uma radioscopia da Maçonaria ou a Maçonaria ao alcance de todos. 2. ed. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Aurora Limitada, s/d.
- BÍBLIA. In: BÍBLIA. A Bíblia Sagrada: Antigo e o Novo Testamento. 64. Impressão. Tradução de João Ferreira de Almeida. Rio de Janeiro: Imprensa bíblica Brasileira, 1987.
- CONSTITUIÇÃO DO RITO. Regulamento do rito no Brasil – Estatuto do Supremo Conclave do Brasil. Rio de Janeiro: Cultura & Lazer, 2019.
- JUK, Pedro. JB News: informativo, no. 566, Florianópolis [SC], 16 de Março de 2012. In: http://iblanchier3.blogspot.com/2017/07/transmissao-da-palavra-e-da-palavra-de.html Acesso: 24/10/22.
- LEADBEATER 33°., C. W. Pequena história da Maçonaria. Tradução de J. Gervásio de Figueiredo 30°. São Paulo: Editora Pensamento, 1978.
- LIMA, Fernando Silva de Paula. O poder da palavra. 02/11/2008. In: https://www.freemason.pt/pod-palavra/ Acesso: 24/10/22.
- LOMAS, Robert. O poder secreto dos símbolos maçónicos: a influência dos símbolos antigos em momentos fundamentais da história e uma enciclopédia de todos os importantes símbolos maçónicos. Tradução de Soraya Borges de Freitas. São Paulo: Madras, 2018.
- REVISTA DE ESTUDOS FILOSÓFICOS DA EXCELSA LOJA DE PERFEIÇÃO ESTRELA DO ABC. REAA – GRAUS 4° A 14°. SANTO ANDRÉ 2012.
