A Mulher na Maçonaria
Introdução
Um dos acontecimentos de alta relevância e merecedor de destaque, com limiar na segunda metade do século XX e em franca consolidação no século XXI, é o avanço e a presença marcante da mulher nos mais variados postos da sociedade contemporânea. Em tempos actuais, as mulheres gozam dos mesmos direitos que o homem e aparecem agora exercendo cargos políticos, artísticos, profissionais etc. (Santos, S. D., 1984). Assim, as mulheres explicitaram as suas competências nas ciências, nas artes, na política e nos negócios. Nessas áreas, são exemplos merecedores de registro: Marie Curie, Sophie Germain, Mary Somerville, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Clarice Lispector, Isabel Allende, Luiza Helena Trajano, Paula Santilli, entre outras. Enfim, nos mais variados campos do saber e do fazer as mulheres estão presentes. Agora, longínquos estão os tempos em que às mulheres se reservam apenas os papéis – também importantes – de geradora de filhos e/ou de cuidadora dos afazeres domésticos.
Entre as inúmeras posições conquistadas pelas mulheres, vale destacar ainda que vários países – entre os quais o Brasil –, são ou foram presididos ou conduzidos por mulheres em determinados períodos: Dilma Roussef, Ângela Merkel, Michelle Bachelet, Indira Gandhi, Golda Meir e Margareth Thatcher são alguns exemplos nesse sentido. No cenário político destacaram-se ainda, em momentos históricos anteriores: Cleópatra, Joana D´Arc, Anita Garibaldi, Maria Quitéria, entre tantas outras mulheres cujos feitos as imortalizaram na história universal.
Assim é que, em harmonia com esse caminhar da história, no preâmbulo da carta das Nações Unidas, aprovada pelo Decreto Lei 7935/45, e assinada pelo então Presidente Getúlio Vargas, a 4 de Setembro de 1945, pode-se ler:
Nós, os povos das Nações Unidas, resolvidos a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra, que por duas vezes, no espaço da nossa vida trouxe sofrimentos indizíveis a humanidade, e a reafirmar a fé nos direitos fundamentais do homem, na dignidade e no valor do ser humano, na igualdade de direitos dos homens e das mulheres, assim como as Nações grandes e pequenas…
A Maçonaria e a mulher
Nos seus escritos e práticas a Arte Real sempre reservou importante papel à mulher, considerando-a com muito respeito dentro da sociedade humana. Já por ocasião selecção dos pretendentes ao ingresso na Ordem, a esposa do candidato é entrevistada separadamente, sendo que se a mesma não estiver de acordo com a admissão do marido, o processo é encerrado imediatamente, tendo em vista que o espírito da Maçonaria é unir as famílias e não as separar.
Além disso, para elas são prestadas homenagens especiais quando o marido ou o filho é iniciado na Ordem; destaque para o destino de um dos pares de luvas brancas entregue ao neófito na Cerimónia de Iniciação. Na Maçonaria, a elas também é concedida a oportunidade de participar das sociedades para-maçónicas, tais como Centros Femininos, Clube das Acácias, Filhas de Jó, Ordem do Arco-Íris etc. (Cartes, 2009).
Não obstante essas considerações elogiosas e que se configuram no enorme apreço para com a figura feminina, aqui no Brasil e também em outras partes do mundo, as Obediências ditas “regulares” e tradicionais não permitem à mulher o ingresso na Maçonaria, na qualidade de Irmã, ou seja, como Maçom.
Contrapondo-se a isso, o progresso que se configura nos nossos dias estabeleceu, entre homens e mulheres, igualdade de direitos sociais, políticos, jurídicos e económicos. Assim, poderá este novo status influir para a reconsideração de uma propositura maçónica que coloca a mulher sob a tutela e dependência do homem?
Esta questão, ao que parece, não tem sido objecto de reflexão nos círculos maçónicos. Na verdade, escassa é a bibliografia disponível sobre tal tema. Desta forma, no sentido de contribuir com as poucas discussões sobre assunto de tal envergadura, esse tema é o objecto central do presente artigo. A pergunta fundamental que se coloca para reflexão é a seguinte: como se justifica impedir, em pleno século XXI, uma cidadã que elege e é eleita, o ingresso numa sociedade que defende a liberdade e a igualdade?
O Landmark de Mackey nº 18
A Maçonaria Universal é regida pelos chamados Landmarks da Ordem, que são considerados as mais antigas leis que a conduzem. Diz-se na Instituição que os Regulamentos, os Estatutos e outras Leis podem ser revogados, modificados ou anulados. Ao contrário, os Landmarks jamais poderão sofrer qualquer alteração. Não se sabe exactamente quando esses paradigmas foram estabelecidos, sendo que a relação de Landmarks actualmente utilizada no Brasil é a que foi elaborada pelo americano Albert Mackey (1807 – 1881) e que contempla 25 leis (Karg; Young, 2007; Santos, A. E. et al., 2004).
Landmark, no seu sentido estrito, significa marca na terra, ponto, fronteira ou ponto divisório. Já no sentido amplo, o termo quer dizer lei; regra ou código de leis. As Potências Maçónicas ditas “regulares” são as que seguem as normas tradicionais e máximas e que, por isso, conquistaram reconhecimento geral. Estas Potências “regulares” constituem a maioria absoluta na Maçonaria do mundo. Daí o obreiro participante de uma Loja isolada ou pertencente a um Corpo “irregular” não ser admitido ou recebido nas Lojas da corrente dita universal.
O Landmark de nº 18 da compilação de Mackey estabelece que:
Os candidatos à Maçonaria devem ser livres de bons costumes, capazes de direito e de assumir obrigações (devem ser maiores de idade e responsáveis): devem ser isentos de defeitos físicos que os impossibilitem de se dedicar às práticas maçónicas; devem ser de sexo masculino.
Castellani e Rodrigues (1995), no entanto, consideram que a maior parte dos landmarks de Mackey não resiste a uma análise crítica profunda, uma vez que não há conceitos neles alinhavados que representam os antigos limites ou universais costumes da Ordem.
Há outras classificações para landmarks, sendo que as cinco principais são: Findel, Pike, Mackey, Pound e Berthelon. Segundo os autores, a de Pike é, de longe, a mais sensata de todas. A classificação de Pike foi resultado de amplo estudo e de erudita crítica contra os falsos limites apresentados pelos autores da época, incluído Albert Gallatin Mackey.
Para Pike, os landmarks são apenas cinco:
- A necessidade de os maçons reunirem-se em Lojas;
- O governo de cada Loja por um Venerável Mestre e dois Vigilantes;
- A crença no Grande Arquitecto do universo e numa vida futura;
- A cobertura dos trabalhos da Loja;
- A proibição de divulgação dos segredos da Maçonaria.
Deve-se notar que, nesta classificação, não consta a iniciação exclusiva de homens que sejam livres e não mutilados, e tampouco a exclusão de mulheres.
Nos países latinos, a classificação de Mackey reina absoluta, sendo, quase sempre, a única conhecida e tomada como lei incontestável, embora seja uma das mais falhas e mais mentalmente castradoras de todas as compilações existentes, tendo vinte, das vinte e cinco regras, que não são verdadeiros landmarks.
A classificação de Mackey, actualmente, não tem prestígio nem nos EUA, país natal do seu autor, onde só quatro das cinquenta e duas Grandes Lojas a aceitam (Castellani; Rodrigues, 1995).
Considerações esotéricas
Há ainda alguns autores que se valem dos estudos dos chakras para justificarem a ausência das mulheres nas instituições maçónicas. Para os estudiosos dessas correntes, uma das razões pela qual a Maçonaria não permite a admissão de mulheres é porque o rito maçónico é solar e deve ser praticado única e tão somente por homens, pois na essência masculina, ele – o rito – é um aglutinador harmónico do visível com o invisível. Já para a mulher, o rito tem que ser o lunar, visando manter a mesma harmonia e igualdade de afecto ritual (Ortega, 2012). Comentando essa afirmação, o escritor maçónico Palou (1964) considera que toda essa argumentação não tem base, argumentando que o giro na Loja é lunar.
Com relação a essa vertente, por ser escasso o material disponível sobre o assunto, o mesmo é apenas citado na presente análise, porém não aprofundado.
Questões históricas?
Na história da Maçonaria, destacam-se dois períodos distintos: o da Maçonaria Operativa, praticada por autênticos pedreiros, que desenvolviam consideráveis esforços físicos na prática dos seus ofícios e, sendo assim, não apropriados para pessoas do sexo feminino. No entanto, convém destacar que a história também registra, na Idade Média, mulheres fazendo parte das Guildas, como trabalhadoras, sendo que também poderiam ser admitidas à Maestria, em dois casos: nos ofícios de fiadoras e trabalhadoras de tecidos de seda, exclusivos delas, ou naqueles em conjunto com os homens (remendões, trabalhadores em linho, criadores de galinhas); e, ainda, quando viúvas de um mestre, então sendo autorizadas a continuar na administração da respectiva oficina do falecido marido.
Sousa (2008) também tece considerações a respeito, afirmando que, nos séculos XII e XIII, surgiram as sociedades para proteger os interesses dos artesãos e para propiciar auxílios sociais. Destas, duas modalidades se destacavam: as corporações de ofício, que objectivavam proteger os interesses de determinado grupo; e as confrarias, cuja função era promover assistência mútua. Filiavam-se às confrarias, leigos, homens ou mulheres, preocupados com obras de caridade.
Por essas sendas, afirma-se também que a filha do Mestre-de-obras da Catedral de Estrasburgo, Sabina de Steinbach, trabalhou na Loja dos Maçons daquela cidade e esculpiu as estátuas do portal meridional da Catedral e que, com o seu marido, o Mestre Maçom Bernard de Sunder, também trabalhou num grupo de estátuas da Catedral de Magdeburgo (Palou, 1964).
Portanto, é uma verdade histórica que a mulher foi admitida em Lojas da Maçonaria operativa. As corporações de Chester (1327), de York (1350) e a Guilda dos carpinteiros de Norwich (1375) dirigem-se a Irmãos e Irmãs, e os próprios estatutos da Loja de York referem às obrigações de “aquele ou aquela”. Naquele período, havia estucadoras, argamassadoras e pedreiras. Durante os séculos XII, XIII e XIV, a mulher empunhou o cinzel e o malhete nos pórticos das igrejas, ao lado dos seus Irmãos, pelo que o ritual e simbolismo maçónicos lhe eram acessíveis de direito (Fernandes, 2008).
Mesmo se considerando tempos mais remotos, estabelecendo a origem da Maçonaria nos antigos mistérios do Egipto, Grécia e Roma, sem esquecer a escola de Pitágoras, fundada em Crotana, em 529 a.C. e alicerçada nesses mistérios, ali se encontram registros de homens e mulheres iniciados, passando todos igualmente pelas mesmas provas e cerimónias (Figueiredo, 1998).
Já no que diz respeito à Maçonaria Especulativa, herdeira da primeira fase, a partir de 1717, a justificativa que se encontra com relação à proibição das mulheres nos seus quadros é a seguinte: como os maçons aceitos tinham as suas reuniões em tabernas, nesses locais era inconcebível contar com a presença de uma mulher honesta e de condições intelectuais elevadas (Cartes, 2009).
Além disso, considera-se que a interdição à entrada de mulheres na Ordem também tem sido atribuída ao facto de a Maçonaria inglesa ter se modelado pelo sistema de clubes, já existentes na vida social britânica, nos quais vigorava o regime de separação de sexos, ou ainda ao rigorismo puritanista, que nem sequer admitiria a convivência de homens e mulheres em assembleias secretas (Fernandes, 2008).
Assim, considera-se que exclusão da mulher da Maçonaria especulativa nada tem a ver com a tradição operativa.
Desta forma, é com essas razões históricas um tanto nebulosas que se configura o nascimento da Maçonaria como instituição essencialmente masculina.
Algumas mulheres na Maçonaria
Não obstante a sua tradição como entidade predominantemente masculina, no século 19 registram-se três mulheres extraordinárias, de níveis intelectuais elevados e feministas que, dentre as actividades que desenvolviam, também pretendiam participar da Maçonaria.
Elizabeth Aldworth (1693-1773), mais conhecida como a Senhora Maçom, viria mais tarde a torna-se a Exma. Elizabeth St. Leger, filha do Visconde de Doneraile, do Tribunal da Justiça de Doneraile, no Condado de Cork, na Irlanda. De uma narrativa publicada pela família, em 1811, verificou-se que foi iniciada após, secretamente, ter observado cerimónias dos dois primeiros graus.
Maçonaria Feminina ou de Adopção
Não obstante as Constituições de 1723 tornarem explícita, como Landmark, a exclusão da mulher na Ordem Maçónica, em 1730 foi fundada a Ordem da Fidelidade, na França, que tinha apenas quatro graus. Dois anos depois, também na França, surgiu a Ordem dos Cavaleiros e Heroínas da Âncora, que não aceitavam mulheres como membros, mas foram os primeiros a usar os sinais de reconhecimento com elas e aceitar a presença feminina em algumas cerimónias.
Em 1738, foi fundada a Ordem de Moisés, na Alemanha, que mais tarde evoluiu para um âmbito misto. Também surgiu a dos Lenhadores, em 1747, derivada dos Carbonários, na Itália. Outras associações similares vieram posteriormente: a Ordem do Machado e a Ordem da Felicidade, ambas na França, cujo Grande Oriente acabou criando um novo Rito em 1774, denominado de Adopção, com os seus regulamentos e sob o patrocínio de uma Loja regular.
Em 27 de Julho de 1786, o conde Cagliostro fundou, em Lyon, na França, a Loja-Master Sabedoria Triunfante, do Rito da Maçonaria Egípcia, adaptado a homens e mulheres. Assim, as Lojas de Adopção espalharam-se por toda a Europa e, posteriormente, pela América do Norte, sendo que o movimento culminou na fundação, em 4 de Abril de 1893, pelo Dr. Georges Martim e sua esposa, da Ordem Maçónica Mista Internacional O Direito Humano, também conhecida por Co-maçonaria Internacional, que outorga igual direito a homens e mulheres “livres e de bons costumes” e os admite ao mesmo nível de igualdade (Figueiredo, 1998). Esta Obediência, que aceita homens e mulheres em pé de igualdade é reconhecida pelo Grande Oriente da França, o que não ocorre em relação à Grande Loja da França (Boucher, 1997).
Desejaria chamar a vossa atenção sobre a participação da mulher na obra maçónica e, por conseguinte, sobre as Lojas ditas de Adopção. Hoje a emancipação da mulher é, no domínio público, plenamente realizada. É de se pensar que o será brevemente, no domínio jurídico – Seria realmente um paradoxo ofensivo ver a Maçonaria inteiramente voltada para o progresso, permanecer como último refúgio da concepção antiquada, visando a manter a mulher num estado humilhante de menoridade – assim quando as nossas Irmãs manifestaram a intenção muito natural de reconstruir as suas oficinas, decidimos por um termo a uma fórmula já caduca para chegar enfim ao que devia ser a consequência lógica do esforço pretendido desde há quarenta anos e mais das nossas Lojas de Adopção, quer dizer à criação, em França, como isto existe na Inglaterra, de uma Maçonaria autónoma.
Assim, pela decisão da Convenção de 1945, a Grande Loja de França revogou os textos regendo a Maçonaria de Adopção e, em 21 de Outubro do mesmo ano, a abolia definitivamente.
Em 21 de Outubro de 1945, uma nova obediência – a União Maçónica Feminina – realizava a sua primeira assembleia geral. Em 1952, esta obediência passou a denominar-se Grande Loja Feminina de França e adoptou o Ritual masculino do Rito Escocês Antigo e Aceito, ligeiramente modificado em alguns detalhes e só adoptando os graus simbólicos (Cravo, 2011).
Os primórdios da Maçonaria Feminina no Brasil
Segundo Burity (2002), em São Paulo, em 1871, Irmãos da Loja Amizade e da Loja América, do Grande Oriente Beneditino, fundaram a Loja Feminina Sete de Setembro, da qual Francisca Carolina de Carvalho foi a primeira Grão-Mestre. O autor também cita uma relação de nove Lojas Femininas fundadas sob a jurisdição do Grande Oriente Unido, e que tiveram vida entre 1874 e 1903. Em Campos, a Loja Anita Bocaiúva; no Rio de Janeiro, a Loja Estrela Fluminense e a Loja Filhas do Progresso; em Curitiba a Loja Filhas da Acácia; em Juiz de Fora a Loja Filhas de Hiran; em Bagé, a Loja Fraternidade; em São João da Barra/RJ, a Loja Júlia Valadares; em Ouro Preto, a Loja Perseverança; e em Barra do Itapemirim/ES, a Loja Teodora.
Na parte final do artigo de Burity (2002), há também um comentário de Castellani (2002). Segundo o consagrado escritor Maçom, a Loja de Adopção Sete de Setembro não foi criada por Irmãos da Amizade e da Loja América, mas sim pela própria Loja 7 de Setembro, masculina, sob cuja égide funcionava. A Loja teria recebido carta constitutiva a 10 de Abril de 1872 e desaparecido menos de 10 anos depois. Foi a primeira Loja de Adopção do Brasil. Castellani ainda afirma que as 10 Lojas de Adopção que existiram no Brasil não foram criadas sob a égide do Grande Oriente dos Beneditinos, ou Unido, de Saldanha Marinho, mas sim do GOB. Segundo ele, a aventura dos dissidentes terminou em 1883, com a absorção das suas Lojas pelo Grande Oriente do Brasil, enquanto que as Lojas de Adopção, no Brasil, tiveram vida até 1903, quando o Grão-Mestre do GOB, Quintino Bocayuva, inclusive por pressões internacionais, as suprimiu, através do decreto nº. 242, de 25 de Setembro de 1903.
Em tempos actuais
Actualmente, na maioria dos países europeus, as mulheres podem participar em obediências mistas ou exclusivamente femininas, entre as quais se incluem importantes Lojas, tais como a Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain e as Grandes Lojas para Mulheres de França. A Maçonaria de carácter mais tradicional não reconhece formalmente qualquer grupo que aceite mulheres, embora em muitos países as relações informais de cooperação e reconhecimento pontuais possam existir. Por exemplo, a Grande Loja Unida da Inglaterra considera que, desde 1998, algumas Lojas mistas devem ser vistas como parte da Maçonaria, sem ter reconhecido oficialmente num tratado que autorize visitas mútuas.
As de carácter mais liberal, no entanto, reconhecem em geral, as Lojas para mulheres. Algumas, como o Grande Oriente de França ou o Grande Oriente da Bélgica, reconhecem Lojas para mulheres e aceitam a presença das mulheres nas suas casas, inclusive iniciando-as.
Nos Estados Unidos da América e no Canadá é mais comum as mulheres em associações próximas da Maçonaria, com as suas próprias tradições e os seus próprios rituais, tal como a Ordem da Estrela do Oriente e as Filhas do Nilo, que trabalham em conjunto com as Lojas maçónicas tradicionais. Embora a América do Norte geralmente siga a Inglaterra em muitos pontos, é neste continente que, hoje, concentra-se a resistência de reconhecer as mulheres maçons.
No Brasil, existem diversas Lojas maçónicas mistas, como, por exemplo, a Ordem Maçónica Mista Internacional Le Droit Humain, a Grande Loja Maçónica Mista do Brasil – GLMMB, a Honorável Ordem da co-Maçonaria Americana – The American Federation of Humain Rights e a Grande Loja da Maçonaria Egípcia no Brasil, no entanto, essas não são reconhecidas pelo Grande Oriente do Brasil, pelas Grandes Lojas ou pelos Grandes Orientes Independentes (Wikipédia, 2013).
Considerações finais
Na Maçonaria, na sua antiga tradição, nada há que justifique a recusa e afastamento do elemento feminino das cerimónias e iniciações maçónicas. A não aceitação de mulheres na Maçonaria – pelo menos nas Lojas “regulares” ligadas às Obediências “regulares” nacionais – está baseada exclusivamente na tradição, sendo que não há nenhuma outra razão que justifique tal impeditivo. Além disso, pouco tem sido discutido neste sentido e muito menos tem-se detectado qualquer acção no caminho de aceitação da mulher nas nossas práticas ritualísticas.
Existe uma enorme barreira a ser superada, uma vez que existem hoje, quer queira quer não, três Maçonarias – uma masculina, uma mista e outra feminina. As três vertentes adoptam os mesmos princípios, a mesma filosofia e todas possuem estruturas e cúpulas administrativas.
No entanto, a Maçonaria masculina ainda não foi capaz de absorver e aceitar a existência das outras duas e, se não as hostiliza, também nada faz para favorecer os seus desenvolvimentos.
O tema “A mulher na maçonaria” ainda não mereceu o tratamento adequado por parte dos Maçons, ou seja, o assunto tem sido abordado de forma bastante superficial na nossa literatura.
Desta forma, como partidários do desenvolvimento da mente e do espírito, cabe a nós, Maçons do século XXI, sempre em consonância com as tradições da nossa Ordem e, da mesma forma, sintonizados com a evolução da sociedade, colocarmos na nossa pauta de discussões tão relevante tema. E discutir não significa desrespeitar as nossas legislações, mas sim cotejá-las e, se necessário, adequá-las à modernidade, à actualidade do nosso tempo. Se não isso, corre-se o risco de a Maçonaria se tornar uma entidade obsoleta, desactualizada e caminhando por sendas na contramão da história.
Rubens Pantano Filho – M:. M:. da ARLS Cedros do Líbano – GOB-SP – Valinhos/SP.
Notas
[1] Fonte: disponível em: https://lusophia.wordpress.com/2012/01/. Acesso em: 15 dez. 2023.
[2] Fonte: disponível em: https://www.ledroithumain-br.com/quem-somos. Acesso em: 15 dez. 2023.
[3] Fonte: disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Helena-Blavatsky-c.1875.jpg. Acesso em: 15 dez. 2023.
[4] Fonte: disponível em: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Annie_Besant_Freemason.JPG. Acesso em: 15 dez. 2023.
[5] Fonte: disponível em: https://womenfreemasonusa.com/history.html. Acesso em: 15 dez. 2023.
[6] Fonte: disponível em: https://www.internationalwebpost.org/contents/Un%E2%80%9Dterritorio%E2%80%9D_poco_esplorato_dalle_donne,_la_Massoneria_18427.html. Acesso em: 15 dez. 2023.
Referências
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- BURITY, R. A Mulher na Maçonaria. Disponível em: http://www.renato.burity.com.br/t-amulhernamaconaria.htm. Acesso em: 01 mar. 2013.
- CARTES, O. A Maçonaria e a Mulher. O Cruzado: 2009.
- CRAVO, A. F. Maçonaria e Mulher. Disponível em: http://www.portalcravo.com.br/armando/index.php?view=article&catid=17:liturgia&id=203:maconaria-e-mulher. Acesso em: 01 mar. 2013.
- FERNANDES, L. R. R. Maçonaria e Implantação da República. 2008. 264 p. Dissertação (Mestrado em Estudos Portugueses) – Universidade de Aveiro, Aveiro/PT.
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