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A Maçonaria Regular e a COP 27

✍️ Desconhecido 📅 18/11/2022 👁️ 4 Leituras

cop 27

A data de 6 de novembro que deu início a esta COP 27 que chega agora ao fim, não foi es­colhida por acaso pelos seus or­ganizadores; ela coincidiu com as cele­brações do Dia Internacional para a Pre­venção da Exploração do Meio Ambiente em Tempos de Guerra e Conflito Arma­do. Como afirmaram os responsáveis das Nações Unidas na altura da criação desta efeméride, em 2001, o meio ambiente é por norma a vítima não divulgada das guerras, entre fontes de água contamina­das, colheitas incendiadas, florestas cortadas e solos envenenados com o intuito de assim prejudicar os inimigos e obter vantagem militar.

Para além disso, o Programa das Na­ções Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) estabeleceu já uma correla­ção: Nos últimos 60 anos, pelo menos 40% de todos os conflitos internos estive­ram ligados à exploração de recursos na­turais, seja pelo seu valor elevado seja pela sua escassez. Basta mencionarmos, por exempla a ligação entre os terroris­tas moçambicanos e o tráfico de madei­ras exóticas, para comprovarmos a razão de ser da conclusão do PNUMA.

Por regra, embora a atual guerra da Rússia à Ucrânia seja uma exceção, é mais elevada a probabilidade de conflitos armados em grande escala em países com menor índice de desenvolvimento, preci­samente aqueles que mais estiveram em foco nesta conferência climática em Sharm El-Sheikh.

Entidades como o Climate Vulnerable Fórum (thecvf.org), o fórum internacio­nal constituido por 58 países membros de África, da Ásia, das Caraíbas e da América Latina e Pacifico e que representa cerca de 1,4 mil milhões de pessoas, têm pros­seguido uma linha de atuação que visa precisamente levar ao reforço dos apoios dados para a transição energética e o combate às alterações climáticas nos paí­ses mais pobres e com menor estabilida­de interna, em especial no hemisfério sul. Sendo também aqueles onde é esperada uma maior pressão demográfica numa altura em que o planeta já atingiu – e ul­trapassou – o assombroso número de 8 mil milhões de habitantes, prevendo-se chegar aos 9 mil milhões já em meados da próxima década.

Para os maçons, toda esta situação é preocupante e provoca diversas reacções e reflexões, que deverão conduzir obrigatoriamente a ações concretas no sentido de corrigir as assimetrias existentes e minorar os efeitos negativos a nível climáti­co. Também para esse efeito, a Maçona­ria Regular portuguesa reativou muito recentemente a Confederação Maçónica da Língua Portuguesa – CMLR, com a in­tenção de esta vir a tornar-se o fórum pri­vilegiado de diálogo, mas também de concertação de iniciativas que, no âmbi­to da lusofonia maçónica, permitam ir ao encontro dos Objetivos de Desenvolvi­mento Sustentável (ODS) identificados pelas Nações Unidas na Agenda 2030.

A Maçonaria Regular está numa situa­ção privilegiada, pela nossa abrangência não apenas territorial, mas também so­cial, para servir como plataforma de in­tercâmbio de recursos, de definição de atividades e de comunhão de princípios, inquietudes e experiências, entre os países que partilham o português como lín­gua comum.

Na minha qualidade de economista, sei bem avaliar a dimensão quantitativa dos apoios económicos que são necessá­rios ainda para os cumprimentos dos objetivos traçados pela ONU, em especial nos países em desenvolvimento. Mas, como maçon e responsável pela Maço­naria Regular em Portugal, cumpre-me destacar também a relevância da parte intangível, mas não menos fundamental, desse esforço coletivo.

Se a COP 27 deu agora um passo deter­minante para a implementação efetiva de medidas, visando uma definitiva pas­sagem das palavras aos atos, também a Maçonaria Regular, em plataformas e fó­runs como a CMLR mas igualmente em outras, continuará a tratar o combate aos efeitos das alterações climáticas como uma prioridade, ao nível das suas ações de solidariedade e de fraternidade. Preci­samos, todos nós, de tirar o pé do acele­rador nesta “auto estrada para o inferno ambiental”, tão assustadoramente descrita pelo secretário-geral. António Guterres, e de colocar toda a tração numa mudança assente na solidariedade, na fraternidade e na esperança. É chegada a hora de um verdadeiro Pacto de Solidariedade Climática!

Armindo Azevedo
Grão-Mestre da Grande Loja Regular de Portugal / Grande Loja Legal de Portugal

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