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A linguagem dos deuses: a Cabala

✍️ Desconhecido 📅 31/12/2024 👁️ 4 Leituras

linguagem, cabala

Cabala e Maçonaria

A Maçonaria é um instituto cultural que agasalha muitas influências. Gnose, alquimia, teosofia, filosofia neoplatónica, a mística rosa-cruciana, o pensamento iluminista e principalmente temas bíblicos, ora tratados de uma forma alegórica operativa, na linguagem herdada dos antigos construtores medievais, ora desenvolvidos numa linguagem mística, segundo a tradição cabalística.

A Cabala é um sistema de linguagem desenvolvido pelos estudiosos da religião judaica para interpretar a Bíblia e desvendar os grandes segredos contidos na palavra de Deus, que no entender dos mestres dessa religião, esse formidável monumento literário que os judeus legaram ao mundo, encerra.

Ela fundamenta-se na ideia de que o alfabeto hebraico constitui uma forma de escrita que vem de um mundo superior ao nosso, pois foi desenvolvida para fins de comunicação entre Deus e os seus agentes, os mestres construtores do universo, assim entendidas as Ordens angélicas surgidas em cada uma das etapas de manifestação da Essência Divina nos quatro mundos da sua acção criadora. Segundo Rosenroth,

a Kabbalah foi delineada por Deus, para um grupo de selectos anjos que formavam uma escola teosófica no Paraíso. Depois da queda, os anjos mais graciosos comunicavam a sua doutrina celestial aos filhos desobedientes da Terra, para fortalecer o protoplasma com os significados que assinalariam o caminho de regresso à sua pristina nobreza e felicidade.” [1]

Percebe-se nessa visão, que Cabala são ramos de uma mesma árvore, pois segundo Anderson escreveu nas suas Constituições, a Maçonaria foi estabelecida por Deus, no paraíso, e dali, após a queda, teria sido espalhada pelo mundo, através do filho caçula de Adão, Seth.[2]

Um código secreto

Segundo a tradição, esses “anjos mais graciosos” ensinaram a Cabala a alguns homens na terra, escolhidos especialmente por Deus para receber essa sabedoria, com a qual a própria humanidade pode contribuir para a tarefa de construção do mundo planeado pelo Criador. Daí o termo “Cabala” significar, numa tradução livre, “tradição recebida”, pois o seu conteúdo semântico, inacessível ao vulgo, só pode ser comunicado a alguns iniciados. Nesse sentido ela seria uma espécie de código secreto, uma escrita sagrada, cujo conteúdo não deve ser revelado aos profanos.

Diz-se que os sons e os valores numéricos desse alfabeto, devidamente combinados, formam palavras e signos que contém as grandes verdades físicas e espirituais que formatam o universo em todas as  suas partes, sejam elas materiais ou espirituais. Conhecer cada combinação e os seus significados é o grande ensinamento dessa tradição. Daí a Cabala ter desenvolvido uma semiótica própria, cujo entendimento, por parte dos não iniciados nessa disciplina, parece ser inacessível. Na verdade o que se observa na Cabala é muito mais a utilização de um sistema de comunicação, próprio das culturas orientais, que apela para o uso frequente de metáforas e signos para dar significado aos conteúdos mais profundos da mente humana, que a linguagem quotidiana não consegue representar. Por isso a Cabala só pode ser estudada e absorvida através do chamado método iniciático, no dizer de Ouspensky, [3] ou o método fenomenológico, utilizado por Teilhard de Chardin na composição das suas obras. [4] Pois é somente através de uma pesquisa que integre as descobertas da ciência na física, na química e na biologia com a capacidade inata do espírito humano para gerar intuições, que se pode entrar no universo cabalístico com alguma luz que nos permita “sentir” as grandes verdades reveladas por essa tradição. [5]

A linguagem da Cabala

Fulcanelli também faz referência à uma Cabala fonética, que segundo esse autor era utilizada na Idade Média pelos habitantes de Paris e principalmente pelos artistas, artesãos e maçons operativos para se comunicarem entre si, numa linguagem só inteligível à pessoas pertencentes às suas Confrarias. Este tipo de Cabala fonética era uma espécie de gíria que combinava palavras existentes na língua francesa, criando termos completamente estranhos à linguagem vernacular, com significados muitas vezes simbólicos, de conteúdo esotérico, que veiculavam ideias cujo sentido não devia ser revelado ao homem comum. Era também uma linguagem codificada, destinada a transmitir informações cifradas, que somente a determinados grupos interessava comunicar.

Ao se referir ao estilo de arte gótica, que se expressa na arquitectura das grandes catedrais medievais, Fulcanelli diz também que essa arte é “uma deformação ortográfica da palavra argótica cuja homofonia é perfeita, de acordo com a lei fonética que rege, em todas as línguas, sem ter em conta a ortografia, a cabala tradicional. A catedral é uma obra de art got ou argot”, afirma esse autor. Ou seja, uma arte cabalística por excelência. [6]

É nesse sentido que esse tipo de Cabala interessa aos maçons, já que a sua arte, a Maçonaria, também se vale dessa simbologia muito particular, que é veiculada através de uma linguagem específica. Este tipo de linguagem, que segundo o autor em questão, era a língua dos mestres maçons que construíam as catedrais, era também a língua dos alquimistas, dos mestres cabalistas e dos artistas em geral. Eles formavam, nesses antigos tempos, uma comunidade que cultivava um espirito diferente, rebelde, livre da dogmática conformadora que a Igreja impunha à mentalidade medieval. “Todos se exprimiam em argot; tanto os vagabundos da Corte dos Milagres─ com o poeta Villon à cabeça ─ como os frimasons ou franco-maçons da Idade Média “hospedeiros do Bom Deus”, que edificaram as obras primas que hoje admiramos”, escreve Fulcanelli, mostrando a importância desse elemento de cultura na construção do espírito de uma época. [7]  E segundo o mesmo autor, essa forma de falar e escrever não era apenas uma brincadeira, um jogo de palavras, mas em tudo isso havia uma verdadeira ciência, uma capacidade inata, prodigalizada aos homens pelo próprio Criador, para exprimir a sua sabedoria. Porque, fora disso, “a soberania que ele possui sobre tudo que vive, perde a sua nobreza, a sua grandeza, a sua beleza e não é mais que uma aflitiva vaidade.” [8]

As fórmulas cabalísticas

A linguagem tem uma grande importância na estrutura da Cabala, pois esta, enquanto construção linguística é baseada em três processos originais, conhecidos como gematria, notaricom e temura. A gematria consiste em aproximar duas palavras que tem o mesmo valor numérico no alfabeto hebreu. Como nesse alfabeto cada letra corresponde a um número, as palavras formadas com as diferentes letras representam também um determinado valor e um significado, que variam segundo esse valor.

Assim, diversas palavras, formadas com as mesmas letras, podem ter diferentes significados. As letras da palavra Abraão, por exemplo, corresponde ao número 248, que também têm o mesmo valor numérico das palavras misericórdia, piedade, sabedoria. Dessa forma, quando a Cabala se refere à alguém como sendo um “Abraão”, isso significa que esse alguém é sábio, misericordioso, piedoso, etc. Da mesma forma, as letras da palavra escada equivale ao número 130 e corresponde em valor numérico, às palavras Sinai, subida, ascensão. Assim, subir o Monte Sinai, como fez Moisés, significa ascender até o Senhor.

Baseado nessa transposição, vários autores maçons deduziram que o significado do sonho que o patriarca Jacó teve assumia uma noção de escalada iniciática, de ascensão espiritual, aperfeiçoamento contínuo, etc. Esta alegoria, nos graus superiores da Maçonaria é utilizada para representar a passagem do iniciado pelos diversos graus de elevação no catecismo maçónico. Este simbolismo, conhecido entre os maçons como Escada de Jacó, é uma das mais significativas alegorias da Maçonaria.

Já o notaricom é uma fórmula que permite construir palavras novas a partir das letras iniciais ou finais de uma frase. Também serve para construir frases inteiras a partir de uma só palavra, à semelhança de um acróstico na arte da poesia. Esta fórmula proporciona aos cabalistas uma imensa profusão de construções linguísticas e um arsenal extremamente rico de interpretações da Bíblia. Com muita propriedade, Rosenroth observa que essa técnica foi manipulada com extrema habilidade pelos cabalistas cristãos para tentar provar aos judeus que Jesus era de facto o Messias das escrituras. Ele dá como exemplo de construção teológica cristã, feita com a técnica do notaricon, uma tese desenvolvida por Prosper Rugers, judeu cabalista que abraçou o Cristianismo e passou a vida tentando converter outros judeus à nova fé. Com a palavra Bereschit, que é a primeira palavra do Génesis, ele criou várias outras palavras, construindo com elas frases inteiras, para provar aos judeus que essa palavra, que significa Criação, na verdade se referia a conceitos defendidos pela teologia cristã, ou seja, que a vinda de Jesus já estava prevista nas primeiras frases da Bíblia, que se referem à criação do mundo. [9]

Quanto à técnica denominada temura, esta consiste na substituição de uma palavra, ou letra, por outra, de acordo com as combinações alfabéticas denominadas tsirufim. Temura significa permutação e de acordo com as regras estabelecidas para o uso dessa técnica, uma letra é substituída por outra que a precede ou antecede no alfabeto, para formar uma palavra a partir de outra palavra, distinta tanto em ortografia quanto em significado. Rosenroth dá-nos como exemplo de expressões linguísticas formadas pela técnica da temura as palavras ben (filho), ruach (espírito), berackhah (bênção), todas obtidas por transposição de letras da palavra bereschit (criação, princípio). [10]

Assim, pelo uso de uma dessas técnicas, ou da combinação entre elas, a palavra hebraica Gan Éden (jardim do Éden), por exemplo, pode assumir significados diferentes, tais como gouf (corpo) nefesh (alma), etsem (ossos), daath (ciência), netsah (eternidade) etc.. [11]

Destarte, de acordo com esses métodos de construção linguística, há uma Bíblia que pode ser lida por qualquer pessoa alfabetizada e outra que só pode ser entendida pelos iniciados. É nesta última que está oculta a verdadeira sabedoria (daath), ou seja, aquela ciência que foi transmitida de forma oral à Abraão e confirmada pela transmissão à Moisés, no Monte Sinai, quando Jeová lhe ditou o Decálogo e os demais preceitos contidos na Torá.

É nesse sentido que os Dez Mandamentos escritos nas tábuas da lei e todas as demais prescrições do Deuteronómio, inclusive as estranhas leis sobre higiene e alimentação que fazem parte dos costumes judaicos não são meras idiossincrasias medradas pelo inconsciente de um povo supersticioso e chauvinista, como alguns autores anti-semitas propagam. Tratam-se, na verdade, de prescrições ditadas por intuições longamente testadas empiricamente e crenças ancestrais rigorosamente observadas em milénios de prática social e religiosa.

Por isso, cada palavra, cada símbolo, cada alegoria, cada parábola, cada nome, na língua hebraica, e por consequência, na doutrina cabalística, tem o seu significado literal e outro, de natureza iniciática, que encerra um conhecimento de fundo esotérico ou moral. [12]

Cabala Operativa e Cabala especulativa

Historicamente, a Cabala é trabalhada em duas vertentes. A primeira é aquela que nasceu da necessidade de os judeus criarem uma forma de linguagem que servisse de defesa contra o acirrado anti-semitismo que se desenvolveu contra o povo de Israel desde as suas origens. Esta rejeição é derivada do facto de os israelitas terem se afastado do convívio com outros grupos em razão das suas crenças um tanto elitistas e de certo

modo, chauvinistas, que situam o povo de Israel como um povo especial, eleito por Deus para ser uma espécie de modelo para a humanidade.

Esse tipo de Cabala, que pode ser chamado de prática ou operativa, hospedava, em princípio, um sistema de alta magia, que tinha por objectivo a invocação dos poderes do mundo sobrenatural para realizar os desejos do operador. É nesse contexto que se situam os milagres, as visões e profecias realizadas pelos antigos profetas do Velho Testamento e as famosas lendas cabalistas que atravessaram séculos e que ainda hoje povoam a imaginação das pessoas, servindo inclusive de fonte de inspiração para formidáveis trabalhos literários. [13]

Mais tarde surgiu outro tipo de Cabala, que podemos chamar de filosófico ou especulativo. Este tipo inspirou um sistema de pensamento e uma disciplina de conduta moral que foram desenvolvidos por um grupo de filósofos, a maioria de origem judaica, a partir do século XII da era cristã, provavelmente na região do Languedoc francês. Embora a temática desse tipo de Cabala aparecesse somente na Idade Média, e o seu conteúdo tenha sofrido uma larga influência da Gnose, as raízes dessa doutrina estão fincadas numa antiga tradição já encontrada entre os rabinos dos tempos bíblicos e utilizada principalmente por grupos sectários judeus nos séculos anteriores ao nascimento de Jesus Cristo. Pode também ser recenseada em obras de escritores esotéricos cristãos nos primeiros séculos do Cristianismo, que a usaram para disfarçar a pregação da doutrina de Jesus, então posta na clandestinidade pelas autoridades judaicas e romanas.

Um exemplo dessa literatura cristã clandestina, escrita em linguagem simbólica, abusando largamente de fórmulas cabalísticas é o Apocalipse de São João. Esta curiosa obra, que foi escrita para divulgar a doutrina cristã às Sete Igrejas da ásia, até hoje desafia a argúcia dos estudiosos, em face da estranha simbologia usada pelo autor. Nessa obra, um dos mais significativos exemplos da técnica cabalística aplicada na linguagem é a que o autor utiliza para designar a enigmática figura da Besta. “E aqui está a sabedoria. Quem tem inteligência calcule o número da Besta. Porque é número de homem. E o número dela é seiscentos e sessenta e seis”, escreve o autor. Este número (666), correspondia, usando-se a técnica da gematria, ao nome do imperador romano Nero, que justamente na época em que o autor escrevia o Apocalipse havia desencadeado uma feroz perseguição aos cristãos em todos os territórios dominados por Roma. [14]

Entretanto, parece que o uso da Cabala como linguagem de código foi popularizada mesmo pelos essénios, seita judaica radical, que entre os séculos I e II antes do nascimento de Jesus se afastou do convívio social para viver a sua crença num final apocalíptico para este mundo e a construção de um mundo novo, liderado pelo Messias. Esta seita, cujos documentos foram recentemente recuperados em cavernas situadas às margens do Mar Morto, é tida como a verdadeira inspiradora do Cristianismo, pois as suas doutrinas muito se aproximam daquelas pregadas por Jesus e principalmente por aquele que é considerado como seu verdadeiro mentor, o profeta João Baptista. [15]

Uma forma de Gestalt

Como explica Northrop Frye, “há, no Velho Testamento, uma concepção de linguagem que é poética e “hieroglífica”, não no sentido de uma escrita de sinais, mas no sentido de se usarem as palavras como um tipo particular de sinal.” [16] Quer dizer, há, na própria Bíblia, uma visão semiótica toda particular que nos sugere diferentes interpretações para uma mesma palavra, ou de uma frase, que não podem ser conformadas num único significado.

Destarte, muitas palavras, que na linguagem comum significam uma coisa, na linguagem usada pelos autores desses antigos textos significam coisas muito diferentes, que só podem ser devidamente descodificadas se postas no exacto contexto em que viveram os seus autores e recenseadas as suas relações de sentimento e interacção com o ambiente e os acontecimentos que fizeram parte da experiência que eles relatam. Referindo-se ainda ao estudo do autor acima citado, verifica-se que nas sociedades antigas há uma interacção mais estreita entre o sujeito e o objecto, no sentido de que a ênfase do sentimento experimentado pela pessoa recai mais sobre a relação que a liga ao ambiente do que na própria observação do sentimento em si, coisa que só começou a acontecer depois da experiência grega. Esta característica do pensamento antigo também foi explorada por James Frazer no seu estudo sobre as tradições dos antigos povos, quando se refere ao sentimento do homem primitivo em relação aos seus deuses. É uma relação de simbiose, no sentido de que o homem primitivo não possui um “self” bem desenvolvido, ou seja, um sentimento de si mesmo, independente da divindade que ele cultua. Esta noção, como bem viu esse autor, só seria desenvolvida mais tarde, já nos tempos históricos, pelos gregos, com a cultura do pensamento filosófico. [17]

É nesse sentido que Frye explica o facto de que

muitas sociedades primitivas possuem palavras que expressam essa energia comum à personalidade humana e à natureza circundante e que são intraduzíveis nas nossas categorias e correntes de pensamento. (…”). “A articulação das palavras pode dar corpo a este poder comum; daí emana uma forma de magia, em que os elementos verbais, como fórmulas de “feitiço” ou encantamento, ou coisas parecidas, ocupam um papel central. Um corolário desse princípio é o de que pode haver magia em qualquer uso que se faça das palavras. Em tal contexto, as palavras são forças dinâmicas, são palavras de poder.” [18]

O autor em questão cita, à guisa de exemplo, a palavra maná, ou mana, que em Êxodo, 16, aparece como sendo uma espécie de pão que Jeová faz cair do céu para alimentar o faminto povo de Israel no deserto. Esta palavra (man, maná, manes, em várias línguas antigas), refere-se à uma força, ou energia, que se encontra concentrada em objectos ou pessoas e que pode ser adquirida, conferida ou herdada. Na mitologia romana, por exemplo, esse termo conecta-se com o termo “manes”, palavra que designa a influência que os ancestrais mortos podiam exercer sobre os vivos. No Egipto antigo falava-se de Menes, que segundo a tradição teria sido o primeiro rei da unificada nação egípcia. Os historiadores suspeitam, no entanto, que esse Menes está conectado com a lenda de Osíris, o deus que teria instituído a civilização entre os egípcios, sendo, portanto, a representação de uma força natural, ligada à importância que o sol, ou o rio Nilo, tinha para esse povo, e não à um personagem histórico.

A Cabala, portanto, é uma forma de Gestalt, ou seja, uma forma de ver o mundo e explicá-lo a partir de um simbolismo todo particular. Reflecte o pensamento dos escritores e comentadores da Bíblia, que intuem nas estranhas visões dos profetas bíblicos uma descrição dos planos de Deus para a construção do edifício universal.

O interesse para a Maçonaria

Esta é a visão que interessa à Maçonaria, tradição que integra na sua mística a ideia que o universo é pensado por um Grande Arquitecto e construído pela acção dos seus mestres, os arcanjos, e pedreiros, os homens. E escudada nessa visão, desenvolveu um sistema de pensamento e uma prática de vida que vêm deixando indeléveis marcas na história da humanidade. Sócias do mesmo projecto de desenvolvimento espiritual, Cabala e Maçonaria comungam do mesmo simbolismo iniciático e da mesma proposta cultural. Por isso interessa ao Maçom conhecer um pouco mais dessa importante tradição de origem judaica, para entender a própria arte em que ele se propôs iniciar

João Anatalino Rodrigues

Notas

[1] A Kabbalah Revelada, pg. 26.

[2] James Anderson – As Constituições – Ed. Fraternidade, 1982.

[3] Piotr Demianovitch. Ouspensky – Um Novo Modelo do Universo, São Paulo, Ed. Pensamento, 1928. Método Iniciático é aquele que proporciona ao estudante das ciências ocultas uma fórmula para estudar o pensamento místico.

[4] Pierre Teilhard de Chardin – O Fenómeno Humano, Ed. Cultrix, 1968. O método fenomenológico de Teilhard de Chardin proporciona ao estudante a possibilidade de entender o mundo como resultado de uma evolução que se processa “por dentro” (espírito) e “por fora” (matéria), por força de dois movimentos existentes na energia. Estes movimentos são o de expansão e de compressão. Quer dizer, o mundo da matéria é formado pela combinação dos átomos (expansão energética) e o mundo espiritual é formado pela compressão da energia em espaços cada vez menores (complexidade-pensamento).

[5] “Sentir” e não entender, pois a experiência cabalística, como a maçónica, é algo que só pode ser absorvida pelos sentidos e não pelo intelecto.

[6] Fulcaneli – O Mistério das Catedrais, Ed. Esfinge, Lisboa, 1964.

[7] Idem, pg. 57

[8] Ibidem, pg. 58

[9] A Kabbalah Revelada, op. citado, pg. 28. A partir da palavra Bereschit (Criação) ele deduziu as frases Ben Ruach Ab Shaloshethem Yechad Themim (O Filho, o Espírito, o Pai, a Sua Trindade, Perfeita Unidade); Bekori Rashuni Asher Shamo Yeshuah Thaubado (Adorais meu primeiro-nascido, meu unigénito, cujo nome é Jesus).

[10] A Kabbalah Revelada, op. citado, pg. 32.

[11] Paul Vuliou, citado por Alexandrian, História da Filosofia Oculta, pg. 81

[12] Assim, Abrão, um nome comum entre os caldeus, ao ter acrescentado um “a” ao seu nome, torna-se Abraão, o “Pai de uma multidão”. Êxodo, 17:4.

[13] Exemplos de temas cabalísticos em obras literárias famosas são as lendas do Golém, que inspiraram a escritora inglesa Mary Shelley na composição do seu clássico romance Frankeinsten. Outras obras, como o Aleph, famoso conto de Jorge Luís Borges, o Golém de Gustav Meirink, e mais recentemente, As Aventuras de Pi, filme vencedor do Óscar em 2012, baseado no romance de Yann Martel, também são inspirados em temas cabalísticos.

[14] Ver, a esse respeito Hugh Schonfield- A Bíblia Estava Certa- Ibrasa, São Paulo, 1958.

[15] Para maiores referências sobre a seita dos essénios e a sua influência na história do pensamento maçónico, ver a nossa obra “Conhecendo a Arte Real”, publicada pela Ed. Madras, São Paulo, 2009.

[16] Northrop Frye- O Código dos Códigos, Ed. Boitempo, São Paulo, 2004.

[17] Sir James Frazer, “ O Ramo de Ouro” – Zahar Editores, São Paulo, 1982.

[18] Northrop Frye, O Código dos Códigos- citado, pg. 27. Quer dizer, o homem só tomou consciência de si mesmo a partir do momento em que começou a reflectir sobre o seu próprio ser. Este momento, que ocorreu com a civilização grega, pode ser expresso na frase de Sócrates: “conhece-te a ti mesmo”.

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