A linguagem do mistério e as suas chaves

Os sábios já usaram uma vez a chave da antiga linguagem Universal
Descobertas recentes, feitas por matemáticos e cabalistas eminentes, provam sem haver lugar para dúvidas, que todas as teologias, da primeira até a última, provieram não só de uma fonte comum de crenças abstractas, mas de uma linguagem esotérica universal ou Linguagem do Mistério.
Estando aqueles sábios de posse da chave da antiga língua universal, usaram-na com êxito, ainda que só uma vez, para abrir a porta hermeticamente fechada, que conduz ao vestíbulo dos Mistérios. O grande sistema arcaico, conhecido desde os tempos pré-históricos como a Ciência Sagrada da Sabedoria, sistema que existe em todas as religiões, assim antigas como modernas, onde os seus traços podem ser acompanhados, possuía e ainda possui a sua linguagem universal – entrevista pelo Ragon -, a língua dos Hierofantes, que compreende sete “dialectos”, por assim dizer, cada um dos quais trata de um dos sete mistérios da Natureza, a que é especialmente apropriado. Cada dialecto tinha o seu simbolismo peculiar. Podia-se, desse modo, decifrar a Natureza na sua plenitude ou num dos seus aspectos particulares.
A prova está em que, até o presente os orientalistas em geral, e os indianistas e egiptólogos em especial, experimentam grandes dificuldades para interpretar os escritos alegóricos dos ários e os anais hieráticos do Egipto. Assim acontece porque eles se obstinam em não admitir que todos os anais antigos foram escritos numa linguagem que era universal e conhecida igualmente por todas as nações nos dias da Antiguidade, mas que hoje só é inteligível para uma pequena minoria. Assim como os números arábicos, que todos os homens entendem, seja qual for a sua nacionalidade; ou assim como a palavra inglesa and, que se transmuda em et para os franceses, und para os alemães, y para os espanhóis, e para o português, assim por diante, mas que pode ser expressa em todas as nações civilizadas pelo signo &; da mesma forma todas as palavras da Língua do Mistério possuíam igual significação para todo o mundo. Alguns homens notáveis tentaram revigorar uma linguagem desse género, universal a filosofia: Delgarme, Wilkins, Leibnitz; mas Demaimieux, na sua Pasigraphie, foi o único que consegui demostrar a possibilidade disso. O método de Valentim, chamado “Cabala Grega”, baseada na combinação de caracteres gregos, pode servir de modelo.
Os diversos aspectos da Língua do Mistério conduziam à adopção de uma grande variedade de ritos e dogmas, na parte exotérica do ritualismo das Igrejas. A esses aspectos remonta a origem da maior parte dos dogmas da Igreja Cristã, como, por exemplo, os Sete Sacramentos, a Trindade, a Ressurreição, os sete Pecados Capitais e as sete Virtudes. Entretanto, havendo estado as Sete Chaves da Língua do Mistério sempre sob a custódia dos mais altos Hierofantes Iniciados da Antiguidade, só o uso parcial de algumas delas passou às mãos da nova seita dos nazarenos, por traição de alguns dos Primeiros Padres da Igreja, ex-iniciados dos Templos. Alguns dos primeiros Papas foram Iniciados; mas os últimos fragmentos do seu saber caíram em poder dos Jesuítas, que os transformaram num sistema de feitiçaria.
Os rituais e dogmas egípcios conservaram os ensinamentos principais da doutrina secreta
Afirma-se que a Índia, não a dos limites actuais, mas compreendendo as suas antigas fronteiras, é o único país do mundo que ainda conta, entre os seus filhos, Adeptos que possuem o conhecimento de todos os sete subsistemas, e a chave do sistema completo. Desde a queda de Mênfis, o Egipto começou a perder as suas chaves, uma após outra, e a Caldeia não possuía mais de três na época de Berose. Quanto aos hebreus, não demonstram em todos os seus escritos senão um conhecimento completo dos sistemas astronómicos, geométrico e numérico, que utilizavam para simbolizar as funções humanas e especialmente as filosóficas. Nunca possuíam as chaves superiores.
O capítulo XVII do Livro dos Mortos, diz o seguinte:
- 1ª Osíris dizendo que é Tum (a força criadora da Natureza, que dá forma a todos os seres; espíritos e homens; gerando por si mesmo e por si mesmo existente), saído de Nun, o rio celeste, chamado Pai-Mãe dos Deuses, a divindade primordial, que é o Caos ou o Abismo, impregnado pelo Espírito invisível;
- 2ª Osíris encontrando Shu, a força solar, na Escada da Cidade dos Oito (os dois quadrados do Bem e do Mal, e aniquilando os princípios maus de Nun (o Caos), os Filhos da Rebelião;
- 3ª Osíris como o Fogo e a Água, isto é, Nun o Pai Primordial, criando os Deuses dos seus próprios membros – quatorze Deuses (duas vezes sete), sete de Luz e sete de Trevas (os sete Espíritos da Presença dos Cristãos, e os sete Espíritos Maus);
- 4ª Osíris como a Lei da Existência e do Ser, o Bennu ou Fénix, a Ave da ressurreição na Eternidade, onde a Noite sucede o Dia e o Dia à Noite – alusão aos ciclos periódicos de ressurreição cósmica e de reencarnação Humana (pois que outra significação poderia ter?) “O Viajante que atravessa milhões de anos é o nome de um; e o Grande Verde (Água Primordial ou Caos) é o nome do outro”: um produzindo milhões de anos em sucessão e outro absorvendo-os para fazê-lo reaparecer;
- 5ª Ele, o Viajante, fala dos Sete Seres de Luz que seguem o seu senhor, Osíris, que confere a justiça em Amenti (o Deus Oculto).
Está hoje demonstrado que tudo isso foi à fonte e a origem dos dogmas cristãos. O que os judeus receberam do Egipto, por intermédio de Moisés e de outros Iniciados, ficou bastante confuso e desfigurado em épocas posteriores; mas o que a Igreja tomou a ambos é interpretado de maneira ainda pior.
Os sábios descobrem o sistema geométrico e numérico das medidas da grande pirâmide
O seu sistema, no entanto, provou-se actualmente que é idêntico, nesta parte especial da simbologia – principalmente a chave dos mistérios da astronomia relacionados com os da geração e da concepção – aquelas ideias das antigas religiões, cuja teologia desenvolveu o elemento fálico. O sistema judeu de medidas sagradas, aplicadas aos símbolos religiosos, é o mesmo da Grécia, da Caldeia e do Egipto, no que se refere às combinações geométricas e numéricas, porquanto foi adoptado pelos israelitas durante os séculos de escravidão e cativeiro naquelas duas últimas nações (*). Que sistema era esse? O autor de The Source of Measures que acredita que “Os Livros Mosaicos tinham por objectivo, usando uma linguagem artificial, estabelecer um sistema geométrico e numérico de ciência exacta, que deveria servir como origem das medidas”. Piazzi Smyth é da mesma opinião.
Alguns eruditos julgam que esse sistema e essas medidas são idênticos aos empregados na construção da Grande Pirâmide, o que só em parte é verdade. “A base de tais medidas era a razão de Parker” – diz Ralston Skinner em The Source of Measures. (* Conforme dissemos em Ísis sem Véu: “Até agora, apesar de todas as investigações e controvérsias, a História e a Ciência permanecem na mesma ignorância de sempre acerca da origem dos Judeus. Eles tanto podem ser os Cahndâlas desterrados da Índia antiga, os” pedreiros “mencionados por Veda-Vyâsa e Manu, como os Fenícios de Heródoto, os Hicsos de Josefo, descendentes dos pastores pális, ou ainda um misto de todos esses. A Bíblia fala dos Tírios como um povo da mesma raça dos israelitas, atribuindo a estes a supremacia sobre aqueles… Não obstante, seja qual for a origem dos Judeus, deve ter sido um povo de raça híbrida, já que a Bíblia no-los mostra consorciando-se livremente, não só com os Cananeus, mas com gente de todas as nações e raças com que se punham em contacto”.).
O autor de tão extraordinário livro conta que fez essa descoberta com o uso da razão integral do diâmetro para a circunferência, revelada por John A. Parker, de New York. A razão é de 6561 para o diâmetro, e de 20612 para a circunferência. Diz ainda que esta razão geométrica foi à origem antiquíssima, e provavelmente divina, do que veio a ser, por manipulações exotéricas e aplicações práticas, as medidas lineares britânicas, “cuja unidade fundamental, isto é, a polegada, era também a base de um dos côvados reais egípcios e do pé romano”.
Os construtores da pirâmide possuíam conhecimentos astronómicos, como se depreende da orientação perfeita da mesma pirâmide e das suas outras características claramente astronómicas.
Certamente que os possuíam; e era nestes “conhecimentos” que se baseava todo o programa dos Mistérios e da série de Iniciações. Daí a construção da Pirâmide, registro permanente e símbolo indestrutível dos Mistérios e das Iniciações na Terra, como o é nos Céus a trajectória das estrelas. O ciclo da Iniciação era uma reprodução em miniatura daquela grande série de transformações cósmicas, a que os astrónomos deram o nome de ano tropical ou sideral. Assim como, no fim do ciclo do ano sideral (25.868 anos), voltam os corpos celestes às mesmas posições relativamente que ocupavam no início, da mesma forma, ao terminar o ciclo da Iniciação, o homem interior readquire o primitivo estado de pureza e conhecimento divino, de onde partiu ao empreender o seu ciclo de encarnações terrestres.
Moisés, Iniciado na Mistagogia egípcia, baseou os mistérios religiosos da nova nação, que fundou, sobre a mesma formula abstracta derivada daquele ciclo sideral, que simbolizou sob a forma e as medidas do tabernáculo, por ele construído no deserto, conforme se supõe. Com esses dados prepararam o Grão-sacerdotes judeus, posteriormente, a alegoria do Templo de Salomão – construção esta que nunca teve existência real, como também o próprio rei Salomão, que é senão um mito solar, idêntico ao de Hiram Abiff dos maçons, consoante bem o demonstrou Ragon. Se, portanto, as medidas desse templo alegórico, símbolo do ciclo da Iniciação, coincidem com as da Grande Pirâmide, é porque derivaram destas últimas, por intermédio do Tabernáculo de Moisés.
Mas de grande importância apurar se as medidas usadas na evolução da religião simbólica dos ários, na construção dos seus templos, nas alegorias dos Puranas e principalmente na sua cronologia, nos seus símbolos astronómicos, na duração dos ciclos e em outras computações eram ou não idênticas às medidas empregadas nos cálculos e signos da Bíblia. O facto provaria, realmente, que os judeus – a menos que houvessem copiado as suas medidas e o seu côvado sagrado dos egípcios (cujos Sacerdotes tinham iniciado Moisés) – devem ter adquirido tais noções na Índia. Em todo o caso, transmitiram-nas aos primeiros cristãos.
São, portanto, os oculistas e os cabalistas os verdadeiros herdeiros do conhecimento ou Sabedoria Secreta que se encontram na Bíblia, portanto hoje só eles compreendem o seu real significado, ao passo que os judeus e cristãos profanos se atem ao sentido exterior e à letra morta.
Está agora demonstrado pelo autor de The Source of Measures que foi a esse sistema de medidas que se deveu a invenção dos nomes de Elohim e Jehovah, atribuídos a Deus, e a sua adaptação ao falicismo (Verbete: falo Representação do pénis, adorado pelos antigos como símbolo da fecundidade da natureza.); e que Jehovah é uma cópia, não muito lisonjeira, de Osíris.
A verdade deve prevalecer no final
Ao dizer que o Ocultismo oriental detém o segredo, não pretende a autora significar que ela possua o conhecimento completo, nem mesmo aproximado, porque seria absurdo. O que sabemos, nós o expomos; o que não podemos explicar, cumpre ao estudante descobri- lo por si mesmo.
Mas, embora tudo leve a crer que todo o ciclo da Linguagem universal não seja ainda conhecido durante vários séculos, basta o que já foi descoberto na Bíblia por alguns sábios para comprovar matematicamente a existência dessa linguagem. Como o judaísmo se utilizava duas das sete chaves, e estas duas foram agora descobertas, já não se trata mais de especulações ou de hipótese individuais, e muito menos de “coincidências”, senão de uma interpretação correcta dos textos da Bíblia, do mesmo modo que uma pessoa versada em aritmética lê e verifica uma adição. Em suma, tudo o que dissemos em Ísis sem Véu está hoje confirmado no livro Egyptiam Mystery or The Souce of Measures, com as interpretações da Bíblia por meio das chaves numéricas e geométricas.
Mais alguns anos e este sistema eliminará a interpretação literal da Bíblia, assim como a de todas as demais crenças exotéricas, mostrando os dogmas à sua verdadeira luz. Então, aquele inegável significado, por mais incompleto que esteja, desvendará o Mistério do Ser, e ao mesmo tempo mudará totalmente os modernos sistemas científicos de Antropologia, Etnologia e – sobretudo – Cronologia. O elemento fálico que se encontra em todos os nomes de Deus e nas narrações do Antigo Testamento, e em parte no Novo Testamento, poderá também, com o tempo, modificar muito as modernas teorias materialistas da Biologia e da Fisiologia.
Livres da crueza rude com que hoje são apresentados, os quadros da Natureza e do homem, pela autoridade dos corpos celestes e dos seus mistérios, retirarão o véu que encobre as evoluções da mente humana, e deixarão ver quão natural era semelhante curso do pensamento.
Moisés e a arca de junco copiada de Sargão
A pequena tribo – uma das menores ramificações dos cruzamentos da quarta e quinta sub-raças, as chamadas mongol-turânia e indo-europeia, depois da submersão do grande Continente – só podia aceitar aquele simbolismo com o sentido que lhe davam as nações de onde procedia. É provável que, no começo do período mosaico, os símbolos não fossem tão grosseiros como vieram a ser mais tarde, quando Ezra refundiu todo o Pentateuco. Para dar um exemplo, o mito da filha do faraó (a mulher), do Nilo (o Grande Abismo e a Água) e do menino encontrado a flutuar dentro de uma cesta de junco, não havia sido originalmente composto para Moisés, nem por ele; descobriu-se que era muito mais antigo, pois figura nos tijolos babilónicos, na lenda do rei Sargão, que viveu muito antes de Moisés.
Sr. George Smith, na sua obra Assyrian Antiquities, diz o seguinte: “No palácio de Sennacherib, em Kuyunjik, encontrei outro fragmento da curiosa história de Sargão… que traduzi e publiquei em Transactions of the Society of Biblical Archeology”. A capital de Sargão, o Moisés babilónico, “era a grande cidade de Agade, chamada Accad pelos semitas e mencionada no Génesis como a capital de Nenrod… Accad situava-se não longe da cidade de Sippara, à margem do Eufrates e ao norte da Babilónia”. Outra “coincidência” estranha é que o nome Sippara, a cidade vizinha, é o mesmo da mulher de Moisés, Zipporah (Êxodo, II, 21). É óbvio que a lenda é uma hábil interpolação feita por Ezra, que não devia ignorar o original. A curiosa história consta de fragmentos de ladrilhos de Kuyunjik, e assim reza:
- “Eu sou Sargina, o rei poderoso, o rei de Accad”.
- A minha mãe era uma princesa, meu pai não o conheci; um irmão de meu pai governa o país.
- Na cidade de Azupiran, situada perto do rio Eufrates,
- A minha Mãe, a princesa, me concebeu; com sofrimento me deu à luz.
- Ela me pôs numa cesta de junco, revestindo o fundo com betume.
- Deixou-me sobre as ondas do rio, que não me afogou.
- O rio me levou a Akki, o carregador de água, que me retirou.
- Akki, o carregador de água, com a ternura do seu coração me adoptou”.
Compare-se agora com a narrativa da Bíblia, no Êxodo II, 3:
“E quando ela \ a mãe de Moisés \ não pode escondê-lo por mais tempo, tomou uma cesta de junco e a untou de argila e betume, pôs o menino dentro dela e a deixou a flutuar entre os caniços à beira do rio”.
Continua dizendo George Smith:
“Supõe-se que o facto ocorreu cerca de 1600 anos antes de Cristo, um pouco antes da época assinalada por Moisés; e como sabemos que a fama de Sargão chegou ao Egipto, é muito provável que essa história tenha alguma relação com os acontecimentos mencionados no livro II do Êxodo, porque toda acção uma vez executada, tende a repetir-se”.
Mas agora, que o Professor Sayce teve a coragem de fazer recuar de 2000 anos as épocas atribuídas aos reis caldeus, vê-se que Sargão deve ter precedido Moisés em 2000 anos pelo menos. A confissão é bem significativa, faltando, porém, um ou dois zeros às quantidades.
A identidade dos símbolos antigos
Ora, qual é a dedução lógica? Certamente a que nos autoriza a dizer que a versão de Esdras, a respeito de Moisés, fora por ele ouvido quando esteve na Babilónia, havendo Esdras aplicado ao legislador judeu a alegoria concernente a Sargão. Numa palavra: que o Êxodo nunca foi escrito por Moisés, e sim recopilado por Esdras de antigos materiais.
Os números ocultos são pedras angulares das cosmogonias esotéricas
Tudo isso, a despeito do elemento exotérico, tal como hoje se vê dos dois Testamentos, é mais que suficiente para classificar a Bíblia entre as obras esotéricas, e associar o seu sistema secreto ao simbolismo indiano, caldeu e egípcio. Todos os símbolos e números bíblicos, sugeridos por observações astronómicas – pois a Astronomia e a Teologia são estreitamente relacionadas -, se encontram nos sistemas indianos, tanto exotéricos como esotéricos. Estes números e os seus símbolos, os signos do Zodíaco, os planetas, os seus aspectos e os seus nodos (Relacionado com os planetas ascendente e descendente) -, são conhecidos em Astronomia como sextis, quartis, etc., e foram usados pelos povos arcaicos durante séculos e séculos; em certo sentido, a sua significação é a mesma dos algarismos hebreus. As primeiras formas da Geometria elementar foram, sem dúvida, sugeridas pela observação dos corpos celestes e dos seus agrupamentos. É por isso que os símbolos mais antigos do esoterismo oriental são círculos, o ponto, o triângulo, o quadrado, o pentágono, o hexágono e outras figuras planas de vários lados e ângulos – o que mostra serem o conhecimento e o uso da simbologia geométrica tão antiga quanto o mundo.
Partindo desta base, fácil é compreender como a Natureza, mesmo sem o auxilio de instrutores divinos, pode ensinar à humanidade primitiva os primeiros princípios de uma linguagem de símbolos, numérica e geométrica. Daí o vermos o emprego de números e figuras para exprimir e registrar o pensamento em todas as Escrituras simbólicas arcaicas. Os símbolos são sempre os mesmos, salvo certas variações resultantes das primeiras figuras. Assim, a evolução e a correlação dos mistérios da Natureza e do Cosmo, do seu crescimento e desenvolvimento – espiritual e físico, abstracto e concreto -, foram a princípio registrados por modificações da forma geométrica. Cada Cosmogonia começou por um círculo, um ponto, um triângulo e um quadrado, até o número 9, tudo sintetizado depois pela primeira linha e o círculo, a Década mística de Pitágoras, a soma total que continha e exprimia os mistérios de todo o Cosmo; mistérios registrados no sistema indiano com uma exactidão cem vezes maior que em outro qualquer sistema, para todo aquele que pode entender a linguagem mística. Os números 3 e 4, com a sua soma de 7, assim como os números 5, 6, 9 e 10, são as pedras angulares das Cosmogonias Ocultas. A Década, com as suas mil combinações se encontra em todas as partes do Globo. Pode ser identificada nas grutas e nos templos cavados na rocha do Indostão e da Ásia Central; nas pirâmides e nos monólitos do Egipto e da América; nas catacumbas de Ozimandyas; nos baluartes das fortalezas coroadas de neve do Cáucaso; nas ruínas de Palenque; na ilha de Páscoa; em toda a parte onde o homem da Antiguidade pôs os pés. O 3 e o 4, o triângulo e o quadrado, ou os signos universais masculino e feminino, que indicam o primeiro aspecto da evolução da divindade, estão representados perpetuamente nos Céus pelo Cruzeiro do Sul, como o estão na Cruz Ansata egípcia, conforme muito bem o expôs o autor de The Source of Measures:
“O desdobramento do Cubo dá a Cruz com a forma egípcia, o Tau, ou a cruz cristã… Unindo um círculo à primeira, temos a Cruz Ansata… Os números 3 e 4 contados sobre a cruz mostram uma forma do candelabro \ hebreu \ de ouro \ no Sanctorum \, e os 3 + 4=7 e 6 + 1=7 dão os dias no círculo da semana, como as sete luzes do sol. Da mesma forma que a semana de sete luzes deu origem ao mês e ao ano, assim também indica o tempo do nascimento… A forma da cruz é, assim, determinada pelo uso simultâneo da formula 113: 355, e o símbolo se completam pelo homem pregado na cruz. Esta espécie de medida estava associada à ideia da origem da vida humana, e daí a forma fálica.”
As Estâncias mostram a cruz e aqueles números como representando um papel muito importante na Cosmogonia arcaica.
Os signos, números e símbolos esotéricos são encontrados no Egipto, Peru, México, Ilha de Páscoa, Índia, Caldeia, Ásia Central – homens crucificados e símbolos da evolução de raças descendentes dos Deuses -; e, no entanto, vemos a Ciência repudiando a ideia de uma raça humana que não seja feita à nossa imagem, a Teologia aferrando-se aos seus 6.000 anos desde a Criação, a Antropologia ensinando que somos descendentes do macaco, e o clero pretendendo que o somos de Adão, 4.004 anos antes de Cristo!
(Autor desconhecido)
